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Os 4 pilares da Programação Orientada a Objetos

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Conheça nesse artigo os 4 principais pilares, bem como as diferenças para programação estruturada e as principais vantagens da POO.

O desenvolvimento de software é extremamente amplo. Nesse mercado, existem diversas linguagens de programação, que seguem diferentes paradigmas. Um desses paradigmas é a Orientação a Objetos, que atualmente é o mais difundido entre todos. Isso acontece porque se trata de um padrão que tem evoluído muito, principalmente em questões voltadas para segurança e reaproveitamento de código, o que é muito importante no desenvolvimento de qualquer aplicação moderna.

A Programação Orientada a Objetos (POO) diz respeito a um padrão de desenvolvimento que é seguido por muitas linguagens, como C# e Java. A seguir, iremos entender as diferenças entre a POO e a Programação Estruturada, que era muito utilizada há alguns anos, principalmente com a linguagem C. Esse padrão se baseia em quatro pilares que veremos ao longo desse artigo. Além disso, a POO diversas vantagens em sua utilização, que também serão vistas e explicadas.

Saiba mais Saiba mais sobre Orientação a Objetos

Programação Estruturada vs Programação Orientada a Objetos

Na Figura 1 vemos uma comparação muito clara entre a programação estruturada e a programação orientada a objetos no que diz respeito aos dados. Repare que, no paradigma estruturado, temos procedimentos (ou funções) que são aplicados globalmente em nossa aplicação. No caso da orientação a objetos, temos métodos que são aplicados aos dados de cada objeto. Essencialmente, os procedimentos e métodos são iguais, sendo diferenciados apenas pelo seu escopo.

Estruturada x Orientação a Objetos
Figura 1. Estruturada x Orientação a Objetos

A linguagem C é a principal representante da programação estruturada. Se trata de uma linguagem considerada de baixo nível, que atualmente não é utilizada para projetos muito grandes. A sua principal utilização, devido ao baixo nível, é em programação para sistemas embarcados ou outros em que o conhecimento do hardware se faz necessário para um bom programa.

Essa colocação nos traz a um detalhe importante: a programação estruturada, quando bem feita, possui um desempenho superior ao que vemos na programação orientada a objetos. Isso ocorre pelo fato de ser um paradigma sequencial, em que cada linha de código é executada após a outra, sem muitos desvios, como vemos na POO. Além disso, o paradigma estruturado costuma permitir mais liberdades com o hardware, o que acaba auxiliando na questão desempenho.

Entretanto, a programação orientada a objetos traz outros pontos que acabam sendo mais interessantes no contexto de aplicações modernas. Como o desempenho das aplicações não é uma das grandes preocupações na maioria das aplicações (devido ao poder de processamento dos computadores atuais), a programação orientada a objetos se tornou muito difundida. Essa difusão se dá muito pela questão da reutilização de código e pela capacidade de representação do sistema muito mais perto do que veríamos no mundo real.

Veremos em detalhes esses e outros pontos que dizem respeito a programação orientada a objetos. Como desenvolvedores, é nossa missão entender quais são as vantagens e desvantagens de cada um dos paradigmas de programação e escolhermos o melhor para nossa aplicação. A escolha da linguagem também deve estar presente nessa escolha.

Os 4 pilares da Programação Orientada a Objetos

Para entendermos exatamente do que se trata a orientação a objetos, vamos entender quais são os requerimentos de uma linguagem para ser considerada nesse paradigma. Para isso, a linguagem precisa atender a quatro tópicos bastante importantes:

Abstração

A abstração consiste em um dos pontos mais importantes dentro de qualquer linguagem Orientada a Objetos. Como estamos lidando com uma representação de um objeto real (o que dá nome ao paradigma), temos que imaginar o que esse objeto irá realizar dentro de nosso sistema. São três pontos que devem ser levados em consideração nessa abstração.

O primeiro ponto é darmos uma identidade ao objeto que iremos criar. Essa identidade deve ser única dentro do sistema para que não haja conflito. Na maior parte das linguagens, há o conceito de pacotes (ou namespaces). Nessas linguagens, a identidade do objeto não pode ser repetida dentro do pacote, e não necessariamente no sistema inteiro. Nesses casos, a identidade real de cada objeto se dá por ..

A segunda parte diz respeito a características do objeto. Como sabemos, no mundo real qualquer objeto possui elementos que o definem. Dentro da programação orientada a objetos, essas características são nomeadas propriedades. Por exemplo, as propriedades de um objeto “Cachorro” poderiam ser “Tamanho”, “Raça” e “Idade”.

Por fim, a terceira parte é definirmos as ações que o objeto irá executar. Essas ações, ou eventos, são chamados métodos. Esses métodos podem ser extremamente variáveis, desde “Acender()” em um objeto lâmpada até “Latir()” em um objeto cachorro.

Saiba mais Saiba mais sobre Abstração e Polimorfismo

Encapsulamento

encapsulamento é uma das principais técnicas que define a programação orientada a objetos. Se trata de um dos elementos que adicionam segurança à aplicação em uma programação orientada a objetos pelo fato de esconder as propriedades, criando uma espécie de caixa preta.

