Para onde vão os Sistemas Operacionais móveis?

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Neste artigo discutiremos uma questão importantíssima na área de mobilidade: Quais são os sistemas operacionais existentes para dispositivos móveis e qual o futuro deles.

 

Olá pessoal!

 

Neste artigo discutiremos uma questão importantíssima na área de mobilidade: Quais são os sistemas operacionais existentes para dispositivos móveis e qual o futuro deles. A importância deste tema para desenvolvedores de aplicações móveis se dá porque, em geral, uma aplicação desenvolvida para um SO (Sistema operacional) não roda em outro. Antes que você contra-argumente com Java (J2ME, etc.), gostaria de ressaltar que falei “em geral”, mas não “em absoluto”, e além disso, na prática, aplicações em Java para dispositivos móveis demandam, sim, no mínimo, uma série de ajustes entre um SO e outro.

 

Bem, como o desenvolvimento de uma aplicação normalmente envolve um bom tempo e dinheiro, não é nada interessante perceber que esta aplicação, depois de pronta, terá sua distribuição/comercialização prejudicada por que o Sistema Operacional para o qual ela foi desenvolvida não terá uma vida útil tão grande ou não tem um mercado muito amplo. Por isso, é importante saber qual a penetração de mercado do SO escolhido, e qual a sua tendência para o futuro.

 

Além disso, aspectos técnicos também contam. O SO escolhido oferece os recursos necessários pela sua aplicação? Como exemplo, podemos citar as redes de telefonia celular 3G (recurso) e o PalmOS, que em sua versão mais atual não oferece suporte a esta tecnologia. Então, se você for desenvolver uma aplicação que necessite desta tecnologia, não poderá escolher o PalmOS como sistema operacional, pelo menos por enquanto.

 

Agora que já vimos a importância do SO para o desenvolvimento de uma aplicação, vamos discutir sobre alguns deles com mais detalhes.

 

PalmOS

 

Desenvolvido há mais de 10 anos, foi o primeiro SO para dispositivos móveis a se popularizar, chegando a quase 90% do mercado mundial de palmtops nos tempos áureos. Possui hoje uma base de quase 30.000 aplicativos desenvolvidos para ele. Tecnicamente, apesar de dar conta de várias demandas básicas, tem deixado a desejar em questões mais sofisticadas, como multitarefa ou recursos de segurança avançados (normalmente requeridos por aplicações corporativas ou mais avançadas, como as da área de diagnóstico médico ou geoprocessamento). Faz mais de dois anos que o PalmOS não ganha uma nova versão (muito provavelmente por limitações técnicas do próprio SO), e isto faz com que ele não acompanhe as mais recentes tecnologias. Recentemente a unidade responsável pelo SO foi adquirida pela empresa chinesa Access, que pretende mudar o kernel do PalmOS para Linux, mas não devemos ver os primeiros dispositivos antes de 2008. Com relação a custos de dispositivos, o PalmOS sempre foi conhecido por seu baixo custo, mas neste quesito, não há mágica: dispositivos de baixo custos oferecem poucos recursos. Tanto é que os modelos mais recentes – a saber, Tungsten, Zire 71/72, Treo e LifeDrive – possuem valores iguais ou talvez até maiores do que seus concorrentes. Inclusive, a própria Palm considera o único modelo de baixo custo que ainda possui (Zire 22) apenas como um modelo introdutório para usuários que estão iniciando na plataforma.

 

Futuro: A base instalada de palmtops PalmOS no mundo todo é ainda muito expressiva, e isto é um fator positivo do SO. A existência de uma fábrica no Brasil faz com que o mercado brasileiro seja ainda bastante atraído pela plataforma, devido ao marketing. Por outro lado, a baixa participação nas vendas mundiais, a escassez de recursos corporativos ou mais sofisticados, e a incerteza com relação a novas versões trazem insegurança para os desenvolvedores.

 

Em resumo: Escolha PalmOS para aplicações mais simples, com ciclo de desenvolvimento curto e barato. Aplicações não corporativas, voltadas para o público em geral podem ser uma boa pedida, devido à base instalada.

