Artigo do tipo Teórico

Para que serve este artigo

Neste artigo serão explorados os motivos e as causas que levaram a população mundial a se preocupar cada vez mais com o descarte, a poluição e o consumo que os produtos de tecnologia atualmente podem produzir, estabelecendo-se então uma ponte entre o que efetivamente pode ser feito para que o impacto ambiental seja o menor possível sem afetar demasiadamente o crescente uso de tais produtos tecnológicos.

Em tempos de aquecimento global, ao saber da existência de empresas que utilizam tecnologias limpas, o usuário e consumidor de produtos tecnológicos poderá optar por produtos que agridam menos o meio ambiente, sem abrir mão do seu conforto e do que a tecnologia pode lhe oferecer.

É inegável, nos dias de hoje, a importância que a tecnologia tem na humanidade. Nossa vida foi e é completamente modificada por conta das incríveis evoluções que vivenciamos ao longo do tempo, e temos que admitir que nossas vidas ficaram muito mais fáceis com ela. Divertidas, até. Através desta tecnologia podemos ter acesso a inúmeros conteúdos que jamais teríamos a oportunidade de conhecer, seja pelo acesso, seja pela distância ou mesmo pela falta de oportunidade; podemos nos conectar a pessoas que estão fisicamente distantes, mas trabalhando juntas com o mesmo objetivo, ao mesmo tempo (real-time); podemos conhecer pessoas, nos divertir, trabalhar, opinar, protestar. A chamada Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), ou simplesmente Tecnologia da Informação (TI), que pode ser definida como o conjunto de todas as atividades, recursos e soluções provenientes da Informática, veio para ficar.

Mas, como tudo na vida, os efeitos desta evolução sem precedentes no mundo estão sendo mostrados nos últimos anos: estamos consumindo demais. O crescimento cada vez mais rápido da população mundial, juntamente com o aumento da expectativa de vida, acabou por gerar uma grande dependência humana no consumo de energia fóssil. E não estamos utilizando em demasia apenas os recursos naturais do planeta (como especialistas ao redor do mundo alertam há tempos), mas também estamos “consumindo” muita tecnologia. Se antes equipamentos tecnológicos eram caros (chegando a custar milhões de dólares) e pesados (computadores simples pesavam mais que automóveis), hoje a facilidade de aquisição de dispositivos e a mobilidade fazem com que seja cada vez mais comum adquirir novos computadores, telefones, vídeo games e gadgets em geral. O resultado, para a economia mundial, é extremamente animador e próspero. Mas para o planeta, pode ser desastroso.

Esta última afirmação é atual e urgente, e no nosso dia a dia uma constante e péssima lembrança do caminho que estamos tomando e que pode afetar negativamente nosso futuro próximo. O planeta pode não conseguir dar conta de tanto lixo eletrônico gerado e acumulado pelo homem, tendo em vista que, até alguns anos, o descarte de um equipamento tecnológico era algo raro, pois a reposição total deste era muito custosa (era sempre preferível “consertar” algo que estava quebrado). Atualmente, funciona-se no esquema: “quebrou, compra outro”. Vale lembrar também que não existe o chamado “jogar fora”. Para o planeta, não existe “o fora”, pois o lixo não desaparece no ar – ele continua armazenado e acondicionado no mesmo planeta que vivemos. Segundo dados da ONU, divulgados no início do ano, o Brasil é o 4° no ranking dos países que mais produzem lixo eletrônico no mundo, e o 1° entre os países emergentes.

A crise econômica global dos últimos anos, que afetou a todos os países no mundo, inclusive o Brasil, acabou por colocar um pequeno freio no consumo em geral. Nos EUA e na Europa, muitas empresas tiveram quedas bruscas nas vendas de seus produtos tecnológicos, mas ainda assim isso não foi suficiente para diminuir a sede de consumo por novidades tecnológicas da população mundial. A economia vem se recuperando aos poucos no mundo, e especialmente no Brasil a crise econômica não chegou a afetar gravemente o consumo, tanto que a venda de computadores, celulares e gadgets em geral só tem crescido nos últimos anos.

Observando-se o lado ambiental da questão, são diversos os problemas presentes: emissão desenfreada de gases poluentes, efeito estufa, aquecimento global, buracos na camada de ozônio, entre muitos outros. A lista é grande para um planeta só. E a tecnologia, infelizmente, contribui para tais problemas, uma vez que ela é uma das grandes responsáveis pelo consumo dos recursos naturais do planeta. Entra na conta a energia consumida durante o processo de produção de um determinado produto, bem como o desperdício de energia causado principalmente pelos aparelhos eletrônicos (computadores mais antigos, sem recursos de economia de energia, chegam a desperdiçar metade da energia que consomem). Também entram na conta o consumo e tráfego de dados na Internet. A maioria dos datacenters das empresas de tecnologia ainda funciona sem uma preocupação verde, pois costumam consumir vastos montantes de energia, algumas vezes de forma irresponsável (funcionando na capacidade máxima sem necessidade, 24 horas por dia, não importando qual seja a real demanda). Esse desperdício pode chegar a números da ordem de 90% da energia consumida, de acordo com estudos recentes na área.

Para dar conta de toda a demanda mundial atual, as empresas de tecnologia tendem a consumir cada vez mais energia. As centrais de processamento norte-americanas, por exemplo, são responsáveis por ¼ (um quarto) do consumo mundial de energia de todos os datacenters do mundo. O número é assustador: juntas, elas consomem 30 bilhões de watts (veja BOX 1) de eletricidade, o equivalente em números a 30 usinas nucleares juntas. No Vale do Silício, a meca mundial da tecnologia e inovação, muitas das centrais de processamento de dados hospedadas ali estão incluídas no Inventário de Contaminantes Tóxicos do Ar, que consiste em um documento governamental americano que lista os principais causadores de poluição, em função do uso de diesel para os geradores que protegem os datacenters de quedas de energia.

BOX 1. Watt
Uma medida de consumo total, independente da voltagem e da amperagem. A potência elétrica é medida em watts. Num sistema elétrico, a potência (P) é igual à tensão (V) multiplicada pela corrente (I). Normalmente a conta de luz vem em kilowatt/hora, ou KWh, que corresponde a 1000 watts

Os usuários também têm sua parcela de responsabilidade. Atualmente, todo tipo de dispositivo eletrônico (como televisores, videogames, reprodutores de blu-ray, decodificadores de TV por assinatura, dentre muitos outros) possuem o chamado modo Stand-by, que deixa o equipamento com baixo consumo e pronto para uso mais rapidamente do que se não estivesse ligado na tomada. Estudos no Brasil mostram que uma família pode economizar até 18% em sua conta somente desligando os equipamentos da tomada quando não utilizados. Diversas práticas do dia a dia mostram que nossa rotina contribui para esse consumo, a saber: deixar o monitor ligado sem estar na frente do computador; deixar equipamentos no Stand-by, conforme citado anteriormente; e deixar o carregador ligado na tomada, mesmo com o celular já carregado, ou mesmo sem o celular conectado a ele. Ainda que mínima, estudos recentes mostram que deixar cerca de 10 dispositivos plugados simultaneamente durante todo o mês (quantidade média de uma família de cinco pessoas), como carregadores de celulares ou aparelhos em Stand-by, chega-se a gerar desperdícios diários de cerca de 0,84 kWh, ou aproximadamente 25 kWh por mês. Considerando os valores atuais do KWh no Brasil (R$ 0,40), aproxima-se do valor de R$ 10,00 por mês a mais na conta de luz – ou R$ 120,00 por ano. Além disso, outras práticas não muito recomendáveis são constantemente executadas, como não fazer a correta configuração do computador, de modo que ele possa funcionar com melhor desempenho e economizando energia, além de evitar realizar impressões desnecessárias, quando se poderiam salvar determinados documentos em PDF, gerando economia de tinta, papel e energia.

