Artigo WebMobile 9 - Introdução a BREW

Artigo Originalmente publicado na WebMobile 9.

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Introdução a BREW

Do modelo de negócio a ferramentas de desenvolvimento

A tecnologia BREW (Binary Runtime Environment for Wireless), desenvolvida pela QUALCOMM Internet Services (QIS) (ler Nota 1), é uma plataforma ponta a ponta de desenvolvimento de software para dispositivos wireless.

Por ser uma plataforma ponta a ponta, BREW não pode ser definido apenas como uma linguagem de programação ou ambiente de desenvolvimento, mas como um conjunto de ferramentas e regras de negócio que oferecem apoio não só aos desenvolvedores, mas a outros segmentos do processo de criação e distribuição de aplicações para dispositivos móveis. Com isso, a tecnologia BREW atinge transversalmente a cadeia de valores no mercado de desenvolvimento para dispositivos móveis, ou seja, desenvolvedores de aplicações, fabricantes de handsets e operadoras de telefonia móvel, disponibilizando soluções integradas para cada um desses segmentos (Figura 1). É exatamente essa abrangência na cadeia de valores que diferencia o BREW das tecnologias existentes, pois fornece uma plataforma integrada que contempla ferramentas para o desenvolvimento, configuração de dispositivos, distribuição e diversas formas de cobrança sobre aplicações utilizadas pelo usuário.

A linguagem utilizada no desenvolvimento das aplicações é C, porém um subconjunto da linguagem C++ pode ser utilizado. Como essas linguagens estão bastante difundidas na indústria de software, principalmente no desenvolvimento de aplicações para sistemas embarcados, o aprendizado da tecnologia BREW torna-se mais simplificado.

Outro fator de destaque da tecnologia é o desempenho de execução das aplicações desenvolvidas, que é muito superior ao de aplicações escritas em J2ME, tornando-a ideal para aplicações que exijam muito processamento, como jogos.

Atualmente, a plataforma BREW está presente em mais de 200 modelos de handsets de 40 fabricantes diferentes, dentre eles: Nokia, Motorola, Samsung e Sony Ericsson. São 60 operadoras em 29 países que utilizam o modelo de negócios da Qualcomm movimentando mais de 350 milhões de dólares ao ano. Fica claro então que é um nicho de mercado que não pode ser ignorado pelos desenvolvedores de aplicações móveis.

Neste artigo serão descritos: o modelo de negócio BREW, como a plataforma está estruturada, ferramentas necessárias para o início do desenvolvimento bem como sua integração com a plataforma J2ME da Sun Microsystems.

 

 

Figura 1. Interação das duas plataformas com cada participante da cadeia de valores.

 

Nota 1. A Qualcomm e a Tecnologia CDMA

A Qualcomm é criadora da tecnologia CDMA e seus aperfeiçoamentos (CDMA 200, WCDMA, etc.), além de ser a principal fornecedora de equipamentos para redes CDMA. Como criadora, ela possui a propriedade intelectual sobre boa parte do que é produzido relacionado a essa tecnologia (protocolos, estrutura de hardware, chips de celular, etc.) e cobra royalties de quem deseja utilizá-la (normalmente 5% dos ganhos com o produto). Logo, um fabricante que deseja trabalhar com CDMA já está preso a Qualcomm mesmo que não trabalhe com BREW. Essa não é uma discussão nova e sempre vem à tona quando se compara o padrão GSM ao CDMA. O grande detalhe que é colocado de lado é que o padrão GSM também cobra royalties por sua utilização (de 12% a 15%) de toda empresa que não participa do pool que desenvolveu o padrão. Outra questão é que, quando se fala em desenvolvimento para tecnologia CDMA, obrigatoriamente falamos em BREW. Existe a possibilidade de desenvolver em J2ME, porém é uma tecnologia que ainda precisa amadurecer muito para handsets CDMA.

Modelo de negócio BREW

Como já foi dito anteriormente, um grande diferencial da tecnologia BREW é o modelo de negócios proposto, ou seja, como a Qualcomm trata cada um dos usuários de BREW, o que ela provê para seus desenvolvedores, fabricantes de handsets, operadoras de telefonia e para o usuário final da aplicação. Através desse modelo é possível identificar como a Qualcomm ganha dinheiro com seus produtos e serviços, e também qual o retorno que cada usuário dessa cadeia obtém ao utilizar essa tecnologia. " [...] continue lendo...

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