 

Windows Mobile

 

Conhecido anteriormente por Pocket PC, o Windows Mobile ganhou este nome quando a Microsoft lançou uma nova versão deste SO cujo kernel servia tanto para palmtops (Pocket PCs) quanto para celulares (Smartphones). Desta forma, tornou-se possível criar aplicativos que rodam em ambas as plataformas sem alteração alguma, apesar de que esta estratégia não permite desenvolver aplicativos muito complexos, pois as interfaces gráficas das duas plataformas são bastante distintas entre si (uma possui tela sensível ao toque e a outra não, por exemplo). O SO Windows Mobile é hoje campeão de vendas mundial, apesar de o mercado brasileiro ainda não refletir isto. De toda forma, é o SO que mais vem crescendo em vendas desde 2001, e a tendência é continuar crescendo. Tecnicamente, o Windows Mobile é recheado de recursos multimídia, corporativos e de segurança. No mercado mundial, os aparelhos mais populares já vêm com GSM/GPRS, WI-FI, Bluetooth, Infravermelho, GPS, etc. Para o desenvolvedor de soluções de mobilidade, é um paraíso, tanto por causa dos recursos abundantes quanto por conta das ferramentas de desenvolvimento. No quesito custo, o Windows Mobile está bem mais atraente do que há anos atrás. Podemos dizer, inclusive, que custo não chega a ser mais barreira para esta plataforma, e isto é um dos motivos pelo qual a mesma está se popularizando cada vez mais.

 

Futuro: O futuro do Windows Mobile é bastante promissor, pois a força da Microsoft no mercado mundial é muito grande, e, idealismos à parte, para o desenvolvedor o que conta é a estabilidade do SO em médio/longo prazo. A Microsoft já está planejando o lançamento do Windows Mobile 6.0 ainda este ano, e do 7.0 em 2008. Mas todos eles são compatíveis entre si e um aplicativo desenvolvido para o SO na versão atual muito provavelmente roda nas versões futuras, como é padrão da Microsoft. Além disso, há a questão de desenvolvimento para PDAs e Celulares com o mesmo código, ou pelo menos no mesmo ambiente, o que é bastante prático em algumas ocasiões.

 

Em resumo: O Windows Mobile é um SO muito robusto, seguro e cheio de recursos. Excelente pedida para aplicações corporativas e/ou que exijam recursos sofisticados de hardware e software. Aplicações desenvolvidas para este SO terão uma vida útil bastante longa, no que depender do SO. Por outro lado, aplicativos desenvolvidos para o público geral talvez ainda não tenham tanta aceitação no Brasil porque esta plataforma ainda está se estabelecendo por aqui (mas a passos rápidos).

 

Symbiam

 

O Sistema Operacional Symbiam é pouco conhecido no Brasil, mas é campeão de vendas na Europa. Desenvolvido por um consórcio de gigantes de telecom liderado pela Nokia, é bastante robusto e funcional. Na prática, só é popular na Europa, sendo pouco expressivo no restante dos continentes, e isto torna o desenvolvimento de aplicações para este SO no Brasil um tanto desanimador. Aqui no Brasil o aparelho mais “popular” com este SO talvez tenha sido o Nokia Communicator (http://www.nokiausa.com/phones/9290), mas o seu alto custo não ajudou a venda do mesmo. Inclusive, custo alto é padrão para os aparelhos com este SO. Talvez este cenário mude, pois a Nokia lançou (inclusive no Brasil) o modelo E62 com bons recursos e a um custo muito interessante.

 

Futuro: O Symbiam está ai para ficar. Já tem um bom tempo de estrada, e tende a prosseguir, apesar de sua pouca expressão fora da Europa. Este fato parece estar mudando lentamente, mas sua popularização no Brasil vai depender da continuidade de modelos de baixo custo, como o E62, e de investimentos em marketing.

 

Em resumo: Acredito que o Symbiam atualmente só se aplica a certos nichos de mercado no Brasil, devido a sua pouca popularidade atual. Porém este SO é bastante interessante, e não custa nada ficar de olho em sua evolução em nosso País.

