Configurações Iniciais para um ambiente de desenvolvimento de aplicações corporativas no Java

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Veja neste artigo o que é necessário para construir, executar e implantar aplicações corporativas utilizando a linguagem Java.

Alessandro InhurMarcos Balsamo
Neste artigo apresento o Alessandro Inhur Wünsch, que pode ser contatado pelo e-mail sandro.need@gmail.com, e o Marcos Vinicius Alves Balsamo, que pode ser contatado pelo e-mail suporte.foz@gmail.com. Ambos foram meus alunos em algumas disciplinas da graduação e estão concluindo o último período do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UTFPR campus Medianeira, neste primeiro semestre de 2012.
Alessandro InhurMarcos Vinicius

1. Introdução

O Java EE, Java Enterprise Edition, é uma extensão do Java SE para desenvolvimento de aplicações corporativas. Ele provê uma série de serviços, que juntos estabelecem uma infraestrutura que visa facilitar o desenvolvimento e a manutenção de aplicações distribuídas. (SILVA, 2006)

Os serviços oferecidos para facilitar o desenvolvimento precisam ser previamente instalados, configurados e por vezes iniciados no computador que será usado para o desenvolvimento. Estas tarefas se tornam corriqueiras depois de algum tempo executando-as, mas para os iniciantes nesta tecnologia elas podem ser um tanto quanto complicadas.

Neste artigo será mostrado como instalar, configurar, e iniciar os serviços necessários para utilizar a tecnologia Java EE.

2. Software necessário

2.1. Java Development Kit (JDK)

Para o desenvolvimento de aplicações corporativas faz-se necessário o JDK (Java Development Kit) edição 6, ou o JDK edição 7. É importante que seja feita a instalação da versão que não possui nenhum outro complemento, como o Netbeans ou o próprio SDK Java EE, pois os complementos necessários serão instalados e configurados adiante.

2.2. SDK (Software Development Kit) Java EE 6

Nele está contido o servidor Glassfish, que é um servidor de aplicações corporativas. Além do Glassfish também pode ser instalada a ferramenta de update, que será tratada mais adiante.

2.2.1. Instalação e configuração

Primeiramente, faça o download do SDK Java EE 6 no site da oracle. Após o download, execute o instalador. A primeira janela que abrirá mostra uma pequena introdução do Glassfish, mostrando algumas vantagens de utiliza-lo. Não possui nada para ser configurado, clique em “Próximo”. A janela seguinte, como ilustra a figura 1, solicita qual tipo de instalação deve ser feita. A “Instalação Típica”, que será a utilizada, deixa todas as configurações padrão, como por exemplo a porta HTTP 8080 e a porta do console administrativo 4848. Caso seja necessário alterar alguma configuração desse tipo, deve-se selecionar a “Instalação Personalizada”. Depois de selecionar a opção desejada clique em “Próximo”.

Instalação Glassfish

Figura 1: Instalação Glassfish

A próxima janela solicita que seja especificado o local onde o Glassfish deve ser instalado. Por padrão, a instalação é feita no diretório “C:\glassfish3” no windows, e “/home/usuario/glassfish3” no linux. Caso seja necessário instalar em outro diretório, este deve ser informado no campo “Diretório de instalação”. Depois de configurado o diretório de instalação, clique em “Próximo” e abrirá uma nova janela, que permite configurar se a ferramenta de atualização será instalada e ativa. A ferramenta de atualização provê uma maneira simples de atualizar o servidor de aplicações Glassfish, instalar e atualizar ferramentas adicionais a ele, sem que seja necessário fazer, diretamente, o download da nova versão. É muito importante que esta ferramenta seja instalada, pois ferramentas adicionais serão instaladas a partir dela posteriormente. Selecione “Instalar Ferramenta de Atualização” e “Ativar Ferramenta de Atualização”, e clique em “Próximo”.

Na janela seguinte é apresentado o que será instalado e configurado durante a instalação. Neste ponto nada foi instalado ainda, apenas configurado, para iniciar a instalação clique no botão “Instalar”. Durante a instalação será baixada a ferramenta de atualização, o que levará algum tempo.

Depois de terminada a instalação, abrirá a janela “Informações do Domínio”, conforme ilustrado na figura 2. Nela é possível verificar informações a respeito do domínio criado, como: o nome, a porta HTTP, a porta do console administrativo. Como foi realizada a instalação típica, essas informações não aparecem, pois são as configurações padrão, que são:

  • Porta para o console administrativo: 4848
  • Porta HTTP: 8080
  • Usuário administrador: admin, sem senha.
  • Nome do domínio: domain1.

