Este é um post disponível para assinantes MVPartigo java magazine 53 - Eclipse x NetBeans
Artigo da java magazine 53.

Eclipse x NetBeans
Comparando os grandes IDEs open source
Uma comparação pé-no-chão das duas ferramentas mais usadas por desenvolvedores Java: da filosofia de cada produto às pequenas diferenças práticas
Para quem usa e acompanha IDEs Java, o ano de 2007 foi excepcional. Considerando apenas os produtos mais populares, tanto o Eclipse 3.3 “Europa” quanto o NetBeans 6.0 foram atualizações de grande importância. Nesse contexto, o leitor ainda indeciso poderá perguntar: enfim, qual é o melhor IDE? Mas não há uma resposta simples. Ambos os softwares são muito grandes e multifacetados.
Uma comparação no estilo “checklist”, batendo funcionalidade com funcionalidade, poderia dar respostas para perguntas mais granulares, como qual IDE tem o melhor depurador, o melhor editor de JSP, a melhor integração com servidores de aplicações e assim por diante. Esse tipo de comparação, no entanto, tem valor no máximo provisório. Por exemplo, há um ano poderíamos apontar para a grande superioridade do editor de código do Eclipse; mas o NetBeans 6.0 recuperou o atraso nesta área, com um editor totalmente renovado. Da mesma forma, o NetBeans costumava estar muito à frente no suporte a Java EE, mas o Eclipse 3.3 (com o WTP 2.0) também correu atrás do prejuízo.
A escolha do IDE é um investimento de longo prazo; é uma ferramenta que demanda meses para ser dominada. E pouca gente troca de IDE a cada semestre, só por que um competidor deu um passo à frente e se tornou “o melhor” por um breve período. Você abandona o seu time de futebol só porque não venceu o campeonato deste ano?
A proposta deste artigo é comparar o NetBeans com o Eclipse, mas com uma abordagem voltada às diferenças fundamentais – de design, de arquitetura ou de “espírito” – entre os dois produtos. Estas diferenças, na maioria das vezes, não são do tipo que permita um julgamento entre Certo ou Errado, Melhor ou Pior. Porém, será fácil ver que elas permitem a cada leitor – e talvez, para cada empresa ou projeto – decidir qual IDE é mais adequado. Um IDE é uma das principais ferramentas de trabalho do desenvolvedor, e o IDE perfeito é aquele que se adapta à cultura do desenvolvedor: sua metodologia de trabalho, seu ambiente, outras ferramentas preferidas, e até suas manias e valores.
Software Livre ou Proprietário?
O tema do software livre/open source continua crescendo
Tanto o Eclipse quanto o NetBeans posam de “campeões” do software livre, mas como veremos, cada um destes IDEs possui um histórico e um status diferente nesta área.
Eclipse
Os usuários mais antigos do Eclipse lembrarão o seu lançamento, anunciado pela IBM como uma doação à comunidade de US$ 40 milhões – o custo de desenvolvimento do Eclipse 1.0, entre 1999 e 2001. Isso é realmente impressionante, mas também mascara o fato que o Eclipse foi desenvolvido sob portas fechadas até o release 1.0. É comum que isso aconteça em projetos livres patrocinados por grandes corporações: estas esperam até que o projeto atinja um “ponto sem volta”, no qual a maturidade do software garanta a preservação das suas principais decisões arquiteturais.
Um exemplo concreto é o SWT, o toolkit de GUI que até hoje causa polêmica. Se o Eclipse fosse aberto desde o começo, alguém poderia ter decidido fazer uma versão que usasse o Swing. Não seria pouco trabalho, mas seria viável: um esforço incremental, acompanhando o trunk do Eclipse. Mas o código só foi aberto quando o Eclipse 1.0 já estava pronto, incorporando dois anos de trabalho (1999-2001) – e já era muito código. Os fãs do Swing começariam o fork com um enorme atraso, correndo atrás de um projeto que já tinha alguns milhões de linhas de código e (na época) uma equipe de 40 desenvolvedores full-time. Quando a conversão do Eclipse 1.0 para Swing fosse finalizada, certamente já estaria sendo lançando o Eclipse 2.0 ou talvez até o 3.0. E os usuários que precisassem das melhorias mais recentes condenariam o fork baseado em Swing ao ostracismo.
Essa tática não é exclusividade da IBM; aliás, está se popularizando. Outro exemplo recente é o Google Android, nova plataforma para smartphones baseada em Linux e em Java (mas não
No lado positivo, o Eclipse por muito tempo foi visto como o IDE Java mais adequado a sistemas livres. Isso aconteceu devido a dois fatores:
· A CPL (e depois EPL), licenças open source permissivas e bem aceitas pela comunidade, em especial mais bem aceitas que as licenças da Sun (mesmo a CDDL do NetBeans pré-6.0).
· O uso do SWT, que contornava deficiências do Swing em sistemas livres.
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