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Um dia ruim

Marcelo Saviski
   - 20 ago 2003

Talvez você já tenha visto essa, MAS SE NÃO, LEIA

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Dia de merda.


Quem já teve uma dor de barriga, sabe ...

Aeroporto de Buenos Aires, 15:30 hrs.

Pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada e uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para pegar o ônibus que me levaria para o aeroporto, do outro lado da cidade, de onde partiria o vôo para Córdoba, resolvi segurar as pontas, ´afinal de contas, são só uns 15 minutos de viagem´.

Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta tranqüilo. O avião só sairia as 16:30. Entrando no Ônibus, sem sanitários, senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para meu amigo que me acompanhava e sutil, falei: ´- Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro´.

Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando para meu desespero, uma voz em castelhano disse pelo alto-falante: ´senhoras e senhores, nossa viagem até o aeroporto levará em torno de 1 hora´.

Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem de merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro.

O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado ali. Tentava me distrair vendo a paisagem, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário, tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele.

E o papel higiênico então: era branco e macio e com textura e perfume e - ops! Senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi consternado que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor.
Daqueles que dá vontade de ligar para os amigos e parentes e convida-los a apreciar, na privada, tão perfeita obra: daria para expor na bienal.

Mas sem duvida, não nesse caso. Olhei para meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei sério: ´Cara, caguei´. Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a ficar no centro da cidade, escala que o ônibus faria no meio da viagem, e que me limpasse em algum lugar. Mas resolvi que ia seguir viagem, pois agora estava tudo sob controle.
´Que se dane, me limpo no aeroporto´, pensei, ´pior que isso não fico´.

Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilhas, calças, meias e pés.

E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo à liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte foi do tipo que pesa e eu me caguei pela quarta vez.

Lembrei de um amigo que, certa vez, estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou com as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo, levou metade dos pelos do rabo junto.

Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.

Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas.

Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei:

´Agora chega, né?´. Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela mala da salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o ´check-in´ e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas.

Na mala de mão só tinha um pulôver de lã gola ´V´. A temperatura em Buenos Aires era de aproximadamente 35 graus. Desesperado, comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis.

As cuecas joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei as calças do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meia, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola ´V´ sem camisa.

Mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o ´RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO´ e atravessei todo o corredor até o meu assento ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo.
Eu cheguei a pensar em pedir uma gilete para cortar os pulsos ou 130 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante, mas decidi não pedir e respondi:

´NADA, OBRIGADO, EU SÓ QUERIA ESQUECER ESTE DIA DE MERDA´.


Zergling
   - 26 ago 2003

que situação de bosta hein...hehe...


Jefx
   - 12 set 2003

estou chorando de tanto rir.... minha sexta feira estava mais ou menos, mas ja ganhei o dia hoje,

valeu....


Ljr
   - 12 set 2003

Ums dos poucos textos que me fez rir tanto

:-))


Henry
   - 15 set 2003

:D :D :D Muuuuuuuuuuuuuuitto tesão :D :D :D