 

Linux

 

Linux, como sempre, está em todas. Pra não fugir à regra, está em dispositivos móveis também. Entretanto, não tem muita representatividade no mercado mundial (talvez “ainda” – quem sabe??). Talvez o maior problema para sua popularização seja a falta de um “padrão”, que, no mundo de dispositivos móveis (e no mercado de TI em geral), faz toda a diferença. Por isso um grupo de empresas está tentando criar um padrão chamado “Mobile Linux”, que se propõe a resolver esta questão e tornar o Linux mais popular em dispositivos móveis. Todo desenvolvedor antenado conhece os pontos fortes e fracos do Linux (mesmo que não desenvolva para ele), por isso não vou me ater a detalhes técnicos neste artigo, mas posso resumir que é um bom SO para se desenvolver. Em termos de custo, os poucos dispositivos existentes tem custo razoável. Existem até alguns modelos disponíveis no Brasil, fabricados pela Motorola (http://forumpcs.com.br/review.php?r=197408), mas, como no restante do mundo, tem pouca representatividade por aqui.

 

Futuro: O futuro do Linux como SO móvel vai depender de sua padronização e também de marketing. Mas, se estas coisas ocorrerem, teremos um competidor realmente de peso nesta disputa de Sistemas Operacionais. Também vale a pena ficar de olho.

 

Em resumo: Por enquanto, este SO só se aplica a pequenos nichos também, devido a sua baixa popularidade. Isto pode mudar em médio prazo, e, com isso, as possibilidades de desenvolvimento podem se ampliar para esta plataforma.

 

BlackBerry

 

O SO BlackBerry veio correndo por fora no mercado americano, e surpreendeu tanto a Microsoft quanto a PalmOS, chegando a liderar as vendas em 2006 naquele mercado, ancorado na máxima do “push mail” (recebimento do e-mail no dispositivo assim que é recebido pelo servidor de e-mails). E bateu tanto nesta tecla, que ainda hoje parece que só ele faz isto, enquanto tanto o Windows Mobile quanto o PalmOS já o fazem atualmente. Inclusive, seu foco principal realmente ainda é e-mail. Do ponto de vista de desenvolvimento de aplicações, ainda é muito pouco explorado, talvez devido ao pouco tempo de mercado mesmo, e isto faz com que existam poucas APIS e ferramentas para tal. No Brasil, está surgindo com uma boa expressividade, ainda se segurando na onda que surgiu nos EUA. O custo dos dispositivos é atraente.

 

Futuro: Ainda é cedo para sabermos o futuro do BlackBerry. Ele pode ser apenas uma “febre”, ou se consolidar como forte competidor. Só o futuro vai dizer, mas isso depende principalmente de mudanças no marketing (para deixar de considerarem ele um “celular que lê e-mails” apenas) e de ferramentas de desenvolvimento apropriadas.

 

Em resumo: No Brasil, ainda é usado por nichos, e caso resolva desenvolver para ele, escolha um nicho para atacar. Fique de olho em sua evolução, pois esta pode ser uma plataforma que pode se popularizar em longo prazo.

 

amsomfig01.JPG
Fonte: http://www.informationweek.com/software/showArticle.jhtml?articleID=196902226

 

A figura acima resume a penetração dos SOs móveis no mercado corporativo americano, e dá uma boa noção também do que está acontecendo (ou vai acontecer) no mundo. Aqui no Brasil, a maior fatia ainda está com a PalmOS, mas isto está mudando rapidamente, com o Windows Mobile penetrando fortemente nas empresas, devido à falta de recursos do PalmOS. O BlackBerry está muito forte nos EUA, mas dificilmente vai conseguir isto em outras partes do mundo em curto tempo.

 

A idéia deste artigo não era dizer ao leitor qual o melhor ou o pior SO para mobilidade, mas dar subsídio para o mesmo decidir a melhor plataforma dentro do seu próprio contexto de negócios e de conhecimento técnico. Espero ter atingido este objetivo, e que você, leitor, tome sua decisão de forma consciente e confiante. Boa sorte!

 

Para ilustrar um pouco mais da comparação entre Sistemas Operacionais móveis e também alguns dispositivos, clique em:

http://www.informationweek.com/software/showArticle.jhtml?articleID=196902226

http://www.informationweek.com/1112/ID_chart.jhtml

http://www.informationweek.com/1122/ID_chart.jhtml

 

 

Um abraço,

 

Aderval Mendonça

 
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