Por conta desse problema, diversas empresas, cientistas, grupos, organizações não governamentais (ONGs) e até mesmo pessoas comuns têm apostado suas fichas na chamada “Tecnologia Verde”, que engloba um grupo de métodos, técnicas e práticas em constante evolução, para que sejam gerados produtos que causem menos impacto ambiental. Também chamada de “TI Verde”, essa visão da tecnologia com respeito ao meio ambiente está se tornando uma tendência mundial, e envolve desde a utilização mais eficiente e consciente de energia, recursos e insumos na produção de equipamentos tecnológicos, bem como a criação de produtos que não agridam o meio ambiente e que impactem o menos possível ao final de sua vida útil e consequente descarte. Se vamos continuar consumindo, então que seja de modo mais consciente e com menor agressão ao planeta. Para que consigamos nos beneficiar dos avanços tecnológicos mantendo o respeito ao meio ambiente, este artigo irá apresentar o que as empresas têm feito para poder impactar cada vez menos o planeta e o que você pode fazer para contribuir com essa nova visão de consumo.

A onda da Tecnologia Verde

Assim como todas as atividades humanas, a TI também provoca impactos no meio ambiente, seja pela demanda de materiais a serem utilizados ou pela quantidade de energia elétrica a ser empregada na fabricação de equipamentos. Neste aspecto, podemos observar um crescente número de empresas cada vez mais preocupadas em empregar ações que impactem menos no planeta. Daí surge o conceito de Tecnologia Verde.

A Tecnologia Verde, ou TI Verde, tem ganhado bastante espaço nas discussões sobre o meio ambiente no mundo inteiro. Ela está ligada, primordialmente, aos processos de administração, fabricação de componentes, utilização de equipamentos e descarte do lixo eletrônico produzido. Assim, a TI Verde pode estar presente na fabricação do produto, tentando evitar a utilização de metais pesados para sua criação, ou ainda que determinado equipamento consuma mais energia. Além disso, a Tecnologia Verde pode garantir que, durante o processo de fabricação, o produto apresente menos componentes químicos. Ela preocupa-se também em regular a quantidade de gases poluentes emitidos durante este processo. Ou seja, tudo o que puder ser feito para reduzir o impacto no meio ambiente durante a fabricação de um determinado equipamento ou produto.

Esse assunto é tão importante que o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) – endereço disponível na seção Links –, que consiste em uma “ferramenta para análise comparativa daperformancedas empresas listadas na BM&FBOVESPA sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.”. As empresas que detém ações mais líquidas na bolsa foram convidadas a participar do projeto, que pretende ser um painel de como tais empresas estão lidando com as questões do desenvolvimento sustentável. Dentre as empresas convidadas, algumas responderam ao chamado e utilizaram a ferramenta, como a CCR (Concessionária de Rodovias), EDP Energias do Brasil, Eletropaulo e Natura. Além desta, outra iniciativa que prova que este assunto tem sido tratado com extrema importância é o fato de que, desde 2009, a TI Verde é tema inserido no currículo do Curso Tecnológico de Redes de Computadores na Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), com o objetivo de formar profissionais sob a ótica da responsabilidade socioambiental.

Grandes empresas sabem que esta questão, além de lidar diretamente com o planeta, pode influenciar diretamente nos negócios (positivamente quando tratada com transparência e seriedade, e negativamente quando deixada de lado). Tanto que algumas delas executam o chamado Deep IT (algo como TI Verde a Fundo) nas suas práticas empresariais. Este conceito indica estratégias de redução de consumo bem antes da construção de um edifício, por exemplo. Estratégia mais ampla de respeito à natureza, incorpora no projeto a implementação de uma estrutura na qual o seu parque tecnológico maximize ao máximo seu desempenho com o menor gasto elétrico possível – e isto inclui implementação de projetos de sistemas de refrigeração e iluminação, além do projeto de disposição dos equipamentos no local. O Google é um exemplo de empresa que pratica de forma maciça estes conceitos, pois costuma executar ações que incluem a construção de seus datacenters seguindo os preceitos indicados anteriormente, além de outras iniciativas, como o deslocamento de seus funcionários em veículos híbridos e captação de energia alternativa, como a energia solar, para alimentação de seus escritórios e datacenters (na foto da Figura 1, o datacenter da Bélgica). E o Google precisa mesmo buscar alternativas verdes. Dados revelados recentemente na Internet mostram que as centrais de processamento de dados do Google consumem aproximadamente 300 milhões de watts. Apenas para fins de comparação, o Facebook consome, segundo o mesmo estudo, 60 milhões de watts.

