Artigo SQL Magazine 68 - Alta Disponibilidade no SQL Server 2005/2008

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O presente artigo apresenta os principais conceitos sobre alta disponibilidade e as soluções que podem ser implementadas utilizando o SQL Server.

[lead]De que se trata o artigo:

O presente artigo apresenta os principais conceitos sobre alta disponibilidade e as soluções que podem ser implementadas utilizando o SQL Server.

Para que serve:

Este artigo serve de base introdutória para a construção de uma solução que mantém a disponibilidade de um sistema após uma falha de hardware ou software.

Em que situação o tema é útil:

Minimizar o tempo de inatividade de um sistema em caso de alguma falha de software ou hardware, disponibilizando um segundo servidor responsável em assumir os serviços do servidor principal.[/lead]

Alta disponibilidade pode ser definida como uma solução que mascara os efeitos de uma falha de hardware ou software e mantém a disponibilidade dos aplicativos, de modo a minimizar o tempo de inatividade de um sistema.

Para algumas empresas, esta definição significa que deverá existir um hardware redundante igual ao de produção, o que requer que os dados e o hardware tenham duração e disponibilidade de 99,995 % ou mais. Outras empresas necessitam apenas que os dados propriamente ditos tenham alta disponibilidade, sem tanta preocupação com o desempenho do nível de produção caso um failover (processo no qual uma máquina assume os serviços de outra, quando esta última apresenta alguma falha) seja necessário.

Para determinar a melhor solução de alta disponibilidade, é necessário avaliar questões referentes aos tipos de interrupções que poderão ocorrer e indicar como isso afeta seus Contratos de Nível de Serviço (SLAs). As interrupções que podem afetar a disponibilidade são:

· Desempenho Planejado: normalmente é uma manutenção programada sobre a qual os usuários dos sistemas são informados com antecedência;

· Não Planejado: geralmente resulta de uma falha de hardware ou software que torna os dados inacessíveis; e

· Degradação do Desempenho: a degradação do desempenho também pode provocar interrupções, e normalmente é medida no tempo de resposta do usuário final.

E por fim, identificar o nível de atividade dos dados e se estes devem estar sempre on-line ou off-line ocasionalmente. A seguir será descrito previamente cada opção de disponibilidade disponível para o Microsoft SQL Server 2005, que seriam: Cluster de Failover, Espelhamento de banco de dados, Log Shipping e Replicação.

[subtitulo]Cluster de Failover[/subtitulo]

O Cluster de failover é basicamente uma solução de hardware que consiste em um grupo de computadores independentes que trabalham juntos para aumentar a disponibilidade de aplicativos e serviços. Os servidores em cluster (chamados de nós) são conectados através de cabos físicos e de software. Se um dos nós do cluster falhar, outro começará a fornecer os serviços, sendo que os usuários do sistema teriam o mínimo de interrupções nos serviços.

Um requisito inicial que deve ser verificado antes da instalação do cluster é identificar se o hardware é certificado pela Microsoft. Este deve constar na lista de soluções de hardware certificada, chamada de Hardware Compatibility List (HCL). Por ser uma solução de alta disponibilidade, é preciso assegurar que componentes lógicos e físicos funcionam da maneira adequada.

Para uma solução em cluster, são necessários os seguintes componentes físicos (ver Figura 1):

· Nós de cluster (Cluster Nodes): é um servidor que faz parte do cluster e compartilha os recursos do cluster. Todos os nós do cluster devem possuir o mesmo sistema operacional e plataforma (32 bits ou 64 bits).

· Rede Privada (Private Network): a função da rede privada é verificar se os nós que compõem o cluster estão funcionando e disponíveis. A rede privada é implementada através de uma placa de rede dedicada e exclusiva no nó do cluster.

· Rede Pública (Public Network): a função da rede pública é permitir que as aplicações conectem-se no cluster e que o cluster possa conectar-se na rede. A rede pública é implementada através de uma placa de rede dedicada e exclusiva no nó do cluster.

· Conjunto de discos compartilhados (Shared Disk Array): conjunto de discos físicos (SCSI ou Fiber Channel) que são acessados pelos nós do cluster. O conjunto de discos compartilhados também é conhecido como “storage do cluster”. A “storage” apresenta para os nós do cluster um conjunto lógico de discos que são acessados pelo sistema operacional como se fossem discos internos do servidor. O serviço de cluster da Microsoft implementa o conceito de shared nothing disk, pois desta forma somente um nó do cluster tem acesso exclusivo a uma ou mais unidades lógicas da “storage” de cada vez.

· Disco de Quorum (Quorum Disk): é uma unidade lógica na “storage” que contém o arquivo de log e informações de estado do cluster. O nó que for o dono do disco de quorum é o nó responsável pelo cluster.

Figura 1. Cluster Completo

Na Figura 1 é possível visualizar como ficaria um cluster completo com todos os seus componentes mais um disco onde possui uma instalação de uma instância (serviço) do SQL Server. No caso de uma falha no nó principal, o segundo nó assumirá os serviços que estavam sendo disponibilizados, sendo transparente para o usuário final. A mudança entre os nós pode ser feita de forma manual ou automática.

[subtitulo]Espelhamento de banco de dados[/subtitulo]

O espelhamento de banco de dados é basicamente uma solução de software para aumentar a disponibilidade dos dados, dando suporte a failover quase instantâneo. O espelhamento de banco de dados mantém duas cópias de um único banco de dados em servidores diferentes. Uma instância do servidor atua como banco de dados para os clientes (servidor principal) enquanto a outra instância funciona como servidor em espera ativa ou passiva (servidor de espelho), dependendo da configuração.

A configuração mais simples do espelhamento do banco de dados envolve apenas os servidores: principal e espelho. Nessa configuração, se o servidor principal for perdido, o servidor espelho poderá ser usado como um servidor de espera passiva (a mudança deve ocorrer de forma manual), onde poderá ocorrer possível perda de dados (Ver Figura 2).

Figura 2. Espelhamento de Banco de Dados

Outra configuração é dita como modo de alta segurança com failover. Neste caso envolverá mais uma instância de servidor de banco de dados, conhecido como testemunha, que possibilita que o servidor espelho atue como um servidor em espera ativa (a mudança ocorre de forma automática) (ver Figura 3). O failover do banco principal para o banco de espelho normalmente demora vários segundos.

Figura 3. Espelhamento com Servidor de Testemunha

As Figuras 2 e 3 demonstram como resultaria a configuração do espelhamento de banco de dados com e sem o servidor de testemunha. Caso ocorra uma falha no banco de dados principal o servidor espelho deverá assumir o seu lugar, fazendo com que os usuários possam continuar acessando o aplicativo, mesmo após a ocorrência de alguma falha.

O espelhamento de banco de dados oferece os seguintes benefícios:

· Detecção e failover automático;

· Failover manual;

· Redirecionamento transparente para os clientes;

· Opera em nível de banco de dados;

· Usa uma única cópia duplicada do banco de dados;

· Usa servidores padrão;

· Fornece relatórios no servidor de espelho, usando cópias do banco de dados (instantâneos);

· Quando opera sincronicamente, proporciona zero perda de trabalho por meio de confirmação atrasada no banco de dados principal.

[subtitulo]Log Shipping (Envio de Logs)[/subtitulo]

Assim como o espelhamento de banco de dados, o Log Shipping também é uma solução de software. Este recurso pode ser utilizado para manter um ou mais banco de dados de espera passiva (banco de dados secundário) para um banco de dados de produção (banco de dados primário).

O Log Shipping permite o envio automático de backups do log de transações (ver Nota DevMan 1) de um banco de dados primário para um banco de dados secundário. Os backups de logs de transação são aplicados individualmente aos bancos de dados secundários, dessa forma existindo cópias do banco de dados primário. Uma terceira instância de servidor opcional, conhecido como servidor monitor, registra o histórico e o status das operações de backup e restauração e podendo emitir alertas se essas operações não forem executadas corretamente.

A Figura 4 mostra a configuração do envio de logs com uma instância do servidor primário, uma instância secundária e uma instância de servidor monitor. Esta figura ilustra as etapas executadas pelos backups, cópia e restauração:

1. A instância do servidor primário executa o trabalho de backup do log de transações do banco de dados primário. Essa instância do servidor coloca o backup do log em um arquivo de backup de log primário, enviado para a pasta de backup.

2. A instância de servidor secundário executa seu próprio trabalho de cópia do arquivo de backup de log primário para a sua própria pasta de destino local.

3. O servidor secundário executa seu próprio trabalho de restauração do arquivo de backup de log a partir da pasta de destino local no banco de dados secundário local.

[nota]Nota DevMan 1. Controle de Log de Transações

Controle de Log e Transações do SQL Server: Uma transação garante que qualquer operação seja ou totalmente completada ou desfeita caso ocorra uma falha, mas nunca permite que o banco de dados fique em um estado intermediário. O SQL Server implementa as transações usando um arquivo de Log. Quaisquer mudanças realizadas em qualquer dado irão atualizar a memória cachê, simultaneamente todas as operações realizadas serão escritas no Log.[/nota]

As instâncias de servidor primário e secundário enviam seus próprios históricos e status para a instância do servidor de monitoramento.

Figura 4. Configuração Típica Log Shipping

O Log Shipping envolve um atraso modificável pelo usuário entre o momento em que o servidor primário cria um backup de log do banco de dados e quando o servidor secundário restaura um banco do backup. Antes que um failover possa ocorrer, um banco de dados deve ser atualizado completamente pela aplicação manual de quaisquer backups de log não restaurados.

Esta solução fornece a flexibilidade de suportar vários bancos de dados de espera, oferecendo as seguintes funcionalidades:

· Suporte a vários bancos de dados secundários em várias instâncias de servidor para um único banco de dados primário;

· Permite um atraso especificado pelo usuário entre o momento em que o servidor primário faz backup do log do banco de dados primário e quando os servidores secundários devem restaurar o backup de log. Um atraso mais longo pode ser útil, por exemplo, se dados forem alterados acidentalmente no banco de dados primário. Se a alteração acidental for notada rapidamente, um atraso pode permitir que você recupere dados ainda inalterados de banco de dados secundário, antes que alteração seja refletida.

Se precisar de vários bancos de dados de espera, poderá usar o Log Shipping independentemente ou como um suplemento para o espelhamento de banco de dados.

[subtitulo]Replicação[/subtitulo]

A replicação é utilizada para copiar dados para um servidor e distribuí-los para outros servidores. Também pode ser utilizada para copiar, transformar e distribuir os dados personalizados entre os múltiplos servidores. Usando a replicação, é possível distribuir dados para diferentes locais e para usuários remotos e móveis através de redes locais e de longa distância, conexões dial-up, conexões sem fio e a Internet. Algumas razões para usar a replicação incluem:

· Sincronizar alterações para bancos de dados remotos com um banco de dados central. Por exemplo, se a equipe de vendas utiliza laptops remotos, você pode precisar criar uma cópia de dados para a região de vendas da equipe no laptop. Mais tarde, um vendedor no campo poderá desconectado da rede, acrescentar informações ou fazer alterações. Com a replicação, essas modificações seriam sincronizadas com o banco de dados central.

· Criar múltiplas instâncias de um banco de dados para que você possa distribuir a carga de trabalho. Por exemplo, se tiver um banco de dados central que é atualizado regularmente, talvez seja recomendável obter alterações para os bancos de dados departamentais à medida que elas ocorram. Os empregados podem então acessar os dados departamentais em vez de tentar se conectar ao banco de dados central.

· Mover conjuntos de dados específicos de um servidor central e distribuí-los para vários outros servidores. Por exemplo, usar a replicação para um banco de dados central que precisasse distribuir os dados de vendas para todos os bancos de dados de lojas de departamento da empresa.

A replicação foi projetada para atender às necessidades de uma ampla variedade de ambientes. A arquitetura de replicação é dividida em vários processos, procedimentos e componentes diferentes, cada um dos quais é utilizado para personalizar a replicação para uma situação particular. A arquitetura de replicação inclui:

· Componentes da replicação: são os componentes servidores e dados na replicação. Sendo eles:

o Publicador: são servidores que disponibilizam os dados para a replicação em outros servidores. Também monitoram alterações nos dados e mantêm outras informações sobre o banco de dados de origem. Todo agrupamento de dados tem apenas um publicador.

o Distribuidor: são servidores que distribuem os dados replicados. Os distribuidores armazenam o banco de dados de distribuição, os metadados, os dados históricos e (para replicação transacional) as transações.

o Assinante: são servidores de destino para replicações. Esses servidores armazenam os dados replicados e recebem atualizações. Os assinantes também podem fazer alterações em dados. Os dados podem ser publicados em múltiplos assinantes.

· Agentes e trabalhos de replicação: Aplicativos que auxiliam no processo de replicação.

· Variantes da replicação: São os tipos de replicação, sendo elas:

o Replicação Transacional: normalmente é usada em cenários de servidor para servidor que requerem alta taxa de transferência, incluindo: melhora da escalabilidade e disponibilidade; armazenamento de dados data warehouse e relatórios; integração de dados de vários sites; integração de dados heterogêneos e descarregamento de processamento em lote.

o Replicação de Mesclagem: é projetada principalmente para aplicativos móveis ou de servidor distribuído que possuem possíveis conflitos de dados. Os cenários comuns incluem: troca de dados com usuários móveis; aplicativos de POS (ponto de vendas) para o consumidor e integração de dados de vários sites.

o Replicação de Instantâneo (Snapshot): é usada para fornecer o conjunto inicial de dados para replicação transacional e de mesclagem. Ela também pode ser usada quando as atualizações completas de dados estiverem apropriadas.

A Figura 5 demonstra como ficaria a arquitetura da replicação.

Figura 5. Replicação

A replicação possibilita disponibilidade em tempo real e escalabilidade entre servidores. Suporta filtragem para fornecer um subconjunto de dados nos Assinantes e também permite atualizações particionadas. Os Assinantes ficam online e disponíveis para relatórios e outras funções, sem recuperação de consultas.

[subtitulo]Configurando Espelhamento de Banco de Dados[/subtitulo]

Agora que conhecemos as soluções disponíveis para disponibilidade de um banco de dados, vamos agora simular uma das soluções de disponibilidade que o SQL Server 2005/2008 fornece levando em consideração o seguinte estudo de caso: você é administrador de um banco de dados de uma empresa que vende seus produtos através da web. É preciso garantir a disponibilidade dos dados, sem qualquer tipo de interrupção. Analisando o ambiente do cliente, você decide implementar o espelhamento do banco com espera ativa.

Antes de aprendermos como criar um espelhamento no banco, vamos criar o banco de dados SQLMagazine e as tabelas que o compõem: PRODUTOS, CLIENTES e VENDAS (Ver Listagem 1). Para executar a Listagem 1, abra o SQL Server Management Studio, conecte-se na instância que será o serviço principal do espelhamento. Em seguida, na barra de ferramentas solicite uma nova query (Ver Figura 6).

