Acessibilidade em Java - Revista Java Magazine 96

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Neste artigo, é apresentada uma introdução à acessibilidade digital e às principais dificuldades enfrentadas por portadores de deficiência no uso de software. Em seguida, mostraremos como desenvolver aplicações desktop e web acessíveis, principalmente para deficientes visuais.

De que se trata o artigo:

Neste artigo, é apresentada uma introdução à acessibilidade digital e às principais dificuldades enfrentadas por portadores de deficiência no uso de software. Em seguida, mostraremos como desenvolver aplicações desktop e web acessíveis, principalmente para deficientes visuais.

Em que situação o tema útil:

Em uma sociedade justa, o acesso a produtos e serviços não pode discriminar qualquer usuário por razões de sexo, preferências e limitações. Neste contexto, é responsabilidade dos desenvolvedores de software garantir a acessibilidade de suas aplicações.

Resumo DevMan:

Em 2000, cerca de 25 milhões de pessoas declararam ser portadoras de algum tipo de deficiência. Apesar desse grande número, muitos desenvolvedores de software projetam e implementam seus produtos tendo em mente usuários não portadores de qualquer tipo de deficiência. Isso acaba criando diversas barreiras e obstáculos para deficientes. Por meio do uso de recursos especiais em aplicações desktop e web, é possível minimizar essas dificuldades e aumentar a acessibilidade de suas aplicações. Neste artigo, é apresentada uma introdução à acessibilidade digital e às principais técnicas que podem ser utilizadas para aumentar a acessibilidade de aplicações.

Autores: Leandro Luque e Rodrigo Rocha Silva

Muitos desenvolvedores de software planejam e implementam seus sistemas tendo em mente usuários não portadores de qualquer tipo de deficiência. Isso acaba criando diversos obstáculos e barreiras para os usuários que se encontram no grupo desconsiderado.

No Brasil, segundo dados do Censo 2000, cerca de 24,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de algum tipo de deficiência: mental, física/motora, visual e auditiva. A seguir, são apresentados mais detalhes sobre o resultado da pesquisa realizada pelo IBGE.

Deficiência segundo o Censo 2000

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), deficiência é o substantivo atribuído a qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. As deficiências são geralmente classificadas em quatro tipos, além de um que trata da ocorrência de deficiências múltiplas: mental, física/motora, visual, auditiva e múltipla.

Em 2000, cerca de 24,6 milhões de pessoas se declararam portadoras de alguma deficiência. Este número correspondia a 14,5% da população total. Na Tabela 1, os resultados do Censo pelos tipos de deficiência são apresentados.

Como algumas pessoas declararam possuir mais de um tipo de deficiência, quando somadas as ocorrências de deficiências, o número é maior do que 24,6 milhões, que representa o número de pessoas, não de ocorrências de deficiência.

Tipo de Deficiência

População Residente

Visual

16.644.842

Auditiva

5.735.099

Mental

2.844.937

Física/Motora

9.355.844

Tabela 1. População residente por tipo de deficiência. Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000.

Embora alguns sites citem que o Censo 2010 estimou o número de deficientes em 25 milhões, os autores do artigo acreditam que se trata de uma confusão com o Censo 2000, uma vez que não foram encontrados dados oficiais no site do IBGE sobre os resultados da última pesquisa.

Barreiras e obstáculos no uso de software

Para auxiliar o leitor na compreensão das dificuldades encontradas por portadores de necessidades especiais no uso de software, sugerimos uma reflexão para um tipo específico de deficiência: a visual. Existe uma brincadeira que as crianças costumam fazer em ambientes escuros ou utilizando uma venda nos olhos, chamada cabra-cega.

Se você nunca brincou, o que duvidamos muito, segue uma breve explicação – há que se ressaltar que existem variações da brincadeira. Um dos jogadores é vendado – a cabra-cega – e deve procurar os outros jogadores e, por meio do tato – e talvez olfato –, identificá-los. Caso ele tenha sucesso, a pessoa identificada assume o seu lugar. Caso contrário, ele deve continuar procurando.

A cabra-cega só conseguirá identificar algum dos outros jogadores se tiver informações não visuais suficientes – ou pela sorte de um “chute” certeiro. O mesmo acontece para que portadores de deficiência visual consigam usar um software. Se não forem fornecidas informações não visuais suficientes, será impossível utilizá-lo.

Imagine um site de compras online no qual o menu de opções tenha sido criado com imagens, não com texto, e que os nomes das imagens do menu sejam: op1.jpg, op2.jpg e op3.jpg. Quando um portador de deficiência visual acessar o site, se não for tomado o devido cuidado no desenvolvimento, são apenas os nomes dos arquivos que ele terá de informação sobre as opções, tornando a navegação praticamente impossível. Essa é uma descrição similar a de um problema real, relatado por uma psicóloga cega, cujo vídeo pode ser visto no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=KGDiMuTTezM).

Este exemplo, dado para deficientes visuais, pode ser estendido para os outros tipos de deficiência. Veja, a seguir, algumas dificuldades encontradas para cada um dos tipos:

· Auditiva: o uso de apenas alertas sonoros para certas ações ou avisos de um sistema, sem correspondentes visuais, pode ser um problema para portadores deste tipo de deficiência. Ademais, em boa parte das aplicações que utilizam vídeos, não há a preocupação com a inclusão de legendas – ou sinais da LIBRAS –, o que dificulta ou impossibilita o acesso a informações por deficientes auditivos;

· Física/Motora: aplicações baseadas apenas no uso do mouse podem impor barreiras para portadores deste tipo de deficiência, pois muitos não conseguem utilizá-lo ou o utilizam com dificuldade;

· Mental: a adoção de recursos muito sofisticados ou estruturas complexas, que exijam uma carga mental muito grande por parte dos usuários, pode dificultar o uso para portadores de deficiência mental;

· Visual: o uso de elementos visuais, como imagens e animações, sem textos relacionados, o uso de caracteres pequenos, sem possibilidade de ajuste, ou de cores com baixo contraste, pode dificultar o acesso para portadores deste tipo de deficiência.

Tecnologias Assistivas

A transgressão das dificuldades encontradas por portadores de deficiência é apoiada por aplicações conhecidas como Tecnologias Assistivas (TA), Tecnologias Adaptativas ou Tecnologias de Apoio. Entre os principais tipos de TAs, estão os ampliadores de tela, os navegadores de texto e os leitores de tela.

Estes últimos são utilizados por portadores de deficiência visual no uso de computadores. Por meio deles, os elementos da Interface Gráfica com o Usuário (GUI) são pronunciados por sintetizadores e constituem a informação disponível para a navegação. Entre os leitores de tela disponíveis, estão o Jaws, Virtual Vision, Orca e NonVisual Desktop Access (NVDA).

A seguir, é apresentada uma breve introdução sobre estes leitores de tela. Para mais informações, acesse os documentos do Governo Eletrônico Brasileiro, relacionados na seção Links.

· Jaws: O Jaws foi lançado em 1989 por Ted Henter, um ex­motociclista, que perdeu a visão em um acidente em 1978. Em 1985, Henter, juntamente com Bill Joyce, fundou a Henter­Joyce Corporation, em St. Petersburg, Flórida. Em janeiro de 1995, o Jaws para Windows 1.0 foi lançado; atualmente na versão 12, uma nova versão é liberada de tempos em tempos, com pequenas atualizações. Em abril de 2000, Henter­Joyce, Engenharia Blazie e Arkenstone fundiram-se para formar a Freedom Scientific, fábrica que comercializa soluções baseadas na tecnologia para pessoas com deficiência visual;

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