Outra empresa que também adota este tipo de postura é o Yahoo!, que incentiva o consumo consciente de seus funcionários, usa a virtualização de seus servidores, implanta gestão do consumo elétrico baseado no resfriamento de seus equipamentos, e sempre procura criar planos ambientais completos na implantação de datacenters, desde sua elaboração até a sua execução, de acordo com as normas ambientais locais.

Figura 1. Data Center do Google na Bélgica, que utiliza o próprio clima local para esfriar a água sem energia elétrica.

Em tecnologia, um dos recursos mais utilizados nas empresas citadas anteriormente, e também amplamente adotada por diversas empresas de TI e que definitivamente se caracteriza como uma das ações que mais trazem benefícios para o consumo consciente é a virtualização. Podemos defini-la rapidamente como a criação de um ambiente virtual que faz a simulação de um ambiente real, como outra máquina ou outro sistema operacional, por exemplo. Com a crescente necessidade de se reduzir os custos e evitar o desperdício de energia, pode-se utilizar um software que emule uma máquina virtual como um servidor físico (criando, assim, um ambiente isolado e independente da máquina “real”), ou seja, podem-se executar diversos sistemas operacionais em um único equipamento, comportando-se como um computador independente. Assim, elimina-se o consumo energético de diversas máquinas físicas, pois com a virtualização, um servidor pode manter vários sistemas operacionais em uso, inclusive reduzindo-se a quantidade de mão de obra técnica.

Outra tecnologia recente que contribui para frear o alto consumo de matérias primas e energia é o Cloud Computing (Computação na Nuvem). Um dos atuais “mantras” das empresas de TI, com ela pode-se armazenar uma grande quantidade de arquivos e documentos, de forma segura, em servidores alocados em grandes datacenters criados especialmente para este fim. Além de proporcionar uma enorme redução no consumo de energia (afinal, são usados menos máquinas no parque de TI), os gastos com TI serão menores, uma vez que se pode contratar o serviço pronto sem a necessidade da montagem de todo um ambiente para guardar os dados.

Bons exemplos de Tecnologia Verde

O consumo de energia fóssil, como o petróleo, é uma das principais preocupações mundiais entre os especialistas. Extremamente dependente deste tipo de combustível, países desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão e outros lideram estudos para criar alternativas para ter outras fontes de energia para o seu consumo. Algumas iniciativas, ao que parece, estão saindo do papel e virando realidade para o consumo em massa, e não apenas restrito a testes de laboratório. Um exemplo são os chamados carros híbridos e/ou elétricos, que funcionam com vários tipos de combustíveis, conforme mostra a Figura 2. Segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers(PwC), dados indicam que até 2020 um em cada 16 carros vendidos no mundo será um “carro verde”, projetando um crescimento acentuado nos automotivos com selo verde. Até o final da década, afirma a PwC, os carros verdes vão representar 6,3% do mercado mundial automotivo. Embora o número pareça pequeno, é um crescimento muito grande em relação aos anos anteriores.

Figura 2. Estação de recarga, fundamental para a popularização da tecnologia de carros ecológicos.

Boas notícias sobre o assunto estão sendo mostradas a todo o momento. Uma startup britânica que está incubada na Universidade de Oxford, na Inglaterra, criou um produto genial que pode ser determinante nos próximos anos para a geração de energia solar, um dos pilares da Tecnologia Verde: um vidro transparente e colorido, que possui a capacidade de gerar energia elétrica a partir da luz solar. Com isso, cientistas da Oxford Photovoltaics (como Henry Snaith, na Figura 3) mostram que será possível cobrir toda a fachada de um prédio para que ela possa gerar energia suficiente para a edificação se manter autônoma no consumo de energia.

