Artigo do tipo Teórico

Transmissão de dados via rede elétrica
Este artigo descreve conceitos fundamentais sobre as tecnologias PLC (Power Line Communications), HomePlug e Smart Grid, e é motivado por um crescente interesse na aplicabilidade das linhas de energia como meio alternativo de propagação de sinais de comunicação. Com o desenvolvimento da tecnologia PLC, que permite transmissões de sinais elétricos e de dados em redes de distribuição de energia, surge mais uma opção de conectividade em banda larga, além dos sistemas existentes, como wireless, de satélite e cabos coaxiais das operadoras de TV por assinatura.

Em que situação o tema útil
A tecnologia PLC vem sendo desenvolvida há algum tempo e pode vir a ser uma alternativa para serviços de banda larga, devido à preexistência do cabeamento da rede de energia elétrica, além da mobilidade encontrada na implementação de redes locais, uma vez que cada tomada elétrica pode ser também um ponto de rede, aproveitando assim o cabeamento elétrico já existente para o tráfego de dados.

O desenvolvimento de novas tecnologias que conseguem atingir altas taxas de transmissão de dados e melhoram o desempenho das redes propiciou o aparecimento de diversos padrões de redes com fio, sem fio e sem novos fios, assim como padrões com redes mistas e padrões proprietários. Nos últimos anos, um grande esforço tem sido realizado para permitir a viabilidade da rede elétrica para a transmissão de dados em banda larga. Este esforço inclui o desenvolvimento de equipamentos para a rede de acesso, tanto em baixa quanto em média tensão, além de equipamentos para o usuário final, baseado no conceito de “aproveitamento da rede elétrica” (utilizar ao máximo o potencial do que já foi investido de infraestrutura para alcançar uma maior abrangência de atendimento).

Esta tecnologia é denominada PLC/BPL (Power Line Communication/Broadband over Power Line Communications), que tem como objetivo utilizar a rede elétrica para a transmissão de dados em banda larga. De maneira geral, a Figura 1 apresenta uma topologia típica da rede PLC, com três níveis de rede: a rede de acesso, a rede de distribuição e a rede dos provedores de serviço (ponto de interconexão com a Internet).

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Figura 1. Topologia típica da rede PLC: rede de acesso, rede de distribuição e rede dos provedores de serviços de telecomunicações.

Analisando-se apenas os canais PLC em ambientes prediais, estimativas recentes apontam que esta tecnologia suporta taxas de transmissão de dados de até 600Mbps, e comercialmente, existem equipamentos que transmitem em 200Mbps. Para um melhor nível de compatibilidade, o grupo de trabalho do IEEE denominado P.1901 definiu uma norma para controle de acesso ao meio de transmissão e especificações da camada física em redes PLC, o que facilitaria o desenvolvimento de novos equipamentos compatíveis com a tecnologia.

No Brasil, os serviços de telecomunicações tiveram um forte incentivo com o processo de privatização e regulamentação, ocorrido a partir da Emenda Constitucional nº 8 de 15 de agosto de 1995. Esta emenda abriu a possibilidade de exploração dos serviços telefônicos, telegráficos, de transmissão de dados e demais serviços públicos de telecomunicações por meio de concessão, permissão ou autorização concedida pela União a empresas privadas, nos termos da lei, conhecida como Lei Geral de Telecomunicações (LGT) ou Lei nº 9.472/97.

Com o setor de telecomunicações passando por um crescimento exponencial, muitas empresas elétricas começaram a pensar em se tornar provedores de serviços de telecomunicações na década de 90.

Para a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), “Power Line Communication (PLC) é um tipo de sistema que permite a transmissão de sinais de internet, voz, vídeo e comunicação digital e analógica, por meio da rede elétrica”. O mercado de distribuição de energia elétrica é atendido por 64 concessionárias, estatais ou privadas, que abrangem todo o País, que atendem cerca de 60 milhões de unidades consumidoras, das quais 85% são consumidores residenciais, em mais de 98% dos municípios brasileiros. O Estado de Goiás, por exemplo, possui mais de dois milhões de unidades consumidoras de energia elétrica, distribuídos em 237 municípios e beneficiando, aproximadamente, quatro milhões de habitantes (cerca de 90 % da população total do Estado). As adversidades do meio elétrico são as principais barreiras para a transmissão de dados nesse tipo de canal.

Pode-se afirmar que a tecnologia PLC possibilita desenvolver diferentes aplicações, gerando, como consequência, inovações tecnológicas. A utilização da rede PLC tem como principais vantagens:

· Infraestrutura de cabeamento pronta;

· Alta taxa de transmissão de dados;

· Desenvolvimento de novas técnicas de transmissão digital de dados;

· Solução last meters (transformação da rede elétrica de distribuição predial ou residencial em uma rede local de dados);

· Facilidade de uso e na implementação do sistema PLC. Cada tomada é um ponto de acesso de uso simples e descomplicado;

· Alternativa de acesso à banda larga promovendo a competição no segmento de prestação de serviço e inclusão digital.

Através de mecanismos de gerência, planejamento e operação dos sistemas de geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, utilizando uma abordagem coordenada e colaborativa, é possível que a tecnologia PLC venha a se tornar um meio de transmissão viável para acesso a banda larga. Além disso, a tecnologia PLC/BPL permite que uma série de serviços seja oferecida por concessionárias de energia elétrica, entidades públicas e empresas de telecomunicações, como mostra a Figura 2.

Figura 2. Possíveis aplicações para a tecnologia PLC.

No Brasil, as concessionárias de energia elétrica realizaram nos últimos anos alguns testes para também oferecer serviços de telecomunicações. Atualmente, o foco dessas concessionárias é o estudo do Smart Grid, que propõe a convergência entre o sistema de energia elétrica e o de comunicação de dados. O Smart Grid é um sistema de T&D (Transmissão e Distribuição) que possibilita a disponibilidade da informação no local e momento desejado, tornando-o assim uma tecnologia de rede elétrica inteligente que é definida principalmente pelas funcionalidades que possui.

Características da tecnologia PLC

A tecnologia PLC não pode ser considerada uma nova tecnologia, pois desde o início do século XX as redes elétricas têm sido utilizadas internamente pelas empresas de energia elétrica para suportar serviços de telecomunicações. A princípio, no entanto, ela não havia sido considerada uma forma de comunicação viável devido a sua baixa taxa de transmissão, baixa funcionalidade e alto custo de desenvolvimento.

Apesar disso, desde a década de 1920 os Sistemas Power Line Carrier vêm sendo utilizados pelas empresas de energia elétrica, em telemetria, controle remoto e comunicação de voz. A primeira técnica que possibilitou a utilização da rede de distribuição de energia elétrica para a transmissão de alguns sinais de controle e monitoramento da rede elétrica foi desenvolvida no início da década de 1950, conhecida como Ripple Control. Esse método era caracterizado pela utilização de baixas frequências (entre 100Hz e 900Hz), possibilitando comunicação a taxas bem baixas e necessitando de alta potência para transmissão. A comunicação era unidirecional, sendo utilizada para tarefas simples como acionamento da iluminação pública, tarifação e controle do limite de carga suportado pelas linhas de transmissão, para evitar a queima por sobrecarga dos equipamentos elétricos dos usuários.

Apenas na década de 1990 foram obtidos sistemas capazes de fornecer comunicação de forma bidirecional através da rede de distribuição, sendo marcados pela utilização de frequências mais elevadas e menores níveis de potência transmitida. Em 1991, Dr. Paul Brown, da Norweb Communications, iniciou alguns testes com comunicação digital de alta velocidade utilizando linhas de energia. Entre 1995 e 1997 foi demonstrada a possibilidade de se resolver problemas de ruído e interferência, permitindo a viabilidade da transmissão de dados de alta velocidade. Em outubro de 1997, a Nortel e Norweb fizeram o primeiro teste de acesso à Internet em uma escola de Manchester, e na Europa foi criado o PLC Fórum. Em 1998 a UTC (Utilities Telecommunications Council) lançou nos Estados Unidos o PowerLine Telecommunications Forum (PLTF).

Em se tratando da evolução das taxas de transmissão de acordo com a frequência utilizada, tem-se:

- Década de 80: até 144 kbps (< 500khz) – OPLAT/CARRIER;

- Início da década de 90: até 10 Mbps (<10Mhz);

- Início do século XXI: até 45 Mbps (<30Mhz);

- Atualmente: até 204 Mbps (1-30 Mhz);

- Futuro: >2 Gbps (1-500 Mhz).

Mesmo com todo esse desenvolvimento, o meio físico do PLC ainda é bastante hostil para os dados, visto que não foi concebido para este fim. Quando se fala de redes elétricas, elas são classificadas em três níveis: (100kV) Alta Tensão, (1-100kV) Média Tensão e (1kV) Baixa Tensão, cada qual adaptado para interligar diferentes distâncias. O sinal PLC é transmitido sobre os fios de cobre (ou alumínio) das redes de distribuição de baixa e média tensão, e algumas propriedades das redes de energia elétrica influenciam negativamente nas comunicações em alta velocidade (perdas no cabo, propagação em múltiplos caminhos e ruído são alguns exemplos). Uma forma de reduzir o impacto das características do meio de transmissão na comunicação é a aplicação de métodos eficientes de modulação, como o OFDM (Ortogonal Frequency Division Multiplexing), além de mecanismos de correção de erro como o FEC (Forward Error Correction) e o ARQ (Automatic Repeat reQuest).

Em redes PLC é necessário utilizar alguns dispositivos específicos para que a rede elétrica possa ser usada para trafegar dados, como pode ser visto na Figura 3.

Figura 3.Dispositivos da Rede PLC.

No casa das redes PLC, para se introduzir e adaptar os sinais de dados dos equipamentos para as redes de Baixa e Média Tensão que chegam até as residências dos usuários são necessários acopladores, que podem ser capacitivos (injetam os sinais de dados através de contato direto com as linhas de energia elétrica) ou indutivos (injetam os sinais na rede elétrica por indução). Os acopladores do tipo indutivo são mais utilizados em média tensão, enquanto os acopladores capacitivos têm maior aplicação na injeção do sinal PLC em baixa tensão, e o Master PLC, conhecido como “head end” da rede, é instalado próximo ao transformador de baixa tensão e tem a função de gerenciar e rotear informações aos repetidores, conhecidos como slave nodes.

Esses repetidores regeneram e reinjetam o sinal PLC proveniente dos Equipamentos de Transformador (placas instaladas em transformadores de média tensão/baixa tensão da rede elétrica, que extraem o sinal do canal que distribui a tecnologia PLC e o injeta na rede de baixa tensão) para a rede elétrica de distribuição doméstica. Os repetidores são instalados normalmente junto aos medidores de cada prédio ou em algum local intermediário, como por exemplo, postes sem transformador, na rede de distribuição de baixa tensão. Em alguns casos, não é necessária a utilização de repetidores (por exemplo, onde o equipamento PLC do Transformador consegue uma conexão de elevada qualidade com o Modem PLC).

O Modem PLC, por sua vez, é conectado à tomada de energia da rede de distribuição, por onde, além de ser alimentado, recebe o sinal PLC através de uma tomada simples. Neste modem existe um filtro, parecido com o que se utiliza em redes xDSL, mas que filtra sinais de dados e sinais elétricos. Para permitir a integração das redes PLC com serviços de telecomunicações, esse modem PLC normalmente possui interfaces de comunicação RJ45 para a rede Ethernet, USB (Universal Serial Bus) e interface RJ11, que permite a conexão de aparelhos telefônicos.

De maneira geral, na estrutura da rede PLC, de acordo com especificações dos principais fabricantes, cada repetidor gerenciado por um Master possui a capacidade de gerenciamento de 63 equipamentos “escravos”, formando uma topologia de comunicação com aproximadamente 4.000 usuários por transformador, e a distância média entre repetidores de 1.500 metros, aumentando o custo de implementação em distâncias maiores. Em relação à segurança, uma rede PLC é considerada isolada de outra quando não existe uma conexão física entre elas e quando o sinal de uma rede não é percebido pela outra, seja devido à atenuação do sinal ou ao uso de fases elétricas distintas.

Para garantir o serviço de voz e dados a clientes extremamente remotos, empresas como a Copel Telecomunicações muitas vezes utilizam a tecnologia PLC. Esses clientes normalmente têm acesso ao serviço de energia elétrica, mas não possuem acesso ao serviço de telefonia convencional devido ao alto custo para fornecer esse tipo de serviço com cabeamento de cobre. A Figura 4 apresenta o esquema de uma cidade utilizando a rede elétrica para transmissão de dados, com linhas prioritárias para serviços de utilidade pública, como bombeiros, hospitais, postos policiais, entre outros. Essas linhas prioritárias garantem que esses serviços não seriam prejudicados pelo cabeamento da tecnologia PLC.

Figura 4. Esquema de uma cidade utilizando PLC/BLP.

Ambientes Indoor – HomePlug

Em ambientes internos (indoor), residenciais ou empresariais, uma alternativa interessante é o padrão HomePlug, que dispensa a necessidade de se colocar na rede elétrica o equipamento denominado Master. O padrão HomePlug foi desenvolvido pela HomePlug Powerline Alliance, definindo seu método de acesso ao meio de transmissão e especificações da camada física para redes de baixa tensão (ambientes residenciais, por exemplo).

Atualmente, o principal concorrente do HomePlug é o padrão IEEE 802.11 (redes sem fio), devido ao seu sucesso comercial, mas existem diversos testes de desempenho comparativos entre os dois padrões em cenários domiciliares para mostrar a viabilidade do HomePlug como alternativa de tecnologia de ponto acesso (Intranet). Contudo, a distribuição da Internet está sujeita a contratação do serviço através de alguma empresa de telecomunicações.

No padrão HomePlug, dois ou mais computadores são ligados em rede simplesmente conectando-se a eles um adaptador, como o da Figura 5, que por sua vez é conectado a uma tomada elétrica. Para possibilitar essa conexão, faz-se necessário que as tomadas onde os adaptadores são ligados pertençam à mesma fase do quadro de distribuição de energia.

Figura 5. Adaptador HomePlug.

O HomePlug foi introduzido no mercado consumidor dos Estados Unidos em maio de 2002 e, aproveitando-se da grande disponibilidade de tomadas existentes na maioria das edificações, tornou-se bastante difundido em casas e pequenos escritórios. Este padrão possibilita que os computadores ligados através dele compartilhem os recursos de rede, como impressoras, ou até mesmo a conexão com a Internet, que pode ser feita através de outro tipo de tecnologia, como ADSL ou Cabo. As taxas de transmissão no padrão HomePlug podem chegar a 200Mbps (HomePlug AV), sendo comparáveis com as taxas de transmissão obtidas no padrão de redes wireless IEEE 802.11.

Dependendo do fabricante, os equipamentos HomePlug podem ter alcance de cerca de 150 metros a 300 metros. A meta do HomePlug AV é permitir a distribuição de transmissões de áudio e vídeo em alta definição (HDTV). Esse novo padrão foi desenvolvido pela Panasonic, Intellon, DS2, Sharp e Conexant, e possibilita uma taxa útil de dados de 150Mbps para comunicações mais robustas em canais ruidosos, como o meio elétrico.

Sistema Elétrico Inteligente – Smart Grid

Smart Grid é o sistema elétrico inteligente que monitora em tempo real o comportamento de usuários e elementos da rede, permitindo um melhor aproveitamento dos recursos da rede e fornecer eficientemente uma energia sustentável, econômica e segura.

O Smart Grid promete diversas melhorias para o uso da energia elétrica. Com um medidor mais informativo e redes de distribuição inteligentes, será possível economizar na conta de luz e ainda verificar os dispositivos que mais consomem energia em residências e estabelecimentos comercias. Diferentemente do PLC de banda larga, o Smart Grid com PLC de banda estreita utiliza frequências diferentes e teoricamente não causa problemas para o Serviço de Radioamador e demais usuários dos serviços licenciados de rádio das médias e altas frequências, como serviços de comunicações marítimos e aeronáuticos. Um dos grandes problemas para a utilização do PLC é justamente a interferência que a tecnologia causa em outros serviços que utilizam a mesma frequência ou frequências próximas.

A importância de se usar Smart Grid encontra-se na adição de vários serviços, que podem ser úteis tanto aos consumidores quanto às concessionárias, entidades públicas e operadoras de telecomunicações. Serviços esses como: controle, medição e supervisão à distância de energia elétrica, adicionado a serviços de corta/religa remoto (como acontece com os serviços de telecomunicações ao ativar/desativar um determinado serviço na linha do consumidor no caso de ausência de pagamento da conta); integração de serviços básicos como energia, telecomunicações, água e gás em uma única conta; segurança pública (câmeras IP) e inclusão digital através do acesso a Internet.