Figura 6. Solicitando uma nova query

Listagem 1. Criando banco de dados e tabelas

USE [MASTER]
 GO
 -- CRIA O BANCO DE DADOS
 CREATE DATABASE SQLMagazine
 GO
  
 USE [SQLMAGAZINE]
 GO
 -- TABELA CLIENTE
 CREATE TABLE [dbo].[CLIENTE](
        [PKID] [int] IDENTITY(1,1) PRIMARY KEY CLUSTERED NOT NULL,
        [RAZAO_SOCIAL] [varchar](50) NULL,
        [NOME_FANTASIA] [varchar](50) NULL,
        [CPF_CNPJ] [varchar](18) NOT NULL,      
        [TIPO] [int] NULL,  
        [DATA_CADASTRO] [datetime] NOT NULL CONSTRAINT [DF_ DATA_CADASTRO]  DEFAULT (getdate()),
        [MUNICIPIO] [varchar](50) NULL,
        [ENDERECO] [varchar](60) NULL,
        [NUMERO] [varchar](7) NULL,
        [BAIRRO] [varchar](30) NULL,
        [COMPLEMENTO] [varchar](40) NULL,
        [CEP] [varchar](10) NULL
 )GO
  
 -- TABELA PRODUTO
 CREATE TABLE [dbo].PRODUTOS(
        [PKCODIGO] [varchar](20) PRIMARY KEY CLUSTERED NOT NULL,
        [VALOR_UNITARIO] [decimal](18, 2) NULL,
        [STATUS] [bit] NOT NULL,   
        [PRECO_VENDA] [decimal](18, 2) NOT NULL,
        [QTDE_ESTOQUE] [decimal](18, 4) NULL,   
        [DATA_VALIDADE] [datetime] NULL   
 )
 GO
  
 -- TABELA VENDA
 CREATE TABLE [dbo].[VENDA](
        [PKID] [int] IDENTITY(1,1) PRIMARY KEY CLUSTERED NOT NULL,
        [CLIENTE_PKID] [int] NULL,
        [PRODUTO_PKCODIGO] [varchar](20) NULL,
        [DATA_VENDA] [datetime] NULL,
        [QUANTIDADE] [decimal](18, 2) NULL,
        [VALOR_TOTAL] [decimal](18, 2) NULL     
 )
 GO
  
 -- CRIANDO O RELACIONAMENTO DAS TABELAS ENTRE VENDA/CLIENTE
 ALTER TABLE [dbo].[VENDA]  WITH CHECK ADD  CONSTRAINT [FK_VENDA_CLIENTE] 
 FOREIGN KEY([CLIENTE_PKID])
 REFERENCES [dbo].[CLIENTE] ([PKID])
 GO
  
 -- CRIANDO O RELACIONAMENTO DAS TABELAS ENTRE VENDA/PRODUTO
 ALTER TABLE [dbo].[VENDA]  WITH CHECK ADD  CONSTRAINT [FK_VENDA_PRODUTO_SERVICO] 
 FOREIGN KEY([PRODUTO_PKCODIGO])
 REFERENCES [dbo].[PRODUTOS] ([PKCODIGO])
 GO

Agora que possuímos nosso banco de dados, vamos preparar o nosso ambiente. É necessário ter uma atenção especial na preparação inicial do espelhamento de banco de dados, cuidando para atender todos os pré-requisitos. Sendo eles:

· Os servidores que você escolher para o espelhamento devem possuir a mesma edição do SQL Server 2005/2008. Sendo que as versões que permitem o espelhamento são SQL Server Enterprise e SQL Server Standard, para os papéis do banco principal e espelho. A terceira instância, que é responsável pelo failover, poderá utilizar as seguintes versões: SQL Server Express, SQL Server Workgroup. Para verificar as versões, você deve executar uma consulta em todas as instâncias que serão utilizadas. Para tal, abra uma nova query (Figura 6), digite e execute a consulta mostrada na Figura 7.

Figura 7. Verificando a versão do SQL Server

Verifique se todos os servidores estão se comunicam. Está verificação pode ser feita dando um ping nos servidores através dos seguintes passos:

o Menu Iniciar -> Executar;

o Digite CMD;

o Na janela que aparece, digite ping [Nome Servidor], conforme pode ser visualizado na Figura 8.

