Não há mais dúvidas de que a indústria de software é uma das
mais importantes atualmente. O mercado brasileiro de software e serviços de TI,
segundo o último relatório da ABES [9], é de US$ 19 bilhões e cresce de 25% a
30% ao ano desde 2004. Porém, grande parte do software produzido ainda é
defeituoso, inadequado aos desejos do cliente, entregue fora do prazo e acima
dos custos esperados.
Observando esses e muitos outros problemas, há mais de 10 anos,
17 profissionais da área escreveram e assinaram um manifesto: o manifesto para
desenvolvimento ágil de software. Neste, todos concordaram com alguns valores
comuns, dentre eles:
·
As metodologias ágeis concentram-se nas pessoas
envolvidas na produção;
·
Os planejamentos em longo prazo são falhos;
·
É mais importante aceitar e adaptar-se a
mudanças do que seguir planos rígidos;
·
Software funcionando é o melhor indicador de
progresso nos projetos de software.
Tendo como base grande parte dos
princípios desse manifesto, bem como a filosofia Lean do Sistema Toyota de
Produção (TPS – Toyota Production System), surgiu o Kanban para Desenvolvimento
de Software.
A filosofia Lean tem como objetivo a constante identificação
e a eliminação de qualquer espécie de desperdício no sistema de produção.
A história do Kanban para desenvolvimento de software, assim
como a história da grande maioria das metodologias, modelos de maturidade,
processos de desenvolvimento e processos em geral, começa com um grande desejo,
muitas ideias, testes (na prática) e diversos ajustes (o método “científico”)
até atingir os primeiros casos de sucesso.
A principal diferença do Kanban para as demais metodologias de
desenvolvimento de software atuais é que ele foi um modelo adaptado de outra
indústria, a de manufatura, mais especificamente da Toyota. David Anderson [1]
foi o grande responsável por essa adaptação.
A história começa em 2002, quando Anderson, cansado de ver
equipes de desenvolvimento e departamentos inteiros de TI à mercê de outros departamentos, decide
voltar seus esforços
para responder a duas perguntas [1]:
1.
Como proteger a
minha equipe da demanda incessante de negócio e alcançar o que a comunidade ágil chama de ritmo
sustentável?
2.
Como
adotar uma abordagem ágil em toda a empresa e superar inevitáveis resistências
à mudança?
Como cita em seu último livro, Kanban:
Successful Evolutionary Change for Your Technology Business [1], publicado em
2010, Anderson tinha um grande desejo: encontrar no setor de TI uma relação “ganha-ganha”
entre o departamento de negócio e as equipes de desenvolvimento de software e
TI.
Na tentativa de
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