Para se ter na prática uma rede elétrica inteligente são necessárias algumas modificações, inclusive físicas, como é o caso da substituição dos medidores eletromecânicos por medidores mais avançados. Medidores esses que são capazes de uma comunicação nos dois sentidos, tanto recebendo como enviando dados, fornecendo assim serviços mais avançados e completos aos clientes e também em benefício da operadora; serviços que irão além da simples função de leitura. Serão necessários também outros equipamentos de energia mais avançados, como é o caso de um Concentrador PLC, que deverá ficar entre a linha de baixa tensão (110/220 V) e o medidor inteligente na propriedade do usuário, fazendo assim uma comunicação entre o medidor inteligente e o transformador, sendo chamado também de Medição Externa Centralizada (MEC). O MEC é considerado um Gateway Universal na rede, tendo a função de Centro de Controle, sendo responsável por enviar as informações através do transformador à linha de distribuição, além dos serviços remotos como medição da energia ativa e serviço corta/religa.

Os medidores presentes nas propriedades dos usuários terão como função principal a medição da energia consumida. Outros serviços como controle de qualidade e serviço de corta/religa serão executados pelo MEC, com a intenção de evitar fraudes e possíveis artimanhas com relação à energia elétrica.

Os transformadores também terão um importante papel nessa rede inteligente, com a função de monitoramento da energia transmitida, monitorando a tensão, verificando sobrecargas e controle de perdas, enviando os dados automaticamente pela rede de distribuição à subestação para possíveis reparos.

As redes de distribuição e subestações serão automatizadas para receber informações e possibilitar os reparos em tempo hábil, aumentando a eficiência e proporcionando uma auto reconfiguração com a utilização de chaves automatizadas.

O Smart Grid já é realidade em algumas partes do mundo, como, por exemplo, nos Estados Unidos, país com o maior número de concessionárias envolvidas em pesquisas e testes. No Brasil, existem várias pesquisas em desenvolvimento, e recentemente, o governo federal lançou uma linha de financiamento para projetos de inovação tecnológica no setor elétrico. Chamado de Inova Energia, o programa terá ênfase em três áreas: redes inteligentes de energia (Smart Grids), fontes alternativas de energia e veículos elétricos.

As concessionárias brasileiras envolvidas em sistemas de Smart Grid buscam as mesmas finalidades como telecontrole, telemedição, monitoração remota, liga/religa remoto e supervisão de fornecimento, com o intuito de prover serviços mais avançados aos consumidores, além de melhorias internas como controle da energia distribuída e redução dos custos de operação.

Os benefícios de uma rede inteligente atingirão as concessionárias, entidades públicas e empresas de telecomunicações. Lógico que todos os benefícios terão como alvo final os usuários, mas intermediados por organizações diferentes. As entidades públicas serão beneficiadas com avanços tecnológicos nos serviços prestados, como é o caso do programa de inclusão digital (banda larga com o uso em potencial da tecnologia PLC) e também melhorias em serviços como segurança, vigilância através de câmeras e integração dos serviços públicos, sendo que todos esses benefícios tornarão todo o sistema mais rápido e seguro. As operadoras de telecomunicações poderão prover acesso à internet banda larga em uma infraestrutura previamente existente, além de melhorias em serviços já realizados como VoIP e vídeo em demanda, que necessitam de um sistema mais veloz e seguro.

Com a evolução do Smart Grid e sua implantação, várias outras utilidades e serviços extras estarão direta e indiretamente sendo beneficiados com a utilização do PLC. Uma vantagem do uso de PLC é a criação de uma rede interna denominada HAN (Home Área Network), com funções adicionais como medição interna de consumo de cada aparelho eletroeletrônico, monitoramento da qualidade da energia recebida, além da integração com outras tecnologias já existentes como Bluetooth, HomePlug, WiFi, ZigBee, entre outros. Com essa utilização em Smart Grid, a HAN se tornaria um sistema híbrido, com duas ou mais tecnologias para comunicação de dados, o que já está sendo muito difundido atualmente.

A ideia de transmitir dados sobre a rede elétrica também pode ser aplicada para interconectar dispositivos inteligentes dentro de uma casa. No início de 2000, a empresa Sunbeam – por meio de sua subsidiária Thalia Products – anunciou uma linha de eletrodomésticos inteligentes que trocavam informações no momento em que eram ligados à tomada. Batizada de HLT (Home Linking Technology), a iniciativa pretendia lançar produtos como despertadores, detectores de fumaça, cafeteiras, cobertores elétricos, medidores de pressão arterial, entre outros, capazes de se comunicar. Por exemplo, o despertador poderia ser programado para mandar uma ordem à cafeteira para começar a preparar o café um pouco antes de uma pessoa levantar da cama.