Figura 8. Verificando a comunicação

Repita o processo nos outros servidores, disparando o comando de um para outro, por exemplo, ping SRV01 – no servidor SRV02; ping SRV02 – no servidor SRV01.

O banco de dados principal deve estar configurado com o modo de recuperação FULL. Execute a Listagem 2 em uma nova query para configurar está opção.

Listagem 2. Alterando o modo de recuperação

USE [master]
 GO
 ALTER DATABASE [SQLMagazine] SET RECOVERY FULL
 GO

Após concluir os pré-requisitos, poderemos iniciar a configuração do espelho do banco de dados. Em uma ambiente de produção, o ideal é que cada instância esteja em máquinas diferentes, mas a título de teste você pode instalar três instâncias na mesma máquina.

Para iniciar o processo, conecte-se na instância que será o principal. Deve-se realizar um backup completo e um backup de log. Este backup será restaurado na instância que será o espelho, isto é necessário para sincronizar as informações. Após o backup, o ideal é que nenhum aplicativo adicione novos dados no banco principal. Para realizar os backups, execute a Listagem 3 em uma nova query.

Listagem 3. Realizando o backup do banco de dados SQLMagazine

USE [master] 
 GO
 -- BACKUP COMPLETO
 BACKUP DATABASE SQLMagazine TO DISK='C:\Backup\BKPSQLMagazine.bak' WITH INIT
 GO
  
 -- BACKUP DO LOG
 BACKUP LOG SQLMagazine TO DISK='C:\Backup\BKPLOG_SQLMagazine.trn' WITH INIT
 GO

Com os backups realizados, o próximo passo é restaurá-los na instância que será o espelho. Copie os arquivos para o servidor espelho, conecte-se na instância que possuíra o espelho do banco. Abra uma nova query e execute o código da Listagem 4.

Listagem 4. Restaurando o banco de dados SQLMagazine no servidor espelho

USE [master] 
 GO
 -- RESTAURANDO OS ARQUIVOS
 RESTORE DATABASE SQLMagazine FROM DISK='C:\Backup\BKPSQLMagazine.bak' WITH NORECOVERY
 GO
 -- RESTAURANDO O LOG
 BACKUP LOG SQLMagazine TO DISK='C:\Backup\BKPLOG_SQLMagazine.trn' WITH REPLACE, NORECOVERY
 GO

Ao restaurar o banco de dados espelho, verifique se o banco de dados possui o mesmo nome do banco principal, e a restauração deve ser no modo WHIT NORECOVERY, conforme Listagem 4. Se possível, o caminho do banco de dados espelho deve ser idêntico ao caminho do banco de dados principal. Se os caminhos não forem idênticos, será necessário adicionar a opção MOVE na instrução de restauração (ver Listagem 5).

Listagem 5. Restaurando o banco de dados (MOVE)

USE [master] 
 GO
 RESTORE DATABASE SQLMagazine FROM DISK='C:\Backup\BKPSQLMagazine.bak' WITH REPLACE,NORECOVERY,
 MOVE 'SQLMagazine_Data' TO 'F:/Dados/SQLMagazine_Data.mdf',
 MOVE 'SQLMagazine_Log' TO 'F:/Dados/SQLMagazine_Log.ldf'
 GO

Concluída esta etapa, você deverá possuir uma imagem semelhante à Figura 9 na instância do banco de dados espelho.

Figura 9. Banco de Dados Espelho

Com o servidor espelho preparado, retornaremos para o servidor principal para configurar o espelhamento. Para isto, conecte-se na instância que possui o banco principal. No Object Explore, clique com o botão direito no banco, nas opções que aparecem selecione Task à Mirror (Figura 10).

