Este é um post disponível para assinantes MVPAcessibilidade em Java - Revista Java Magazine 96
Neste artigo, é apresentada uma introdução à acessibilidade digital e às principais dificuldades enfrentadas por portadores de deficiência no uso de software. Em seguida, mostraremos como desenvolver aplicações desktop e web acessíveis, principa
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Muitos desenvolvedores de software planejam e implementam seus sistemas tendo em mente usuários não portadores de qualquer tipo de deficiência. Isso acaba criando diversos obstáculos e barreiras para os usuários que se encontram no grupo desconsiderado.
No Brasil, segundo dados do Censo 2000, cerca de 24,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de algum tipo de deficiência: mental, física/motora, visual e auditiva. A seguir, são apresentados mais detalhes sobre o resultado da pesquisa realizada pelo IBGE.
Deficiência segundo o Censo 2000
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), deficiência é o substantivo atribuído a
qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica,
fisiológica ou anatômica. As deficiências são geralmente classificadas em
quatro tipos, além de um que trata da ocorrência de deficiências múltiplas:
mental, física/motora, visual, auditiva e múltipla.
Em 2000, cerca de
24,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de alguma deficiência. Este
número correspondia a 14,5% da população total. Na Tabela 1, os resultados do Censo pelos tipos de deficiência são
apresentados.
Como algumas
pessoas declararam possuir mais de um tipo de deficiência, quando somadas as
ocorrências de deficiências, o número é maior do que 24,6 milhões, que
representa o número de pessoas, não de ocorrências de deficiência.
Embora alguns sites citem que o Censo 2010 estimou o número de deficientes em 25 milhões, os autores do artigo acreditam que se trata de uma confusão com o Censo 2000, uma vez que não foram encontrados dados oficiais no site do IBGE sobre os resultados da última pesquisa.
Barreiras e obstáculos no uso de software
Para auxiliar o leitor na compreensão das dificuldades encontradas por portadores de necessidades especiais no uso de software, sugerimos uma reflexão para um tipo específico de deficiência: a visual. Existe uma brincadeira que as crianças costumam fazer em ambientes escuros ou utilizando uma venda nos olhos, chamada cabra-cega.
Se você nunca brincou, o que duvidamos muito, segue uma breve explicação – há que se ressaltar que existem variações da brincadeira. Um dos jogadores é vendado – a cabra-cega – e deve procurar os outros jogadores e, por meio do tato – e talvez olfato –, identificá-los. Caso ele tenha sucesso, a pessoa identificada assume o seu lugar. Caso contrário, ele deve continuar procurando.
A cabra-cega só conseguirá identificar algum dos outros jogadores se tiver informações não visuais suficientes – ou pela sorte de um “chute” certeiro. O mesmo acontece para que portadores de deficiência visual consigam usar um software. Se não forem fornecidas informações não visuais suficientes, será impossível utilizá-lo.
Imagine um site de compras online no qual o menu de opções tenha sido criado com imagens, não com texto, e que os nomes das imagens do menu sejam: op1.jpg, op2.jpg e op3.jpg. Quando um portador de deficiência visual acessar o site, se não for tomado o devido cuidado no desenvolvimento, são apenas os nomes dos arquivos que ele terá de informação sobre as opções, tornando a navegação praticamente impossível. Essa é uma descrição similar a de um problema real, relatado por uma psicóloga cega, cujo vídeo pode ser visto no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=KGDiMuTTezM).
Este exemplo, dado para deficientes visuais, pode ser estendido para os outros tipos de deficiência. Veja, a seguir, algumas dificuldades encontradas para cada um dos tipos:
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