Nesta janela também é possível configurar para que seja criado um serviço do sistema operacional para o domínio e para que ele seja iniciado logo após a sua criação. Criar um serviço para o domínio fará com que ele seja iniciado automaticamente. Essas últimas configurações não precisam necessariamente ser feitas, pois o domínio pode ser facilmente iniciado, como será abordado adiante. Clique no botão próximo.

Informações do Domínio

Figura 2: Informações do Domínio

Logo após abrirá a janela “Resultados da Configuração”, é mostrado o log da criação do domínio. Analisando o log pode-se ter certeza que a criação do domínio foi bem sucedida se nele aparecer a mensagem “Command creante-domain executed successfully”, como destacado com o quadro vermelho na figura 3.

Finalizando Instalação

Figura 3: Finalizando Instalação

A janela que abrirá em seguida mostra o resumo geral da instalação, o que foi instalado e configurado. Não possui nenhuma configuração a ser feita. Clique no botão sair para fechar a janela.

Neste artigo será utilizada a seguinte convenção: o diretório de instalação informado, “/home/usuario/glassfish3” para linux e “c:\glassfish3” para windows, será chamado de as-install-parent; e o diretório onde o Glassfish está instalado de fato, as-install-parent/glassfish, será chamado de as-install.

Para que não seja necessário acessar os diretórios que contêm os comandos toda vez que algum deles precisar ser executado, adicione ao PATH os seguintes diretórios: as-install-parent/bin e as-install/bin.

2.3. Java EE 6 Tutorial Component

O tutorial component contém códigos fonte de exemplo, que são utilizados no “The Java EE 6 Tutorial”, que pode ser acessado em http://docs.oracle.com/javaee/6/tutorial/doc/index.html.

Para baixar o tutorial component, abra a ferramenta de atualização que no diretório as-install/bin depois execute o updatetool, lembrando que está ferramenta no decorrer do artigo se faz necessário para adicionar outros componentes.

Já na ferramenta de atualização siga os três seguintes passos, estes contidos na Figura 4:

  • No menu lateral esquerdo clique na opção "Atualizações disponíveis"
  • Marque a opção Java EE 6 Tutorial.
  • Clique em instalar.
Instalando e Atualizando  o Java EE 6Tutorial

Figura 4: Instalando e Atualizando o Java EE 6Tutorial

2.4. IDE NetBeans

O Netbeans é um dos IDEs que podem ser utilizadas para fazer build, deploy, executar e desenvolver aplicações corporativas. Além de produtiva, ela oferece maior integração e facilidade no uso da especificação Java EE. (NETBEANS(a), 2012).

Para fazer o download acesse a página do NetBeans: "http://netbeans.org/". É necessário que seja instalada a versão que contenha o módulo Java EE. As versões que podem ser utilizadas estão destacadas na figura 5.

Opções para download

Figura 5: Opções para download

Na instalação, é preciso lembrar de não instalar o Glassfish, pois ele já foi instalado anteriormente.

Para que o Glassfish possa ser utilizado diretamente do Netbeans, adicione-o ao Netbeans. Acesse o menu ferramenta depois servidores e selecione a opção “Adicionar servidor”.

Na janela seguinte, selecione a opção correspondente ao Glassfish, possivelmente "GlassFish Server 3+", clique em próximo. Abrirá a janela onde é configurado o caminho onde o servidor está intalado, informe o local da instalação do Glassfish, que é o as-install-parent, e clique em "Finalizar", como destacado na Figura 6.

Selecionado Diretório Raiz do Glassfish

2.5. Ant

O Ant é uma ferramenta para a automação de builds no seu projeto, por exemplo, atualiza o classpath, compila o código separando os .java e os .class em diretórios distintos, gera javadoc do projeto, configura e executa a aplicação.(OLIVEIRA,2003)

O ant pode ser muito útil no desenvolvimento de aplicações corporativas, automatizando tarefas com o deploy das aplicações por exemplo. Para instalar o ant abra a ferramenta de atualização updatetool, siga até “Suplementos disponíveis” e marque a opção "Apache Ant Build Tool" e inicie a instalação este procedimento ilustrado na Figura 7.

Instalando Apache Ant

Figura 7: Instalando Apache Ant

3. Iniciando e parando o servidor Glassfish

Para acessar as aplicações que estão publicadas no Glassfish, ele primeiramente deve estar iniciado, por meio do console pelo comando asadmin start-domain, lembrando que o diretorio as-install-parent/bin, deve ter sido adicionado ao path pois se não foi adicionado é obrigatório navegar até a pasta bin contida no diretório as-install-parent.

Quando não é informado o domínio, o servidor é iniciado com o padrão domain1, caso queria especificar acrescente o nome do domínio após o comando start-domain. Ao terminar de iniciar o Glassfish se tudo ocorrer bem é exibida uma mensagem de sucesso na inicialização, ilustrada pela figura 8.