Figura 3. Henry Snaith, da Oxford Photvoltaics.

Outra boa iniciativa vem de uma conhecida escola de inglês. A partir deste ano, os alunos do curso não usarão mais os CDs com aulas e exercícios que acompanham os livros didáticos, mas sim uma ferramenta chamada de CyberFisk, uma plataforma onde poderão ter acesso a todo o conteúdo dos antigos CDs, inclusive os conteúdos de estágios anteriores – ou seja, além das aulas do período/etapa que estão cursando, os alunos poderão voltar às etapas anteriores para revisar seu conteúdo, por exemplo. Com isso, a empresa deixará de produzir 16 toneladas de plástico, com a redução à zero de 500 mil CDs/ano para os cursos de inglês, espanhol e português para estrangeiros.

Iniciativas por parte do governo também existem. No Rio de Janeiro, por exemplo, foi criada em outubro de 2011 a primeira Fábrica Verde, um projeto da Secretaria de Estado do Ambiente para áreas carentes do estado, que consiste em transformar lixo eletrônico em inclusão digital, através do reaproveitamento de computadores, monitores e impressoras. Atualmente, a Fábrica Verde está em funcionamento em duas unidades no estado: uma no Complexo do Alemão e outra na Rocinha. Os alunos do projeto aprendem conceitos de montagem e manutenção de microcomputadores e também a reciclar equipamentos e peças que são doados pelos moradores, empresas públicas e privadas. A cada três máquinas doadas, os jovens produzem um computador em condição de uso, que normalmente é doado para tele centros comunitários e outros espaços. Como incentivo, os jovens recebem uma bolsa de ajuda de custo durante o período do curso, e ao final dele, alguns podem ser escolhidos para trabalhar como monitores do projeto. De acordo com o governo, depois de reaproveitar cerca de 2.000 computadores, o Estado irá economizar cerca de 6 milhões de reais, só na não aquisição de novas máquinas.

Em pleno século XXI, com a tecnologia evoluindo mais rápido a cada dia e com os preços mais acessíveis, é bastante comum que um usuário possua diversos gadgets eletrônicos. E definitivamente um dos maiores pesadelos para esse grupo de pessoas consiste em ficar longe de uma tomada para poder carregar seus dispositivos, sempre ávidos por uma recarga. Para este grupo de pessoas, já existe um carregador universal que permite carregar diversos dispositivos eletrônicos usando apenas energia solar. Portátil e ecologicamente correto, o Universal Solar Charger (ver Figura 4) também permite a carga através da energia elétrica em dispositivos de 4.5 até 9V quando a carga por energia solar não for possível.

Figura 4. Carregador universal movido a energia solar.

Outro bom exemplo de inovação verde vem de um produto muito consumido entre profissionais de TI: o café. Ele está sendo utilizado não somente para o consumo, mas também como fonte de energia em projetos inovadores e até mesmo inusitados. Um dos mais curiosos é o projeto do coreano Jeon Hwan Ju, que inventou uma impressora que funciona com borra de café, e sem eletricidade! Batizada de RITI Coffee e criada em 2009, é um dispositivo eletrônico totalmente eco-friendly. Em vez de jogar fora a borra de café ou o resto do chá, o usuário deposita em um cartucho especial acoplado em cima da impressora. Ao movimentar o cartucho de um lado para o outro de forma rápida (Figura 5), a impressora imprime documentos, inclusive com imagens. A RITI Coffee participou da Greener Gadgets Design Competition (Competição de Design de Bugigangas Verdes) e, embora não tenha ganhado a competição, ficou entre os finalistas e atraiu milhares de comentários no mundo todo. Infelizmente a RITI Coffee não entrou em escala de produção para venda, mas só a criação do conceito e do método demonstra que boas ideias estão a todo momento sendo criadas para ajudar o meio ambiente.

Figura 5. Impressora que imprime documentos utilizando borra de café ou chá.

A tecnologia verde também está presente nos softwares. Antes desconectados da realidade ambiental, os programas agora tentam ajudar o usuário através de pequenas ações que podem fazer a diferença para o planeta. Neste cenário, existem diversos aplicativos para computadores e dispositivos móveis que prometem economizar energia, evitando desperdícios com ajustes simples no sistema. Um deles é o Granola, da empresa MiserWare, que é “capaz de economizar a energia consumida pelo computador desnecessariamente sem alterar a performance do sistema”. É uma ferramenta de gestão de energia que promete reduzir o consumo a partir de um complexo algoritmo de gerenciamento de energia da CPU. O software pode ser usado em servidores, desktops, notebooks e roda tanto em Windows quanto em Linux.

Conclusão

As empresas de TI atualmente têm um papel central nas discussões sobre a questão ambiental e em projetos voltados à redução do consumo de energia e liberação de CO2 – um dos principais gases causadores do efeito estufa – no mundo. Em geral, os departamentos de tecnologia das empresas correspondem a 10% do consumo total de energia e da emissão de gases das mesmas. Por isso, as empresas estão correndo atrás. O Itaú-Unibanco, por exemplo, elegeu em 2010 o consumo de energia como um dos pilares do projeto de TI Verde da empresa. Com a modernização dos seus parques e datacenters, eles economizam cerca de 500 mil reais em custos gerais.

Existem diversas iniciativas que as empresas podem implantar para contribuir com um impacto menor ao meio ambiente, tais como: reuniões feitas à distância (menos deslocamentos, menos gastos com combustíveis, menos poluição), uso de lixeiras para coleta seletiva (estima-se que, em média, 500 quilos por ano de material reciclável de boa qualidade é jogado fora por cada funcionário de escritórios), utilização de iluminação natural ou a troca de lâmpadas incandescentes para fluorescentes, instalação de softwares para economia de impressão (que fazem o gerenciamento das impressões e permitem economizar tinta e toner), melhorar o ambiente da sala de descanso/café (trocando, por exemplo, copos plásticos por canecas e eliminando máquinas de lanche e café por lanches mais saudáveis) e até a eliminação da máquina de fax (que ficou completamente obsoleta desde o advento do PDF e os softwares que permitem escanear, editar e gerar estes tipos de arquivos).

Mas o que em geral um consumidor pode fazer para dar sua contribuição? Uma pessoa que tenha consciência do meio ambiente e que queira colaborar para a eficácia dos projetos verdes precisa ter paciência e muita disposição. O chamado “Consumo Verde” infelizmente ainda cobra caro do consumidor. Os problemas podem começar ainda na embalagem. Segundo levantamentos da PROTESTE, produtos do mesmo fabricante com a mesma composição, mas com a palavra “ECO” na embalagem, costumam ser mais caros. Já outros podem trazer dados irrelevantes, como os inseticidas que indicam na embalagem que não possuem CFC (clorofluorcarbono) na sua composição, sendo que este componente há muito tempo foi proibido de ser utilizado no Brasil. Também não vale dizer que a embalagem é reciclável, uma vez que aço e alumínio são matérias primas que possuem esta característica inerentemente. Portanto, é preciso ficar atento para não pagar mais por produtos que, de fato, não são verdes ou simplesmente já estão adequados às leis locais.

Na área tecnológica, a ONG Green Electronics Council criou um selo verde, um padrão de qualidade para certificar produtos que apresentem o menor consumo de energia na sua categoria. O selo, batizado de EPEAT (Electronic Product Environmental Assessment Tool), certifica empresas com práticas verdes, para que o consumidor possa ter certeza de que está consumindo sem agredir o meio ambiente. Dentre as mais diversas empresas que possuem o selo está a Amazon.com.