A maior parte das linguagens orientadas a objetos implementam o encapsulamento baseado em propriedades privadas, ligadas a métodos especiais chamados getters e setters, que irão retornar e setar o valor da propriedade, respectivamente. Essa atitude evita o acesso direto a propriedade do objeto, adicionando uma outra camada de segurança à aplicação.

Para fazermos um paralelo com o que vemos no mundo real, temos o encapsulamento em outros elementos. Por exemplo, quando clicamos no botão ligar da televisão, não sabemos o que está acontecendo internamente. Podemos então dizer que os métodos que ligam a televisão estão encapsulados.

Saiba mais Saiba mais sobre Encapsulamento em Java

Herança

O reuso de código é uma das grandes vantagens da programação orientada a objetos. Muito disso se dá por uma questão que é conhecida como herança. Essa característica otimiza a produção da aplicação em tempo e linhas de código.

Para entendermos essa característica, vamos imaginar uma família: a criança, por exemplo, está herdando características de seus pais. Os pais, por sua vez, herdam algo dos avós, o que faz com que a criança também o faça, e assim sucessivamente. Na orientação a objetos, a questão é exatamente assim, como mostra a Figura 2. O objeto abaixo na hierarquia irá herdar características de todos os objetos acima dele, seus “ancestrais”. A herança a partir das características do objeto mais acima é considerada herança direta, enquanto as demais são consideradas heranças indiretas. Por exemplo, na família, a criança herda diretamente do pai e indiretamente do avô e do bisavô.

Herança na orientação a objetos
Figura 2. Herança na orientação a objetos

A questão da herança varia bastante de linguagem para linguagem. Em algumas delas, como C++, há a questão da herança múltipla. Isso, essencialmente, significa que o objeto pode herdar características de vários “ancestrais” ao mesmo tempo diretamente. Em outras palavras, cada objeto pode possuir quantos pais for necessário. Devido a problemas, essa prática não foi difundida em linguagens mais modernas, que utilizam outras artimanhas para criar uma espécie de herança múltipla.

Outras linguagens orientadas a objetos, como C#, trazem um objeto base para todos os demais. A classe object fornece características para todos os objetos em C#, sejam criados pelo usuário ou não.

Polimorfismo

Outro ponto essencial na programação orientada a objetos é o chamado polimorfismo. Na natureza, vemos animais que são capazes de alterar sua forma conforme a necessidade, e é dessa ideia que vem o polimorfismo na orientação a objetos. Como sabemos, os objetos filhos herdam as características e ações de seus “ancestrais”. Entretanto, em alguns casos, é necessário que as ações para um mesmo método seja diferente. Em outras palavras, o polimorfismo consiste na alteração do funcionamento interno de um método herdado de um objeto pai.

Como um exemplo, temos um objeto genérico “Eletrodoméstico”. Esse objeto possui um método, ou ação, “Ligar()”. Temos dois objetos, “Televisão” e “Geladeira”, que não irão ser ligados da mesma forma. Assim, precisamos, para cada uma das classes filhas, reescrever o método “Ligar()”.

Com relação ao polimorfismo, valem algumas observações. Como se trata de um assunto que está intimamente conectado à herança, entender os dois juntamente é uma boa ideia. Outro ponto é o fato de que as linguagens de programação implementam o polimorfismo de maneiras diferentes. O C#, por exemplo, faz uso de método virtuais (com a palavra-chave virtual) que podem ser reimplementados (com a palavra-chave override) nas classes filhas. Já em Java, apenas o atributo “@Override” é necessário.

Esses quatro pilares são essenciais no entendimento de qualquer linguagem orientada a objetos e da orientação a objetos como um todo. Cada linguagem irá implementar esses pilares de uma forma, mas essencialmente é a mesma coisa. Apenas a questão da herança, como comentado, que pode trazer variações mais bruscas, como a presença de herança múltipla. Além disso, o encapsulamento também é feito de maneiras distintas nas diversas linguagens, embora os getters e setters sejam praticamente onipresentes.

Saiba mais Saiba mais sobre Polimorfismo em Java

Principais vantagens da POO

A programação orientada a objetos traz uma ideia muito interessante: a representação de cada elemento em termos de um objeto, ou classe. Esse tipo de representação procura aproximar o sistema que está sendo criado ao que é observado no mundo real, e um objeto contém características e ações, assim como vemos na realidade. Esse tipo de representação traz algumas vantagens muito interessantes para os desenvolvedores e também para o usuário da aplicação. Veremos algumas delas a seguir.

A reutilização de código é um dos principais requisitos no desenvolvimento de software atual. Com a complexidade dos sistemas cada vez maior, o tempo de desenvolvimento iria aumentar exponencialmente caso não fosse possível a reutilização. A orientação a objetos permite que haja uma reutilização do código criado, diminuindo o tempo de desenvolvimento, bem como o número de linhas de código. Isso é possível devido ao fato de que as linguagens de programação orientada a objetos trazem representações muito claras de cada um dos elementos, e esses elementos normalmente não são interdependentes. Essa independência entre as partes do software é o que permite que esse código seja reutilizado em outros sistemas no futuro.

