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Do que se trata o artigo:

Neste artigo será apresentado um breve histórico da criptografia, que é a arte (ou ciência) que permite tornar uma mensagem incompreensível para pessoas que não estejam autorizadas a recebê-la. Para tanto, podem ser utilizadas duas chaves distintas (criptografia assimétrica) ou uma única chave (criptografia simétrica). Em ambas as abordagens serão exemplificados os procedimentos empregados, bem como os principais algoritmos conhecidos. Também serão descritos os mecanismos que permitem a confidencialidade, a autenticidade, a integridade e o não-repúdio, e como estes são assegurados pelo uso dos sistemas criptográficos.


Em que situação o tema é útil:

Os pontos destacados neste artigo serão úteis para a compreensão dos conceitos básicos relativos aos sistemas criptográficos, certificados digitais e infraestrutura de chave pública, presentes em diversas aplicações Web, no correio eletrônico, no comércio eletrônico, na troca sigilosa de dados entre redes de diferentes corporações (redes virtuais privadas), entre outras.

Resumo DevMan:

Desde os tempos antigos, a comunicação sigilosa sempre foi uma necessidade e um fator estratégico. A troca de mensagens confidenciais durante as grandes guerras foi decisiva para os rumos tomados pela humanidade e também impulsionou a evolução dos sistemas criptográficos. O advento da Internet e sua posterior adoção comercial criaram novas demandas para a segurança da informação: confidencialidade, autenticidade, integridade e não-repúdio. Desta forma, este artigo tem por objetivo descrever os fundamentos da criptografia simétrica e assimétrica, os diferentes algoritmos conhecidos e os desafios computacionais relacionados ao processamento de suas operações matemáticas, bem como apresentar os certificados digitais e a infraestrutura de chave pública criada para o gerenciamento e a distribuição destes certificados.

A origem do termo criptografia está nas palavras gregas que significam escrita sigilosa. Muitos pesquisadores consideram a criptografia tão antiga quanto à própria escrita: os primeiros registros de sua utilização datam de 1.900 a.C., no antigo Egito. Durante muito tempo, o sucesso de sua utilização dependeu exclusivamente da habilidade de seus usuários em realizar os procedimentos que geravam a mensagem cifrada, pois a criptografia foi amplamente divulgada somente na década de 1970, com o surgimento dos computadores.

Neste artigo, serão descritos os sistemas criptográficos modernos que utilizam uma única chave, também denominados simétricos, as operações realizadas para criação do texto cifrado, os diferentes algoritmos empregados e as principais vantagens e desvantagens da utilização desta abordagem. Posteriormente, serão expostos os sistemas baseados em duas chaves, conhecidos como assimétricos, a maneira como asseguram a confidencialidade, a autenticidade, a integridade e o não-repúdio, e as características básicas dos algoritmos conhecidos. Por fim, serão apresentados os certificados digitais e a infraestrutura de chave pública criada para gerenciamento e distribuição destes certificados.

Introdução a criptografia

A criptografia é a arte (ou ciência) que permite tornar uma mensagem ou informação incompreensível para pessoas que não estejam autorizadas a recebê-la, ou seja, esta se caracteriza pela escrita em código ou cifras. A tentativa de recuperação do conteúdo criptografado, sem a autorização de seu originador, é chamada de criptoanálise, ou mais popularmente, de ataque.

A origem do termo criptografia está nas palavras gregas kryptós (escondido ou oculto) e graphos (escrita). A cifragem da informação ocorre quando a mensagem original (também denominada texto claro) é disfarçada e oculta em códigos sem significado aparente, produzindo o texto criptografado (cifrado). Este pode ser transformado novamente em texto legível através do processo de decifragem (Figura 1).

Figura 1. Processos de cifragem e decifragem de uma mensagem.

Muitos pesquisadores consideram a criptografia tão antiga quanto à própria escrita. Segundo Jorge Loureiro Dias, em seu artigo Desenvolvimento Histórico da Criptografia, os primeiros registros de sua utilização datam de 1.900 a.C., no antigo Egito. Nesta época, o faraó Khnumhotep II substituía trechos das escritas em argila que indicavam o caminho para seus tesouros armazenados nas pirâmides, possibilitando somente aos sacerdotes decifrá-las. Entre 600 e 500 a.C., os hebreus utilizaram um mecanismo simples, de substituição de uma letra por outra (conhecido como cifra de Atbash), para escrever o livro do Profeta Jeremias. Na Índia, o famoso livro erótico Kama-sutra, escrito pelo sábio hindu Vatsyayana, indicava as comunicações secretas, sejam escritas ou faladas, como uma das artes que as mulheres deveriam conhecer e praticar.

Na Roma Antiga, o imperador Júlio César utilizava um método para cifrar suas mensagens e enganar seus inimigos. O algoritmo simplesmente substituía as letras do alfabeto por outras localizadas três posições à frente. A Figura 2 ilustra um exemplo de uma ordem cifrada segundo a técnica usada por Júlio César.

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