Figura 10. Acessando a opção de criação de Espelho (Mirror)

Em seguida, aparecerá uma nova janela (Figura 11) onde você configurará a conexão entre os servidores e modo de operação, que poderá ser escolhido uma das três opções disponíveis. Após a configuração do espelhamento elas serão habilitadas. As opções disponíveis são:

  • High Availability: Para maximizar o desempenho, o banco de dados espelho fica sempre um pouco atrás do banco de dados principal, isto é, há uma demora para sincronizar todos os dados do banco. Porém, a lacuna entre os bancos de dados é geralmente pequena. A perda de um parceiro tem o seguinte efeito:
    • Se a instância do servidor espelho ficar indisponível, o principal continuará.
    • Se a instância do servidor principal ficar indisponível, o espelho irá parar; mas se a sessão não tiver um servidor testemunha (como recomendado) ou se o servidor testemunha estiver conectado ao servidor espelho, o servidor espelho ficará acessível como espera passiva e o proprietário do banco de dados poderá forçar o serviço para a instância do servidor espelho (com possível perda de dados).
  • High Protection: Todas as transações confirmadas têm a garantia de serem gravadas no disco do servidor espelho. O failover manual é possível quando os parceiros estão conectados um ao outro e o banco de dados está sincronizado. A perda de um parceiro tem o seguinte efeito:
    • Se a instância do servidor espelho ficar indisponível, o principal continuará.
    • Se a instância do servidor principal ficar indisponível o espelho irá parar, mas ficará acessível como espera passiva e o DBA poderá forçar a inicialização do serviço do servidor espelho (com possível perda de dados).
  • High Performance: Todas as transações confirmadas têm a garantia de serem gravadas no disco no servidor espelho. A disponibilidade é maximizada incluindo uma instância do servidor testemunha para dar suporte ao failover automático. Observe que você só pode selecionar a opção Alta segurança com failover automático (síncrono) se tiver antes especificado o endereço de um servidor testemunha. Na presença de um servidor testemunha, a perda de um parceiro tem o seguinte efeito:
    • Se a instância do servidor principal ficar indisponível, ocorrerá failover automático. A instância do servidor espelho é alternada para a função principal e oferece seu banco de dados como banco de dados principal.
    • Se a instância do servidor espelho ficar indisponível, o principal continuará.

Feito isso, clique no botão Configure Security... (Figura 11). Aparecerá um Wizard que ajudará a configurar o espelhamento. Clique next nesta primeira janela.

Figura 11. Configurando o espelho

A primeira etapa a ser configurada é se a sessão de espelhamento possuirá um servidor de testemunha. No nosso exemplo, precisamos do failover automático, então selecionaremos a opção Yes. Clique em next. Aparecerá uma lista com os servidores que deverão fazer parte do espelhamento (Figura 12). Deixe as opções padrão e clique em next.

Figura 12. Servidores que serão configurados

A próxima etapa consiste em criar as conexões entre os servidores. Para tal, o SQL Server criará um endpoint, que é um objeto que permite a comunicação entre a rede. Quando o espelhamento é configurado, a instância requer seu próprio e dedicado endpoint mirroring, que é usado exclusivamente para receber a comunicação entre os bancos de dados (principal, espelho e testemunha). As Figuras 13, 14 e 15 mostram essa configuração. Você deverá identificar cada instância SQL Server que irá participar e informar uma porta (se as instâncias estivem em máquinas diferentes pode deixar a porta default; caso contrário deverá informar portas diferentes). Para a conexão nos servidores, utilize Windows Authentication se estiverem no mesmo domínio, senão utilize a SQL Authentication, informando um usuário e senha.

Figura 13. Principal Server

Figura 14. Server Mirror

Figura 15. Server Witness

Após terminar de configurar o Witness e clicar em next, aparecerá uma janela pedindo para informar a conta que deve iniciar o serviço (Figura 16). Se a mesma conta iniciar todos os serviços ,você poderá deixar as caixas em brancos, caso contrário deverá informar uma conta que possua permissões de acesso em todos os servidores.

Figura 16. Contas de Serviço

Clique em next, aparecerá uma listagem com todos as configurações que foram efetuadas. Se estiver tudo de acordo clique em Finish, e o SQL Server irá criar todas as configurações. Se tudo estiver correto você verá a Figura 17.

Figura 17. Finalizando a criação dos endpoints

Ao clicar em close, aparecerá uma mensagem se você deseja iniciar o espelhamento (Ver Figura 18).

Figura 18. Iniciando o espelhamento

Clique no botão iniciar, para que o espelhamento comece. Como configuramos um servidor testemunha, ele iniciará com o modo High Performance. Se tudo estiver ocorrido bem você verá a seguinte imagem no Object Explorer (Figura 19).

Figura 19. Verificando o espelhamento

Pronto! O espelhamento está configurado e iniciado. Agora você pode inserir, alterar ou excluir os dados ou criar novas tabelas, que as mudanças serão refletidas para o banco espelho. Para testar isto, vamos criar uma nova tabela, bem simples, apenas para teste. Execute a Listagem 6 para criar uma nova tabela no banco de dados principal.

Listagem 6. Criando uma nova tabela

USE [SQLMagazine] 
 GO
  
 CREATE TABLE TB01(
       COD INT NOT NULL
 )
 GO

Vamos verificar agora se a tabela foi replicada para o banco espelho. Iremos parar o serviço do banco de dados principal. Com a interrupção do serviço, deverá ocorrer um failover automático para o banco espelho. Para isto, selecione com o botão direito do mouse na instância principal. Nas opções que aparecem cliquem em Stop (Figura 20).

Figura 20. Parando serviço do banco principal

Atualize as instâncias e poderá ser verificado que agora quem está como principal é a segunda instância (Figura 21).

Figura 21. Verificando o failover

Conforme podemos visualizar na Figura 21, a segunda instância assumiu os serviços do banco principal. Verificamos também que a tabela que foi criada no banco principal foi replicada para o espelho, possuindo a mesma estrutura, dados e informações. É possível visualizar que ao lado do banco vemos o status do banco, que aparece SQLMagazine (Principal, Disconnected). A mensagem Desconectado aparece por que o outro parceiro ainda não está no ar. Quando iniciarmos o serviço novamente, os bancos ficarão como a tela mostrada na Figura 19, apenas com os papéis trocados.

O espelhamento é útil quando os dados devem estar sempre disponíveis. Assim poderemos ter uma alternativa rápida de troca de serviços quando um problema acontece ou quando o servidor principal precisa passar uma manutenção, que exigem deixá-lo indisponível.

[subtitulo]Conclusão[/subtitulo]

A alta disponibilidade tem como objetivo eliminar as paradas não planejadas. Paradas não planejadas ocorrem por defeitos, já as paradas planejadas são normalmente por causa de atualizações, manutenção preventiva e atividades correlatas.

Desta forma é preciso identificar primeiramente todas as necessidades de negócios da empresa para que se possa definir a correta opção de alta disponibilidade. No artigo foram apresentadas, de forma resumida, as diversas opções que o SQL Server disponibiliza para a alta disponibilidade dos dados, assim como foi demonstrado como é configurado um espelhamento do banco de dados, que é uma das opções de alta disponibilidade. Possuindo assim as informações em outro servidor que poderá assumir o papel de principal sem que os usuários percebam e sem grandes transtornos.

[nota]Links

Books Online SQL Server 2005
http://msdn.microsoft.com/en-us/library/ms130214.aspx

Artigo “Cluster de Failover”.
http://technet.microsoft.com/pt-br/library/cc725923.aspx

Artigo “Replicação do SQL Server”.
http://msdn.microsoft.com/pt-br/library/ms151198.aspx

Artigo “Visão Geral: Envio de Logs”.
http://msdn.microsoft.com/pt-br/library/ms187103.aspx

Artigo “Visão geral do espelhamento de banco de dados”.
http://msdn.microsoft.com/pt-br/library/ms187103.aspx

Artigo “Database Mirroring – Configurando Alta disponibilidade no Banco de Dados”, escrito por Nilton Pinheiro.
http://www.mcdbabrasil.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=336[/nota]

 
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