Até mesmo o ato de comprar um computador pode fazer de você um grande emissor de poluentes. Segundo um estudo coordenado pelo professor Ruediger Kuehr, da Universidade das Nações Unidas, uma empresa, ao fabricar um computador simples (desktop com monitor), gasta em média 1.800 Kg de materiais, sendo cerca de 240 Kg de combustíveis fósseis, 22 Kg de componentes químicos dos mais diversos e, absurdos 1.500 litros de água extremamente pura. Esta quantidade imensa de água consumida se explica pelo fato de que durante o processo de produção dos circuitos integrados, das pastilhas de silício e do microprocessador, são necessárias diversas lavagens utilizando-se de água pura, para eliminar toda e qualquer impureza dos componentes.

Por isso, é preciso refletir acerca da real necessidade de aquisição de uma máquina nova. Uma atualização de sistema operacional, de memória RAM e/ou de processador pode fazer com que sua máquina possa atender às suas novas necessidades, sem precisar gastar mais do que o necessário. Quando perceber que a máquina está realmente obsoleta, o descarte deve ser feito de maneira adequada, sempre priorizando a reciclagem. Diversos fabricantes, centros de tecnologia e ONGs recebem máquinas antigas e reciclam, como o exemplo da Fábrica Verde citada anteriormente. Assim, além de dar um destino adequado ao produto que não se deseja mais, ainda contribui para que outras pessoas possam aproveitar o material em uma nova máquina reciclada.

Duas excelentes iniciativas para aumentar a visibilidade da TI Verde estão sendo feitas nos sites Software Verde e Iniciativa Verde. O primeiro deles, (veja a seção Links) tem como objetivo certificar empresas que se comprometem em não agredir o meio ambiente, aumentando a sua contribuição com a redução ou mesmo anulando a emissão de carbono na atmosfera, tudo feito a partir de auditorias elaboradas e realizadas pela Software Verde. Ao conseguir o certificado, a empresa será qualificada e terá o direito de figurar na Lista de Empresas Certificadas e de usar a Marca de Conformidade do Software Verde, durante o período de dois anos.

Já no site do Iniciativa Verde (disponível na seção Links), você pode saber quantas árvores precisará plantar para neutralizar a sua emissão de carbono com base no seu consumo de energia elétrica, consumo de gás de cozinha, de combustível do seu carro e das viagens aéreas que faz durante um ano. Caso seja difícil plantar a quantidade de árvores que o site indicar, você pode pagar para que o próprio site realize o plantio, fazendo com que sua vida seja considerada “Carbon Free”.

Existem diversas outras possibilidades para tentar amenizar o impacto ambiental do nosso consumo tecnológico. Aqui estão listadas apenas algumas delas. Sem extremismos para um lado ou outro, é possível viver e conviver bem com nosso planeta, agredindo menos e aproveitando ao máximo o que a tecnologia tem para nos oferecer. Ao consumir a tecnologia com responsabilidade, o meio ambiente e o planeta agradecem!

Links

BioVita – Empresas consomem muita energia
http://www.biovita.com.br/noticias-detalhes/28-empresas-
buscam-imagem-ecologicamente-correta-mas-consomem-muita-energia.html

ISE - Índice de Sustentabilidade Empresarial – BM&FBovespa
https://www.isebvmf.com.br/

EPEAT (Electronic Product Environmental Assessment Tool) – Registro de Produtos Eletrônicos e Fabricantes Verdes
http://www.epeat.net/

Exame.com – Tecnologias Verdes
http://exame.abril.com.br/topicos/tecnologias-limpas

Fábrica Verde – Secretaria de Estado do Ambiente (SEA)
http://www.stcambiente.com/

Hardware – Estudo da Fabricação de Computadores
http://www.hardware.com.br/comunidade/
computador-fabricacao/704112/

Inovação Tecnológica – Estudo da Fabricação de Computadores
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/
noticia.php?artigo=010125070309

Iniciativa Verde. Organização dedicada a reduzir os impactos ambientais
http://www.iniciativaverde.org.br/__novosite/#institucional

Software Verde. Certificação para empresas ambientalmente responsáveis
http://www.softwareverde.com.br/paginas/

TechMundo – Seção Tecnologia Verde
http://www.tecmundo.com.br/1588-tecnologia-verde.htm

TI Verde. Blog sobre tecnologias verdes
http://tecnoinfoverde.blogspot.com.br/