Segurança e Gerência em Sistemas PLC

Uma rede PLC pode variar em tamanho, complexidade e ser constituída de diferentes dispositivos, inclusive ligando redes distintas. Alguns equipamentos PLC são capazes de utilizar o protocolo SNMP (Simple Network Management Protocol) para ser possível um gerenciamento centralizado, utilizando MIBs (Management Information Base) proprietárias que permitem maior controle sobre os equipamentos ativos da rede PLC.

Como em uma rede PLC o meio de transmissão é compartilhado entre todas as residências atendidas pelo transformador, pode ser possível escutar transmissões alheias. Para evitar esse tipo de problema, a tecnologia PLC permite diversos mecanismos de segurança, como criptografia, autenticação e redes locais virtuais (VLANs). Esses equipamentos PLC criam redes separadas em um mesmo circuito elétrico com duas chaves de cifragem diferentes, configuráveis através de um programa fornecido geralmente com o equipamento.

A criptografia na rede PLC acontece na camada de enlace, garantindo confidencialidade ao enlace estabelecido pelo usuário. A autenticação ocorre no momento em que um equipamento tenta se associar à rede e auxilia o controle de acesso à rede e a utilização de seus recursos.

Grande parte dos dispositivos PLC opera com o algoritmo de criptografia DES (Data Encryption Standard) de 56 bits, e possui sistema de detecção de intrusos, para que nenhum acesso seja feito sem o conhecimento da administração da rede. Equipamentos mais novos, que operam no padrão HomePlug AV, utilizam criptografia AES (Advanced Encryption Standard) de 128 bits, que é baseado no DES (BOX 1), e suportam mudanças de chaves de criptografia dinâmicas. Essas mudanças permitem que uma estação participe de múltiplas redes HomePlug AV.

Para garantir a confidencialidade, integridade, disponibilidade e controle de acessos não autorizados, os seguintes itens de segurança devem ser verificados:

a) Vulnerabilidades na rede elétrica;

b) Controle de criptografia;

c) Proteção contra softwares maliciosos;

d) Controle de acesso à rede;

e) Controle de acesso ao sistema operacional.

BOX 1. Algoritmo DES

O Algoritmo DES foi criado pela IBM e implantado pelos EUA em 1977 para criptografia padrão de informações não-confidenciais, e é considerado por muitos autores como sendo uma criptografia não muito segura, apesar de rápida. Foi quebrado por “força bruta” em 1997 em um desafio lançado na Internet.

Conclusão

O surgimento da eletricidade como uma tecnologia foi uma das maiores descobertas do homem. Com ela, a humanidade produziu mais, viveu melhor e inventou mais coisas. Mas seu uso ficou praticamente estagnado no tempo após sua evolução inicial.

A necessidade da sociedade por serviços de telecomunicações, principalmente por serviços de transmissão de dados em banda larga, é o fator motivador para que grandes esforços sejam realizados no campo de pesquisa para viabilizar a utilização das tecnologias PLC em banda larga e Smart Grid.

A adoção em larga escala da tecnologia PLC tem ainda como desafios a falta de manutenção de algumas redes de energia elétrica e a utilização clandestina da energia elétrica pública, com perigosas conexões piratas que afetarão o funcionamento da tecnologia PLC no Brasil.

De acordo com o apresentado, as tecnologias PLC, HomePlug e Smart Grid são complementares, tendem a evoluir juntas e serem utilizadas em conjunto em um futuro próximo. Por meio de mecanismos de gerência, planejamento e operação dos sistemas de geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, é possível que a tecnologia PLC venha a se tornar uma solução das chamadas tecnologias de última milha, permitindo o surgimento de uma série de serviços que poderá ser oferecida por concessionárias de energia elétrica, entidades públicas e provedores de serviços de telecomunicações.

Links

ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações. Resolução Nº 527
http://www.anatel.gov.br

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Resolução Normativa Nº 375
http://www.aneel.gov.br

Copel Telecomunicações
http://www.copel.com/

HomePlug Powerline Alliance - White Papers
http://www.HomePlug.org

IEEE Communications Society Technical Committee on Power Line Communications
http://committees.comsoc.org/plc/

Low-Frequency Narrow-Band Power Line Communications Working Group
http://grouper.ieee.org/groups/1901/2/

Smart Grid Light - Redes Inteligentes
http://Smart Grid light.com.br/conceitos-smart-grid

The ABB Group – Soluções em Redes PLC Média Tensão.
http://www.abb.com

Tutoriais Banda Larga e PLC
http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialplc