Artigo Clube Delphi Edição 3 - A evolução do modelo Cliente/Servidor

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Editorial da Revista Clube Delphi Edição 3.

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A evolução do modelo Cliente/Servidor

 

Atualmente, quando estamos falando sobre banco de dados, ou lendo sobre o assunto em revistas

ou livros, sempre nos deparamos com o termo “Cliente-Servidor”. Este é tão utilizado que os menos experientes acabam se confundindo ao deparar com produtos como Dbase Client-Server ou Delphi Client-Server.

Client-Server, é um modelo de processamento onde as tarefas ficam distribuídas entre o servidor e o cliente. O aparecimento desse processamento foi longo e demorado. Vamos acompanhar a evolução das arquiteturas existentes, pois acredito que esta será a melhor forma do entendimento real sobre o conceito e do seu objetivo:

O primeiro modelo de processamento implementado foi a arquitetura de processamento centralizada. Neste contexto, havia um computador central (Main-frame) que armazenava todos os dados e aplicações, e que era responsável por todo o processamento.Os usuários utilizavam as aplicações através de um “Terminal Burro”. O terminal cliente era chamado desta forma pois não tinha nenhum

poder de processamento, funcionava apenas com um monitor de vídeo e um teclado. Esta arquitetura pode ser facilmente visualizada na figura 1.

 

Fgura 1 - Modelo Processamento Centralizado

 

Obviamente, o processador centralizado tem vantagens e desvantagens. Pelo lado positivo, a manutenção era bem simples, pois com um computador centralizado, era mais prático de gerenciar

tarefas como backup, manutenção ou upgrades. O custo com periféricos adicionais, como impressoras e discos rígidos , era bastante reduzido, pois todos compartilhavam das unidades do servidor. Em contrapartida, logo percebe-se uma desvantagem: Quanto maior o número de funcionários que precisariam acessar o Mainframe, maior a potência necessária para que este pudesse atender de forma eficaz o fluxo dos negócios da empresa. Como poucas empresas controlavam o mercado de mainframes, o custo para um upgrade no mesmo era bastante alto.

O aparecimento dos computadores pessoais na década de 80, mudou para sempre o modelo de processamento corporativo. O PC (Personal Computer), juntamente com o Sistema Operacional ‘MS-DOS’, rapidamente predominou nas empresas, terminando com o monopólio que um dia os mainframes tiveram sobre os dados corporativos.

Este acontecimento já era esperado e foi inevitável. Entre as principais razões para a escolha de um

computador de mesa, vemos: os computadores pessoais eram muito baratos e fáceis de usar, e ainda forneciam a potência de processamento e o desempenho que só estavam disponíveis nos carros e complicados mainframes. Outro ponto positivo é que eram inúmeras as aplicações para PCs, como processadores de texto, planilhas eletrônicas, banco de dados locais, entre outros. Caso

o usuário não encontrasse uma aplicação que atendesse as suas necessidades, poderia utilizar uma ferramenta de desenvolvimento para construí-la, em uma linguagem fácil e de alto nível como

Clipper ou COBOL.

Estas mudanças representaram uma modificação na arquitetura centralizada, e passamos a ter um modelo de computação pessoal e desconectada.

Este modelo pode ser claramente visualizado

na figura 2.

 

Figura 2 - Modelo Pessoal e Desconectado

 

Neste modelo, ao invés da empresa manter um engenheiro com alto salário para gerenciar e configurar o Mainframe, cada usuário controlava um computador pessoal, configurando o ambiente ao seu gosto, e sendo responsável pelo backup e segurança de seus dados. Todavia, mais uma vez descobriu- se que este não era o método ideal, pois apresentava tantos problemas quanto vantagens, quando comparado

à arquitetura centralizada. A principal diferença é que os dados que estavam prontamente disponíveis para todos na empresa, agora estavam distribuídos entre o Mainframe e as estações de trabalho

pessoais. Os ganhos na relação custo/desempenho eram anulados pela perda de produtividade dos grupos de trabalho que precisam acessar as informações espalhadas pela empresa. Além de não compartilhar dados, os PCs também não compartilhavam os periféricos e outros recursos dispendiosos, que agora precisavam ser duplicados.

É claro que este modelo não durou muito, e foi apenas uma fase de transição para o modelo de processamento baseado em rede/servidor de arquivos.

Isto era óbvio: havia a necessidade dos PCs compartilharem os dados e os periféricos ou os usuários teriam que abandonar o uso dos pequenos computadores de mesa. Este modelo, também conhecido

como LAN, pode ser visualizado

na figura 3.

Figura 3 – modelo servidor de arquivo

 

Como podemos observar ,o servidor de arquivos era o responsável por centralizar os arquivos e os periféricos de toda a rede. A principal diferença para o modelo de Host (Mainframe), é que o servidor de arquivos centraliza apenas os dados e os periféricos, e não o processamento. As máquinas

clientes eram as responsáveis por processar a informação. Esta arquitetura foi amplamente difundida

e ainda hoje encontramos um grande porcentual de empresas trabalhando desta forma.

