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Artigo Java Magazine 72 - Uma “Aplicação Comum” com JavaFX
Crie em JavaFX uma GUI típica de sistemas corporativos, com formulários, relatórios e CRUD... porém, com “algo a mais”
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Uma “Aplicação Comum”
em JavaFX
JavaFX não é só para multimídia e efeitos gráficos
Crie em JavaFX uma GUI típica de sistemas corporativos, com formulários, relatórios e CRUD... porém, com “algo a mais”
De que trata o artigo:
Apresentamos um tutorial de desenvolvimento de uma aplicação completa em JavaFX, com GUI baseada em formulários, relatórios e persistência.
Para que serve:
JavaFX é uma nova plataforma da Sun, que estende tanto a JavaSE quanto a JavaME com poderosas capacidades de construção de aplicações RIA. Muitos artigos e tutoriais sobre a JavaFX, inclusive artigos anteriores desta coluna, focam nas suas facilidades de mídia e animação. Mas a JavaFX não é só isso, pois a partir da versão 1.2 foi atualizada com APIs para controles, gráficos comerciais, persistência e outras necessidades de aplicações mais “convencionais”. Este artigo convida o leitor a descobrir este outro lado da JavaFX, vendo-a como uma plataforma para desenvolvimento de GUIs alternativa mais moderna e produtiva à Swing e outros toolkits para desktop.
Em que situação o tema é útil:
Desenvolvedores que trabalham ou pretendem trabalhar com aplicações GUI, para desktop ou móveis, estão sempre à cata de ferramentas mais poderosas e produtivas. No ecossistema Java, a nova plataforma JavaFX implementa o modelo RIA (Rich Internet Applications), competindo com outras tecnologias desta categoria como Flex e Silverlight. Em comparação com APIs de GUI mais tradicionais do Java, traz inovações com uma nova linguagem de alta produtividade para GUIs, um novo toolkit de componentes e gráficos com o paradigma de scene graph, suporte a mídia, entre outros.
Dito isto, a JavaFX ainda está longe de ser uma unanimidade ou mesmo uma solução tão madura quanto a Swing, SWT, plataformas RCP e outras opções já bem estabelecidas; mas sem dúvida é uma alternativa muito promissora, na qual a Sun (e agora a Oracle) está investindo pesado e apostando tudo. Neste novo artigo da nossa cobertura da JavaFX, já específico para a versão 1.2, expomos mais alguns bons motivos para aprender esta plataforma, mesmo que o leitor não trabalhe com GUIs “moderninhas”, focadas em mídia e animações.
Neste artigo, damos continuidade à cobertura da nova plataforma RIA da Sun, a JavaFX. Após vários artigos focados nos seus conceitos, primeiros passos de programação, e na linguagem JavaFX Script, vamos finalmente botar as mãos na massa e aprender a construir uma aplicação.
Já mostramos alguns programas JavaFX nos artigos anteriores. Mas agora vamos dar um foco alternativo, criando uma aplicação “comum”: nada de benchmarks, animações, mídia e outras coisas muito específicas ao ‘R’ da sigla RIA. Ao invés disso, vamos nos focar no ‘A’ – Aplicações – funcionalidades mais próximas da atividade da maioria dos desenvolvedores: uma GUI convencional com um formulário composto por controles; um modelo de dados, persistência, regras de negócio. Especificamente, vamos fazer um sistema de cadastro de Produtos, que poderia ser parte de uma loja virtual ou sistema de estoques. O programa terá uma GUI criada em JavaFX com o clássico conjunto de operações CRUD; as entidades cadastradas serão persistentes. Para caprichar, teremos um mini-relatório com um gráfico de barras, também feito apenas com recursos da JavaFX. Finalmente, o programa será 100% portável, rodando no desktop como applet ou aplicação, ou dispositivos móveis, sem mudar uma só linha de código.
Esperamos, com isso, convencer os leitores que ainda vejam a JavaFX como um “brinquedinho” que só serve para extravagâncias de mídia, games e animação. Se o leitor pensa assim, não o culpo, pois as primeiras versões da JavaFX (1.0 e 1.1) realmente tinham limitações que dificultavam seu uso fora deste nicho. Com a JavaFX 1.2, veremos que já é possível construir aplicações “sérias”.
Um protótipo de GUI
Confesso ao leitor – e meu histórico de artigos na Java Magazine não deixa mentir – que GUI não é minha especialidade. No entanto, trabalho junto com desenvolvedores experientes com GUIs, inclusive designers profissionais, e acho que aprendi alguma coisa. Um bom projeto de GUI começa com um protótipo de telas esquemático – que alguns chamam de wireframes – muitas vezes “rascunhado” com ferramentas de ilustração. Então, realizei esta etapa do projeto lançando mão de um editor gráfico e do meu talento de designer.
O leitor pode conferir o resultado na Figura 1. A aplicação terá os seguintes elementos, já com seus requisitos funcionais:
1. Tela Principal. Exibe uma listagem de todos os Produtos cadastrados. Um botão no canto superior esquerdo chama o Relatório, e um botão no canto superior direito cria um novo Produto. Na listagem, basta clicar em qualquer item para exibi-lo na tela de Edição de Produto. Se houver mais produtos do que cabe na tela, uma scrollbar será apresentada;
2. Tela de Edição. Exibe um formulário que permite editar todos os campos desta entidade, que são: Nome (string), Preço (decimal), e Unidades em estoque (inteiro). Na parte inferior da tela, teremos botões para Criar/Atualizar, Cancelar as alterações, e Remover. No canto superior esquerdo, um botão de navegação retorna à tela principal;
3. Tela de Relatório. Exibe um gráfico de barras, plotando a quantidade de Unidades em estoque de cada Produto. No canto superior esquerdo, um botão de navegação retorna à tela principal. (Note o capricho do designer do wireframe, mostrando que o gráfico é colorido.)
As proporções das telas são de 3/4 (horizontal/vertical), o que corresponde ao formato da tela da maioria dos dispositivos Java ME.
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