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Não esperem perguntas

Henrique Rodrigues
   - 05 abr 2005

texto interessante que recebi de uma professora da faculdade.





Revista Veja, Edição 1898

Qual é o problema?

´Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas, e
não os
que repetem suas melhores aulas´

Stephen Kanitz


Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu
primeiro
dia de pós-graduação em administração. Havia sido um dos quatro
brasileiros
escolhidos naquele ano, e todos nós acreditávamos, ingenuamente, que o
difícil fora ter entrado em Harvard, e que o mestrado em si seria sopa.
Ledo
engano. Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de
oitenta
páginas cada um. O estudo de caso era uma novidade para mim. Lá não há
aulas
de inauguração, na qual o professor diz quem ele é e o que ensinará
durante
o ano, matando assim o primeiro dia de aula. Essas informações podem
ser
dadas antes. Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como
aluno
veio acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das
aulas. O
primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a
empresa gastava boas somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após
ano.
Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando
o
outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a
situação. O
caso terminava ali, e ponto final. Foi quando percebi que estava
faltando
algo. Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no
Brasil. Não havia nenhuma pergunta do professor a responder. O que nós
teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras? Eu, como meus
quatro
colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo ´Deve o presidente
mudar

de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?´. Afinal,
estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do
tipo
´Quem descobriu o Brasil?´. Harvard queria justamente o contrário.
Queria
que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao
longo da
vida. Uma reviravolta e tanto. Eu estava acostumado a professores que
insistiam em que decorássemos as perguntas que provavelmente iriam cair
no
vestibular. Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar
aulas na Universidade de São Paulo, trinta anos atrás, acabei
implantando o
método de estudo de casos em minhas aulas. Para minha surpresa, a
reação da
classe foi a pior possível. ´Professor, qual é a pergunta?´,
perguntavam-me.
E, quando eu respondia que essa era justamente a primeira pergunta a
que
teriam de responder, a revolta era geral: ´Como vamos resolver uma
questão
que não foi sequer formulada?´. Temos um ensino no Brasil voltado para
perguntas prontas e definidas, por uma razão muito simples: é mais
fácil
para o aluno e também para o professor. O professor é visto como um
sábio,
um intelectual, alguém que tem solução para tudo. E os alunos, por
comodismo, querem ter as perguntas feitas, como no vestibular. Nossos
alunos
estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que todas as
questões
do mundo já foram formuladas e solucionadas. O

objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos
é
repeti-las na prova final. Em seu primeiro dia de trabalho você vai
descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil e
não
lhe pagará um salário por isso no fim do mês. Nem vai lhe pedir para
resolver ´4/2 = ?´. Em toda a minha vida profissional nunca encontrei
um
quadrado perfeito, muito menos uma divisão perfeita, os números da vida
sempre terminam com longas casas decimais. Seu patrão vai querer saber
de
você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área.
Bons
administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas, e não os
que
repetem suas melhores aulas.

Uma famosa professora de filosofia me disse recentemente que não
existem
mais perguntas a ser feitas, depois de Aristóteles e Platão. Talvez por
isso
não encontramos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje.
O
maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para
os
problemas errados. Em minha experiência e na da maioria das pessoas que
trabalham no dia-a-dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema,
o que
não é fácil, a solução não demora muito a ser encontrada. Se você
pretende
ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair
arrogantemente ditando respostas. Se você ainda é um estudante,
lembre-se de
que não são as respostas que são importantes na vida, são as perguntas.


Motta
   - 05 abr 2005

´Computadores são inuteis, só dão respostas, não fazem perguntas ?´


Marcelo Saviski
   - 06 abr 2005

Bem legal o texto


Citação:
Revista Veja, Edição 1898


que revistinha velha hein?


Repa
   - 06 abr 2005


Citação:

Citação:
Revista Veja, Edição 1898


que revistinha velha hein?


E até hoje o povo ainda não aprendeu a fazer perguntas :lol:


Motta
   - 06 abr 2005


Citação:
´Computadores são inuteis, só dão respostas, não fazem perguntas ?´


Correto :

´Computadores são inuteis, só dão respostas, não fazem perguntas´

Pablo Picasso.


Marcelo Saviski
   - 07 abr 2005


Citação:

E até hoje o povo ainda não aprendeu a fazer perguntas :lol:


Agora pensei, não seria este o nº da edição? tipo a clube delphi ta na edição 61, essa revista Zóie é o que, semanal? se for então essa edição seria la de quando a revista já tinha uns 35 anos de existencia, ela existe já a tanto tempo?


Beppe
   - 07 abr 2005


Citação:
Agora pensei, não seria este o nº da edição? tipo a clube delphi ta na edição 61, essa revista Zóie é o que, semanal? se for então essa edição seria la de quando a revista já tinha uns 35 anos de existencia, ela existe já a tanto tempo?

KKKKKKKKKKKK

Sei lá, só sei que meu vô assinava há bastante tempo já.


Repa
   - 07 abr 2005

Eu acho que a revista é antiga mesmo. Mas, pensando bem, uns 35 anos não é tão velha assim... :roll: :lol: