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Artigo Java Magazine 05 - Java Livre

Artigo publicado pela Java Magazine 05.

Esse artigo faz parte da revista Java Magazine edição 05. Clique aqui para ler todos os artigos desta edição

JBoss Inicial

Uma introdução prática ao servidor J2EE livre

O JBoss é um servidor de aplicações que atende plenamente a especificação J2EE 1.3. Escrito inteiramente em Java, oferece compatibilidade com as principais plataformas utilizadas para servidores (Windows, Linux, Solaris etc.) e vem ocupando o espaço outrora ocupado por produtos como o WebLogic da BEA e WebSphere da IBM. Até o Windows 98 pode ser utilizado para desenvolver aplicações J2EE com o JBoss.

Este artigo é um “primeiros passos” no JBoss, demonstrando como instalar o servidor e como realizar o deployment de EJBs e aplicações web.

O JBoss é comparável, em recursos, aos seus concorrentes mais antigos, entretanto utiliza uma arquitetura inovadora, centrada no JMX, que o torna mais ágil no desenvolvimento e muito customizável para atender a situações específicas. Melhor ainda, o JBoss é software livre, de modo que seu sistema enterprise Java não estará limitado pelas pesadas taxas de licença por CPU ou por usuário. Várias empresas no Brasil e no mundo vêm utilizando o JBoss como base de suas soluções enterprise, entre elas o Dow Jones, fornecedor de cotações da bolsa de Nova York.

Arquitetura do JBoss

Na Figura 1 temos um diagrama bastante simplificado da arquitetura do JBoss. Observe que todos os serviços necessários ao J2EE estão presentes: JNDI, JTX, JMS, além dos containers de servlets e de EJBs. Todos os componentes do JBoss são MBeans (para mais informações sobre JMX e MBeans veja o artigo de Júlio César Lins, nesta edição). Assim, podem ser iniciados, parados ou reconfigurados com o servidor no ar. Você pode até mesmo construir o seu MBean para substituir qualquer serviço padrão do JBoss ou acrescentar novas capacidades – por exemplo um mecanismo alternativo de persistência para Entity Beans.

Figura 1. Arquitetura simplificada do JBoss

A flexibilidade do JBoss é ilustrada pela possibilidade de escolher entre dois containers web: o Jetty ou o Tomcat. Quando o Tomcat roda como um MBean sob o JBoss, ele herda capacidades que não existem no Tomcat isolado, como a possibilidade de se fazer redeployment de aplicações web sem reiniciar o servidor ou o suporte a clusters.

Como bônus, o JBoss oferece suporte a web services, de modo que clientes criados com outras linguagens e tecnologias possam acessar transparentemente seus EJBs – não há necessidade de construir um servlet para atuar como front-end.

Além disso, a distribuição padrão do JBoss inclui o banco de dados Hypersonic, também software livre escrito inteiramente em Java. Provavelmente você irá preferir confiar seus dados críticos a um servidor de banco de dados mais poderoso como o PostgreSQL ou o Oracle, mas a presença do Hypersonic na distribuição padrão permite que você inicie o desenvolvimento de aplicações J2EE imediatamente após instalar o JBoss, sem a necessidade de antes configurar fontes de dados.

Instalação e extensões

Para fazer a instalação, visite o site do JBoss e siga o link para downloads. Você terá opções de baixar os fontes ou binários do servidor, além de escolher a distribuição que inclui o Jetty (jboss-3.0.4.zip no momento da escrita deste artigo), ou a que incorpora o Tomcat (jboss-tomcat-3.0.4.zip). Basta descompactar o pacote ZIP em qualquer diretório e o JBoss fica pronto para rodar.

Antes de iniciar o servidor, certifique-se de que seu ambiente inclui a definição correta para a variável de ambiente JAVA_HOME. Podemos utilizar o Java 2 SDK (JSDK) versão 1.3 ou 1.4. Note que é necessário o JSDK completo; não é suficiente utilizar o JRE, pois o JBoss (como outros containers de servlets e de EJBs) necessita de acesso ao compilador Java. Portanto, certifique-se também de que o pacote tools.jar esteja presente no classpath. Tome cuidado, pois, caso seu classpath inclua algum outro pacote que implemente as APIs do J2EE (como o J2EE SDK da Sun), pode haver problemas na execução do JBoss.

Podemos iniciar o JBoss utilizando o script run.sh (ou run.bat) dentro do subdiretório bin do servidor; paramos o servidor utilizando o script shutdown.sh (ou shutdown.bat), dentro do mesmo diretório. Temos ainda os pacotes JAR executáveis run.jar e shutdown.jar, que fornecem uma maneira prática de iniciar e parar o JBoss dentro de um IDE como o Eclipse, NetBeans ou JBuilder. Podemos encontrar na internet plugins para integrar o JBoss à maioria dos IDEs no mercado – verifique na página do fornecedor do seu IDE.

Como o JBoss inclui vários serviços de rede, podem haver conflitos por portas TCP em sistemas como o Windows 2000 ou o Linux. Observe atentamente as mensagens exibidas pelo script de inicialização do JBoss para ter certeza de que está tudo bem. Você não precisa conhecer profundamente o JBoss ou servidores de aplicação J2EE: basta procurar por algo semelhante a um stack trace de uma exceção Java. A mensagem de erro indicará claramente qual a porta em conflito e qual serviço do JBoss não pôde ser inicializado; você terá a opção de remover o serviço conflitante, ou reconfigurar o JBoss para utilizar outra porta.

Quando aparecer a mensagem iniciando por “JBoss JMX Microkernel” (Figura 2), o servidor estará pronto para atender a requisições. Experimente abrir um navegador web e visitar a URL http://127.0.0.1:8080/jmx-console, que relaciona todos os serviços disponíveis no JBoss. A "



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Autor
Fernando Lozano

é consultor independente, ativista do software livre e professor da Faculdade Metodista Bennett, além de autor do livro “Java em GNU/Linux” (Editora Alta Books). É detentor de certificações da Sun, IBM, Microsoft e Red Hat, sendo uma espécie de “agente duplo” nas várias tribos.


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