Como desvantagens do modelo de servidor de arquivos, encontramos a rápida saturação do uso da

rede. Isto porque quando um cliente

precisa dos dados armazenados no servidor, como o responsável pelo processamento é o próprio cliente, arquivos inteiros ou grande parte são descarregados pela rede, criando um enorme “gargalo”.

Os problemas de performance e saturação da rede local conduziram ao surgimento do modelo de processamento Cliente/Servidor. Este modelo oferece os benefícios de baixo custo dos PCs, juntamente com o acesso a dados compartilhados e as características de processamento distribuído encontrados

no modelo centralizado. O aparecimento do modelo Cliente/Servidor foi o menos traumático, pois pela primeira vez a arquitetura se modificava sem que necessariamente houvesse uma mudança de Hardware. O modelo Cliente/Servidor encontra-se detalhado na figura 4.

 

Figura 4 – modelo cliente/servidor

 

Mas como funciona este novo modelo? Simples – ao invés de termos somente um servidor de arquivos e deixar as máquinas clientes serem responsáveis pela busca e processamento destes dados, podemos ter um Software gerenciador no servidor e este ser o responsável por parte do gerenciamento dos dados. Por exemplo, em um servidor de arquivos, quando o cliente quisesse visualizar as informações de um

cliente específico, todo o arquivo de clientes seria baixado pela rede. No modelo

Cliente/Servidor, o cliente faz uma requisição ao software gerenciador instalado no servidor, e este retorna apenas o que for necessário, otimizando significativamente o processamento através da rede, ou seja, o processamento fica distribuído entre o Software gerenciador (back-end) e o cliente (front-end)

dando origem ao nome Cliente/Servidor.

Entre as principais tarefas realizadas pelo servidor e pelo cliente, encontramos:

 

No Servidor:

·         Gerenciamento de um único banco de dados entre vários usuários simultâneos;

·         Controle do acesso ao banco de dados através de senhas e níveis de hierarquia entre os usuários;

·         Proteção das informações com backups e recuperação;

·         Imposição de regras globais de integridade de dados;

 

No Cliente:

·         Apresentação de interface na qual o usuário possa interagir com os dados;

·         Execução da lógica da aplicação como cálculo de campos e apresentação de resultados

·         em fácil entendimento do usuário, como gráficos e listas selecionáveis;

·         Validação da entrada de dados;

·         Solicitar e enviar as informações para o servidor;

 

Os mais populares softwares gerenciadores de dados baseados no modelo Cliente/Servidor são: Oracle, MS SQL Server, DB/2, Natural, Sybase, entre outros. Dentre as ferramentas de desenvolvimento de front-end, encontramos o Delphi, Visual Basic, Fox Pro, Oracle Forms, C++ Builder, Power Builder,

entre outras.

Este modelo, apesar de reunir um pouco das vantagens de todas as experiências anteriores, também apresenta desvantagens, apesar de serem menores do que há uma década. A confiabilidade, por exemplo, é menor, quando comparada a um sistema baseado em Host, pois um modelo onde o hardware e o software são independentes, a heterogeneidade é inevitável. A manutenção e o gerenciamento de uma rede corporativa, também é bem mais complexa do que nos modelos anteriores, pois o nível de informação e a forma como os dados serão distribuídos precisam ser bem estudados, para que o modelo possa realmente valer a pena. Este modelo também não é aplicável a todas as

situações. Obviamente, um sistema de missão crítica, como reservas de vôo, ou transações bancárias, com centenas ou milhares de terminais espalhados, certamente não se aplicaria a um gerencia-mento

Cliente/Servidor. Um gerenciamento de dimensão muito reduzida, como uma vídeo-locadora, também não seria aplicável, pois teríamos um “canhão para uma formiga” . Agora, se estiver informatizando

uma empresa de médio ou grande porte, é claro que o uso de um ambiente Cliente/Servidor será a melhor escolha.

 

Conclusão

O modelo Cliente/Servidor deve certamente ser analisado dentro do seu projeto, se este for razoavelmente grande ou com possibilidades de crescer. A confiabilidade de um banco de dados

sendo gerenciado é muito maior do que o armazenamento dos dados em arquivos como Paradox ou Dbase. Além do mais, a aplicação pode ser bastante simplificada com a introdução deste modelo,

já que boa parte do processamento residirá no servidor, e será transparente para o front-end. Cabe ao Analista/Desenvolvedor optar pelo ferramenta certa e saber se o momento é oportuno para o projeto e para o cliente, principalmente se este nunca foi informatizado antes.

Em edições futuras e em nossa Homepage, estarão disponíveis mais matérias sobre o assunto, tratando da conexão e do uso do Delphi como ferramenta

frontend.

 
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