TV DIGITAL no Brasil – Parte 03

Você precisa estar logado para dar um feedback. Clique aqui para efetuar o login
Para efetuar o download você precisa estar logado. Clique aqui para efetuar o login
Confirmar voto
0
 (0)  (0)

Neste artigo falaremos sobre a funcionalidade e o padrão GEM de Middleware.

TV DIGITAL no Brasil – Parte 03

 

Por: Rodrigo Junqueira de Oliveira

A Funcionalidade do Middleware

 

O objetivo principal do middleware é prover um conjunto de ferramentas para possibilitar a interoperabilidade entre sistemas de transmissão de vídeo para vários tipos de mídias de transmissão incluindo satélites, cabos, redes terrestres e microondas. Este conjunto de ferramentas também compreende serviços interativos usando diferentes tipos de canais de retorno e suporte a outras funcionalidades como informação dos serviços (SI -Service Information) entre outras.

 

Além disto, é interessante que o middleware adicione uma solução tecnológica para o terminal de acesso a fim de possibilitar a recepção e execução de aplicações em um framework independente do desenvolvedor e da emissora. Esta independência deve incluir cenários que consideram a infra-estrutura legada. Aplicações de vários provedores de serviço podem interoperar com diferentes implementações do middleware em um mercado horizontal, onde aplicações, redes e terminais de acesso podem tornar-se disponíveis por diferentes provedores.

 

As aplicações a serem executadas no middleware em geral podem ser classificadas em duas categorias, dependendo de que o conteúdo processado na aplicação seja de natureza declarativa ou procedural [5]. Um exemplo de aplicação declarativa é um documento multimídia, composto de símbolos de marcação, regras de estilo, scripts, imagens posicionadas sob o documento, áudio e vídeo. Um exemplo de aplicação procedural é um programa JavaTV (Xlet) compilado em byte code Java, em conjunto com outros elementos multimídia como gráficos, áudio e vídeo.

Para processar as aplicações, é necessário que o middleware possua um ambiente de aplicações que também possa ser de natureza declarativa ou procedural, conforme o tipo de aplicações processado. Um exemplo de um ambiente de aplicações declarativas é um navegador de documentos multimídia, também conhecido como agente de usuário (user agent). Um exemplo de ambiente de aplicações procedural é uma Máquina Virtual Java (JVM – Java Virtual Machine) e as suas implementações de APIs (Application Programming Interface).

 

No seu nível básico, o middleware possui um software que acessa o fluxo de streams de áudio, vídeo e dados, faz o roteamento dos streams para um dispositivo de saída (monitor) ou o armazenamento de dados, em um dispositivo de recepção, no caso STB, se este for provido de disco rígido.

 

O middleware recebe dados dos dispositivos de entrada (controle remoto/teclado) do usuário e envia saídas para a tela da televisão e para as caixas de som, além de fazer a comunicação com entidades remotas por meio de um canal de retorno.

Os padrões de middleware podem ser divididos em três categorias (SUN Microsystems):

  • Baseados em HTML, Javascript e CSS (Cascade Style Sheet), que é definida pelo padrão ATVEF (Advanced Television Enhacement Fórum).
  • Tecnologias proprietárias como Open TV e WebTV.
  • Java TV, que é vista como a tecnologia da nova geração no que se refere a desenvolvimento de conteúdo para TV interativa.

O middleware foi desenvolvido para padronizar aplicações e tornar irrelevantes certas particularidades do hardware, no entanto, para cada sistema de televisão digital, existe um middleware diferente. Para os produtores de conteúdo, isto implica ter de dispor de diferentes versões da aplicação para cada uma das plataformas de middleware. Isto eleva os custos do processo de produção, uma vez que é sobre a tecnologia do middleware que é implementada a maioria das aplicações para TV digital interativa. Uma tendência é harmonizar diferentes middleware em um único padrão.

 

O Padrão GEM de Middleware

 

O MHP – Multimídia Home Plataform foi desenvolvido pelo DVB – Digital Vídeo Broadcasting, padrão europeu de TV digital, como o primeiro padrão aberto para a TV interativa. É um ambiente que define uma interface básica entre as aplicações digitais interativas e os terminais de recepção, nos quais as aplicações são executadas [8].

 

O MHP foi originariamente projetado para rodar nas plataformas que utilizam o padrão DVB de TV digital. Com a expansão do uso do middleware europeu, surgiram iniciativas para sua implementação em outras plataformas como forma de aproveitar aplicações desenvolvidas para diferentes sistemas. Esta demanda originou o GEM –Globally Executable MHP, uma estrutura que permite a outras organizações definirem especificações baseadas em MHP [8].

 

Uma destas especificações é o OCAP - Open Cable Application Plataform, plataforma de TV a cabo adotada nos Estados Unidos. No OCAP, as especificações do DVB, que não são usadas no ambiente de TV a Cabo norte-americano, foram retiradas e substituídas por seus equivalentes funcionais, conforme especificações do GEM.

 

A produção de conteúdo tornaria viável a portabilidade de produtos gerados para OCAP que, com pequenas mudanças, poderia adaptá-los ao padrão ACAPAdvanced Cammon Aplication Plataform, ou MHP e demais plataformas, que constituíram o padrão GEM como o ARIB B23, que está sendo desenvolvido em torno do GEM.

 

O GEM não é uma especificação completa para terminais de acesso, mas sim estrutura de suporte definida em que outra implementação de middleware pode ser instanciada. Pode-se dizer que o GEM é um padrão ao qual implementações existentes devem se adaptar para obter uma conformidade que garanta a execução global de aplicações.

 

O padrão GEM deverá tornar-se a solução futura para padrões de middlewares e prevê mudanças para adicionar funcionalidades a fim de sustentar aplicações padrão HTML, ou seja, estabelecer um padrão para middlewares declarativos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

[5] LEITE, L. E. C., et al. FlexTV – Uma Proposta de Arquitetura de Middleware para o Sistema Brasileiro de TV Digital (FlexTV – a Middleware Architecture Proposal for the Brazilian Digital TV System). In: Revista de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais, v. 2, pp 29-50, 2005;

[8] DVB Document A103 – Globally Executable MHP (GEM) Specification 1.1. DVB Bluebook, 2007. Disponível em http://www.mhp.org/mhp_technology/gem/a103r1.tm3567r1.GEM1.1.1.pdf acesso em junho de 2008;

 



 
Você precisa estar logado para dar um feedback. Clique aqui para efetuar o login
Receba nossas novidades
Ficou com alguma dúvida?