Orientação a SOA

Você precisa estar logado para dar um feedback. Clique aqui para efetuar o login
Para efetuar o download você precisa estar logado. Clique aqui para efetuar o login
Confirmar voto
0
 (5)  (0)

Este artigo trata da arquitetura orientada a serviços que, como veremos ao longo do artigo, tem uma abrangência maior do que apenas tecnologia.

Artigo no estilo Curso

Do que se trata o artigo:

Este artigo trata da arquitetura orientada a serviços que, como veremos ao longo do artigo, tem uma abrangência maior do que apenas tecnologia. É preciso mais do que ferramentas para buscar implantar este estilo de arquitetura em um ambiente.


Em que situação o tema é útil:

Este tema é interessante para todo profissional de tecnologia envolvido em arquitetura de integrações, pois invariavelmente poderá enfrentar a tentativa de implantação do estilo orientado a serviços na busca de soluções. Ele também é de alta importância para profissionais de tecnologia mais próximos à área de negócio, já que esta abordagem procura estabelecer eficientemente uma forma de alinhar estas duas áreas.

Orientação a SOA – Parte 1:

Este artigo aborda conceitos, aspectos técnicos e comportamentais envolvidos no estilo de arquitetura orientada a serviços. Explicamos como este termo, latente no mundo da tecnologia há um bom tempo, pode ser compreendido de uma forma teórica, entendendo conceitualmente o porquê de sua existência, buscando origens e razões para tal influência no mercado tecnológico.

A área de tecnologia é naturalmente saturada de acrônimos, tais como: HTTP, TCP/IP, SSL, BPM, EAI, JDBC, RDBMS, JSF, JPA, etc. Esta profusão de termos é o que comumente chamamos de “sopa de letrinhas”. E dentro desta sopa há um acrônimo em especial que vem se destacando como tendência há um bom tempo. Qual profissional de tecnologia que nunca leu ou ouviu comentários sobre SOA? Seja um profissional de TI com formação totalmente técnica ou funcional, estes já leram algum artigo, conhecem em detalhes, praticam, implementam, estudam ou pretendem adotar o desejado SOA. A menos que este profissional de tecnologia estivesse perdido em uma ilha por alguns anos conversando com uma bola de vôlei, definitivamente ele já se deparou com o termo SOA.

Não é simples compreender esta tendência tecnológica, e para aumentar a confusão, existe o habitual conflito de definições entre o plano comercial e o plano técnico quando se referem ao SOA. Esta confusão é provavelmente a de maior nível se comparada a outras tendências tecnológicas. Para a área comercial, este acrônimo é um grande candidato a ser empacotado como um produto e vendido como panaceia para as empresas, por quantias não muito módicas. De qualquer forma, eles estão apenas desempenhando bem o trabalho deles. Porém, a confusão já está estabelecida quando este estilo de arquitetura é oferecido como tecnologia, pois SOA não é tecnologia! De qualquer forma, fica claro que se faz necessário tecnologia para conseguir estabelecer o SOA em um ambiente.

A arquitetura orientada a serviços encoraja a existência de unidades de lógica autônomas, mas que não sejam totalmente isoladas uma das outras. Essas unidades de lógica devem seguir um conjunto de princípios que permitam que evoluam independentemente, e ao mesmo tempo mantenham um nível de padronização e homogeneidade. Essas unidades de lógica em SOA são conhecidas como serviços.

A teoria da separação de responsabilidades (SoC – Separation of Concerns) é baseada em um princípio estabelecido pela Engenharia de Software que promove a decomposição de um grande problema em pequenos problemas, para os quais unidades de lógica correspondentes são construídas. A ideia é poder executar um problema grande e complexo, como um processo de negócio, de forma mais simples e eficiente quando estes problemas são separados em pequenas partes. Cada uma destas unidades de lógica construídas existe de forma independente, e são responsáveis por solucionar um ou mais dos pequenos problemas (responsabilidades) identificados. Esta abordagem está relacionada a uma decomposição funcional, que ocorre na construção dos serviços em um ambiente SOA.

Não há um consenso na literatura para uma tradução em português do princípio de design Separation of Concerns (SoC). As traduções mais comumente encontradas são: Separação de Responsabilidades, Separação de Interesses ou mesmo Separação de Preocupações. No entanto, quer seja responsabilidade, interesse ou preocupação, todos se referem a uma característica ou comportamento de um software.

A história da origem do SOA se confunde com a evolução da arquitetura de software. Esta evolução foi naturalmente induzida através das mudanças que ocorreram com a tecnologia que impactaram e transformaram as ferramentas e a forma de pensar em como conceber uma estrutura de software alinhada ao objetivo de sustentar e apoiar a automação de um negócio eficientemente. Esta evolução gradual da arquitetura ainda se encontra em curso, tal qual um organismo em busca de sua melhor adaptação ao ambiente. Assim, neste artigo vamos abordar como o SOA foi de forma natural sendo concebido durante a evolução da tecnologia, da arquitetura de software, e da busca de uma abordagem mais eficaz para a realização de soluções que atendam a área de negócio.

A evolução da Arquitetura de Software

Logo no nascimento da tecnologia, quando começaram a serem construídas as primeiras soluções automatizadas, a construção de software era tão simples que a tarefa de abstração e definição de sua arquitetura era raramente realizada.

Com o surgimento das aplicações multicamadas, as variações com as quais estas soluções poderiam ser concebidas começaram a crescer exponencialmente. Departamentos de tecnologia responsáveis pela construção começaram a se preocupar e a reconhecer a necessidade da criação de um modelo de aplicação que poderia servir como base para todas as outras. Este modelo poderia definir a natureza das aplicações, como: tecnologia, padrões, regras, limitações e características de design que seriam aplicáveis a todas as soluções baseadas neste template. Isto marcou o nascimento da arquitetura de aplicação, também conhecida como arquitetura de software.

O nível de controle da arquitetura de aplicação pode ser diferente dependendo de cada corporação. Algumas mantêm um nível mais alto, provendo abstrações físicas e lógicas de um modelo de desenvolvimento, enquanto outras incluem informações mais detalhadas, como modelos de dados, diagramas de fluxos de comunicações e requisitos de segurança. Este modelo mais detalhado e específico pode ser mais comum em empresas que adotam diferentes especificações de tecnologias, como Java EE e .Net. Por esta razão, quando existir mais de uma especificação de arquitetura de aplicação dentro de uma organização, existe a necessidade de manter o alinhamento através da governança estabelecida pela arquitetura corporativa.

Arquitetura Client-Server em uma camada

O início da utilização da computação para automação de processos aconteceu por meio dos grandes computadores, os mainframes. E com eles, a origem da arquitetura, onde todos os aspectos (apresentação, regras de negócio e dados) se localizavam na mesma camada. O mainframe servia a thin-clients, clientes que não possuíam qualquer responsabilidade, máquinas popularmente conhecidas como “terminais-burros”. Seu único papel era possibilitar o acesso ao mainframe, representando a única camada que detinha todas as responsabilidades. Esta abordagem arquitetônica está ilustrada na Figura 1.

Figura 1. Arquitetura Client-Server de uma camada no início da computação com mainframes.

Esta arquitetura Client-Server foi gradativamente sendo abandonada quando uma variação da mesma em duas camadas surgiu no final dos anos 80.

Arquitetura Client-Server em duas camadas

Esta nova forma de design introduziu o conceito de delegação de responsabilidades para as estações cliente. Responsabilidades como processamento de lógica foram atribuídas para o lado do cliente, nascendo então o fat-client, também conhecido como thick-client. Estes são os clientes mais robustos, incorporados de mais responsabilidades dentro da abordagem de arquitetura.

Nesta arquitetura os clientes (fat-clients) possuem uma responsabilidade maior quanto ao processamento da lógica de aplicação e apresentação. As estações cliente foram impulsionadas principalmente pelo avanço da interface gráfica do usuário (GUI – Graphical User Interface). Este tipo de cliente dominou o mundo de TI no início da década de 90. Na Figura 2 é ilustrada a estrutura em duas camadas para este modelo.

Figura 2. Arquitetura Client-Server em duas camada na evolução da arquitetura de software.

A configuração comum desta arquitetura consistia em múltiplos fat-clients, cada um deles possuindo sua própria conexão de dados com o servidor central. O servidor, por sua vez, detinha escaláveis sistemas de RDBMs (bases de dados relacionais) com alguma lógica de aplicação. Este tipo de arquitetura de software é caracterizado por aplicações monolíticas que controlam e definem a forma como o usuário interage com as aplicações.

Uma das desvantagens desta arquitetura era a existência de uma conexão de base de dados por usuário. Conexões de base de dados eram dispendiosas por natureza, e causavam uma latência de processamento aos usuários. Além disso, as aplicações do lado do cliente tendiam a ser robustas e oneravam com um pesado processamento e armazenamento das regras da aplicação as suas estações de trabalho. Havia ainda a dificuldade de manutenção tanto evolutiva como corretiva, pois todas estas estações deveriam ser individualmente atualizadas no caso de uma necessidade de manutenção.

Outra característica desta arquitetura de aplicação monolítica é a transferência de parte da lógica de aplicação para a base de dados, inserida em Stored Procedures e Triggers, e isto criava um alto acoplamento da solução com a tecnologia.

Arquitetura Client-Server em múltiplas camadas

O próximo passo da evolução da arquitetura em resposta aos custos e limitações com a Client-Server em duas camadas, foi a criação de múltiplas camadas na divisão das responsabilidades, caracterizando ainda mais um modelo distribuído. Juntamente com esta inovação, o conceito de aplicações baseadas em componentes chegou ao mundo da arquitetura de sofware, quebrando em partes as aplicações monolíticas, formando componentes compatíveis com o paradigma da orientação a objetos.

A distribuição da lógica de aplicacão em múltiplos componentes (alguns no cliente, outros no servidor) facilitou o processo de instalação, centralizando grande parte da lógica nos servidores. Componentes de servidores agora se localizam em Servidores de Aplicação dedicados, que têm a missão de controlar e disponibilizar recursos, como por exemplo, o pool de conexões com a base de dados, aliviando a oneração da criação e acesso concorrente a estes objetos. Desta forma, uma única conexão poderia facilmente servir a múltiplos clientes. A Figura 3 representa graficamente esta nova evolução de arquitetura.

Figura 3. Arquitetura Client-Server em múltiplas camadas, o advento da componentização.

Como sempre, as vantagens vêm acompanhadas com desvantagens, e aplicando este modelo de arquitetura, alguns problemas foram resolvidos, mas outros surgiram. O custo neste caso foi o aumento da complexidade, que impactava o desenvolvimento, implantação e administração das aplicações. Ao invés da comunicação distribuída via conexão com a base de dados, surgiram novos meios de comunicação conhecidos como RPC (Remote Procedure Call), tais como CORBA e DCOM. Estas tecnologias possibilitaram a comunicação remota entre os componentes que residiam nos servidores e estações cliente.

Este modelo de arquitetura em múltiplas camadas se caracteriza pelo surgimento da camada do meio, comumente denominada como middleware. Assim, o esforço de manutenção se elevou, e servidores de aplicações ganharam significativamente mais atenção e relevância em ambientes maiores.

Até esse momento, as tecnologias da Web ainda não faziam parte desse tipo de arquitetura. Foi no final da década de 90 que estas tecnologias se tornaram mais viáveis e começaram a ser incorporadas em soluções que seguiam a arquitetura Client-Server em múltiplas camadas.

O evento mais significante foi a substituição dos componentes de softwares customizados das estações cliente por navegadores (browsers). Este evento, além de mudar e limitar radicalmente o design da interface de usuário, moveu praticamente 100% da lógica de aplicação para o servidor.

Arquitetura Web distribuída

Esta arquitetura apresenta praticamente a mesma estrutura da arquitetura anterior, porém, com o advento das tecnologias Web, as camadas foram impactadas gerando alterações quanto à responsabilidade contida em cada uma. Isso alterou a abordagem realizada na estruturação do software. Na Figura 4 podemos verificar como ficou esta estruturação.

Figura 4. Arquitetura Web distribuída, o início do uso das tecnologias de Internet na arquitetura.

Com este novo modelo houve a introdução de um novo componente importante e bem conhecido, o Servidor Web, que poderia formar, por si só, uma camada. Isto mudou a comunicação entre servidores e estações cliente, passando de protocolos RPC proprietários (CORBA, DCOM) para o protocolo da World Wide Web, o conhecido HTTP. O protocolo RPC se tornou mais utilizado na comunicação entre servidores Web remotos e Servidores de Aplicação.

Com exceção de algumas tecnologias proprietárias que estendem as funcionalidades dos navegadores, a maioria das soluções deste modelo de arquitetura coloca toda a lógica da aplicação no lado do servidor. Até mesmo as regras de apresentação escritas em linguagens como JavaScript residem no servidor, e são baixadas para o usuário na primeira requisição HTTP, centralizando toda a solução no servidor.

A ênfase maior deste modelo de arquitetura está em definições tais como:

• Estruturar como a aplicação vai ser particionada;

• A responsabilidade de cada uma destas partições, e;

• De que forma elas irão interagir entre si.

Em uma perspectiva estrutural, a arquitetura web distribuída é muito semelhante à arquitetura orientada a serviços. Por exemplo: a lógica é provida pelo servidor e se encontra segmentada em componentes lógicos. A diferença está nos princípios estabelecidos. Para compor a arquitetura web distribuída, a solução se restringe nas três definições anteriormente enfatizadas, enquanto que no SOA há mais considerações a serem abordadas, como todos os princípios que definem a criação de serviços que permitam um ambiente ser orientado por eles.

Do final da década de 90 até a metade da primeira década dos anos 2000, a arquitetura web distribuída representou de fato a arquitetura padrão para o desenvolvimento de soluções corporativas.

"

A exibição deste artigo foi interrompida :(
Este post está disponível para assinantes MVP

 
Você precisa estar logado para dar um feedback. Clique aqui para efetuar o login
Receba nossas novidades
Ficou com alguma dúvida?