Glassfih Iniciado

Figura 8: Glassfih Iniciado

Algumas IDEs oferecem a opção de iniciar o servidor por meio delas, o NetBeans é um exemplo. Para iniciar o Glassfish no NetBeans, na guia "serviços" de um clique direito sobre o servidor e clique em "Iniciar", como mostra a figura 9.

Iniciando o Glassfish dentro do Netbeans

Figura 9: Iniciando o Glassfish dentro do Netbeans

Assim que o Glassfish deixar de ser utilizado, é interessante que o serviço seja parado, para que não continue consumindo recursos da máquina, por meio do comando asadmin stop-domain.

4. Iniciando o console de administração

O console de administração é uma interface para administração acessada a partir do navegador. É usado para administrar o servidor GlassFish e gerenciar usuários, recursos e aplicações Java EE.

Para acessar o console de administração é preciso que o Glassfish esteja iniciado. É acessado pelo endereço: "http://localhost:4848", desde que a porta padrão, 4848, não tenha sido alterada.

Console de Administração do Glassfish

Figura 10: Console de Administração do Glassfish

5. Iniciando e parando o Java DB

"O Java DB é um servidor de banco de dados com base em padrões, seguro e totalmente transacional, escrito inteiramente em Java, e dá suporte total a SQL, JDBC API e à tecnologia Java EE."(NETBEANS(b),2012).

O Java DB, é embutido no Glassfish, ou seja, não será necessário instalá-lo,pois isso já foi feito ao instalar o Glassfish.

O primeiro passo será iniciar o Java DB, abra o console e em seguida, digite asadmin start-database, o terminal ira retornar uma linha que o servidor foi iniciado com sucesso está é start-database executed successfully.

Se desejar parar o servidor Java DB, utilize o comando no console asadmin stop-database.

6. Estrutura de diretórios dos exemplos

O tutorial component contem os códigos fonte de exemplo, que são utilizados e refenciados ao longo do “The Java EE 6 Tutorial”. Esses exemplos podem ser muito úteis no entendimento do tutorial. Por isso, conhecer a estrutura deles é de suma importância, cada pasta de exemplo contém:

  • build.xml: arquivo de build do Ant.
  • src/java: arquivos de código fonte.
  • src/conf: arquivos de configuração para o módulo -contem exceções de aplicações web.
  • web: paginas web, css, imagens para aplicações web.
  • web/WEB-INF: arquivos de configuração para aplicações web.
  • nbproject:arquivos de projeto do NetBeans.

A convenção de nomes para exemplos que possuem sub-módulos no arquivo EAR é a seguinte:

  • nomedoexemplo-app-client: aplicação cliente
  • nomedoexemplo-ejb: arquivos enterprise java bean
  • nomedoexemplo-war: aplicações web

7. Fazendo o debug da aplicação

Técnicas de debug são muito úteis para descobrir um possível problema que a aplicação possa vir a apresentar.

7.1. Usando o log do servidor

No diretório pasta_do_dominio/logs/server.log encontra-se o arquivo de log gerado pelo servidor. Analisando-o é possível extrair informações importantes para identificar um problema.

Uma opção interessante é exibir as informações do log no terminal, pra que não seja necessário abrir o arquivo de log. Basta adicionar o parametro "--verbose" no final no comando de inicialização de Glassfish.

7.2. Usando um depurador

O GlassFish Server tem suporte para Java Platform Debugger Architecture (JPDA), que consiste em três interfaces projetadas para uso por depuradores em ambientes de desenvolvimento. (ORACLE, 2011)

É necessário que algumas configurações sejam feitas no Glassfish antes de utilizar o depurador. Abra o console de administração e acesse a opção "JVM settings" na hierarquia "Configurations > server-config", como mostra a figura 11, em que está destacado os itens que devem ser acessados para chegar às configurações.

Alterando as configurações da JVM no console de administração

Figura 11: Alterando as configurações da JVM no console de administração

A figura 12 mostra parte da janela de configuração da JVM no console de administração, destacando os campos referentes ao debug. Nela marque a opção “enabled” para o debug. No campo “debug options” estão as configurações do debug, certifique-se de que a porta informada no atributo address não esteja em uso por outro aplicativo e então reinicie o Glassfish.

Ativando debug no console de administração

Figura 12: Ativando debug no console de administração

No NetBeans é preciso configurar o depurador para poder depurar a aplicação. Para isso acesse o menu Debug > attach debugger, ent ão abrirá uma janela como a ilustrada na figura 13, e informe o host, a porta de conexão, e o timeout para a conexão.

Configurando depurado no NetBeans

Figura 13: Configurando depurado no NetBeans

Pronto, agora é possível fazer o debug da aplicação através do depurador do NetBeans.

Referencias

 
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