Spring Data e o padrão Specification
O Spring Framework é uma ferramenta de grande sucesso dentro do mundo Java. Para alcançar esse reconhecimento, vários dos seus recursos são projetados com a finalidade de simplificar o dia a dia dos programadores, fazendo com que eles utilizem princípios básicos de orientação a objetos, como herança, polimorfismo, baixo acoplamento, alta coesão e reuso. Com a intenção de fornecer facilidades de implementação aos desenvolvedores, o Spring teve sua arquitetura desenvolvida com base em diversos padrões de projeto. Ao mesmo tempo, ele incentiva seus usuários na adoção de padrões para que eles obtenham uma maior qualidade e produtividade no desenvolvimento de suas aplicações. Esse incentivo pode ser visto em recursos como Injeção de Dependências, Inversão de Controle, Model View Controller (por meio do Spring MVC) e o padrão Repository (por meio do Spring-Data).
Esse último é uma excelente opção para desenvolver a camada de acesso a dados em aplicações Java. O padrão Repository, no Spring-Data, faz com que o desenvolvedor programe apenas interfaces com as assinaturas dos métodos de consulta. Deste modo, o Spring-Data se encarregará da implementação desses métodos em tempo de execução. Para isso, as consultas são basicamente escritas por palavras-chave adicionadas ao nome do método, ou então, por código JPQL incluído em uma anotação do tipo @Query em sua assinatura. As consultas via Repository podem, ainda, serem substituídas ou desenvolvidas paralelamente com o padrão de projeto Specification.
Esse padrão tem como objetivo flexibilizar as regras existentes na construção de consultas a bancos de dados. Por exemplo, um método básico de consulta poderia receber como argumento um objeto do tipo Integer para recuperar uma entidade por um id. Mas esse mesmo método, tendo um Integer como argumento, não poderia receber como parâmetro um objeto String na tentativa de recuperar uma entidade por nome. Dessa forma, um novo método de consulta precisaria ser implementado para aceitar um parâmetro do tipo String.
Pensando nisso, o Specification é empregado como uma solução que visa separar as regras usadas na criação das consultas, possibilitando ter, por exemplo, um único método na camada de persistência que execute as consultas planejadas. Nesse cenário, as regras são encapsuladas em objetos chamados de predicados, que executam um papel específico dentro do padrão: representar um argumento do método de consulta na camada de persistência.
Aproveitando essa facilidade, o Spring-Data JPA já oferece parte do padrão Specification implementado. Assim, se torna mais fácil para o desenvolvedor trabalhar com ele, sendo necessário apenas criar algumas classes que definem mais especificamente quais ações devem ser executadas. Esse processo será apresentado durante o artigo, para que o leitor tenha uma introdução ao uso do padrão de projeto Specification junto com o Spring-Data JPA.
Padrões de Projeto
Como este artigo tem o objetivo de abordar o padrão Specification, elaborado por Eric Evans, é interessante saber um pouco mais sobre o que são padrões de projeto. Apresentados pela primeira vez em 1977, os padrões foram criados por Christopher Alexander, que publicou um catálogo com cerca de 250 padrões que discutiam questões comuns da arquitetura civil, descrevendo em detalhes o problema e as justificativas de cada solução.
Com o tempo, a área de desenvolvimento de software também passou a ter os seus próprios padrões. Tais elementos surgiram com objetivos semelhantes aos propostos por Alexander, a saber: explorar um problema, buscar uma solução e fornecer um mo ...
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