Outra grande vantagem que o desenvolvimento orientado a objetos traz diz respeito a leitura e manutenção de código. Como a representação do sistema se aproxima muito do que vemos na vida real, o entendimento do sistema como um todo e de cada parte individualmente fica muito mais simples. Isso permite que a equipe de desenvolvimento não fique dependente de uma pessoa apenas, como acontecia com frequência em linguagens estruturadas como o C, por exemplo.

A criação de bibliotecas é outro ponto que é muito mais simples com a orientação a objetos. No caso das linguagens estruturadas, como o C, temos que as bibliotecas são coleções de procedimentos (ou funções) que podem ser reutilizadas. No caso da POO, entretanto, as bibliotecas trazem representações de classes, que são muito mais claras para permitirem a reutilização.

Entretanto, nem tudo é perfeição na programação orientada a objetos. A execução de uma aplicação orientada a objetos é mais lenta do que o que vemos na programação estruturada, por exemplo. Isso acontece devido à complexidade do modelo, que traz representações na forma de classes. Essas representações irão fazer com que a execução do programa tenha muitos desvios, diferente da execução sequencial da programação estruturada. Esse é o grande motivo por trás da preferência pela linguagem C em hardware limitado, como sistemas embarcados. Também é o motivo pelo qual a programação para sistemas móveis como o Google Android, embora em Java (linguagem orientada a objetos), seja feita o menos orientada a objetos possível.

No momento atual em que estamos, tecnologicamente essa execução mais lenta não é sentida. Isso significa que, em termos de desenvolvimento de sistemas modernos, a programação orientada a objetos é a mais recomendada devido as vantagens que foram apresentadas. Essas vantagens são derivadas do modelo de programação, que busca uma representação baseada no que vemos no mundo real.

Exemplos de Linguagens Orientadas a Objetos

Há uma grande quantidade de linguagens de programação orientada a objetos no mercado atualmente. Nesse artigo, iremos apresentar 3 das mais utilizadas no momento: Java, C# e C++. Cada uma delas possui uma abordagem diferente do problema que as torna muito boas para alguns tipos de aplicações e não tão boas para outros.

Java

O Java é, muito provavelmente, a linguagem de programação mais utilizada no mercado atual. Auxiliado pela presença do JRE (Java Runtime Environment), ou variações dele, em quase todos os dispositivos eletrônicos do momento, a linguagem Java é um grande sucesso entre os desenvolvedores. O sucesso da linguagem aumentou ainda mais com o Google Android, que escolheu o Java como linguagem preferencial de desenvolvimento de aplicações.

O Java implementa os quatro pilares de forma bastante intuitiva, o que facilita o entendimento por parte do desenvolvedor. A abstração, o primeiro pilar, é implementado através de classes, que contém propriedades e métodos, de forma bastante simples. Já o encapsulamento é realizado através de propriedades privadas, auxiliadas por métodos especiais getters e setters, como mostra a Listagem 1. Vale ressaltar a palavra-chave “this” mostrada no método SetId(). Essa palavra-chave funciona como um representante da classe atual, uma auto-referência ao próprio objeto.

  private int id;
   
  public int GetId()
  {
       return id;
  {
   
  public void SetId(int id)
  {
       this.id = id;
  }
Listagem 1. Encapsulamento em Java

As questões de herança e polimorfismo no Java são um pouco mais complexas. O Java possui herança simples, o que significa que cada classe pode herdar de apenas uma outra. Entretanto, o Java possui as chamadas Interfaces, que possuem propriedades e assinaturas de métodos. Essas interfaces precisam ser implementadas para funcionar, o que significa que uma classe pode implementar várias interfaces e herdar de apenas uma classe. Na questão de polimorfismo, o atributo @Override é responsável por informar ao Java que o método em questão está sendo reescrito.

C#

O C#, por sua vez, é outra das linguagens mais utilizadas no mercado. Como os computadores pessoais no mundo, em sua maioria, possuem o sistema operacional Windows, da Microsoft, o C# se popularizou. Isso porque o Windows implementa o Framework .NET, ao qual o C# está associado. O C# é uma linguagem de uso geral e especialmente criada para utilização com a orientação a objetos. Vale ressaltar que, em C#, tudo é um objeto (herda da classe object).

A abstração é muito simples, e segue o modelo do Java. A questão de encapsulamento é um pouco diferente devido a implementação dos métodos getter e setter. A nomenclatura também é um pouco diferente. A variável que realmente guarda o valor do dado é chamada atributo, enquanto a propriedade é o elemento que realmente acessa aquele dado do mundo externo. Isso está mostrado na Listagem 2. Além disso, o C# faz uso de duas palavras-chave especiais: get e set.

  // Atributo
  private int id;
   
  // Propriedade
  public int Id
  {
       get;
       set;
  }
Listagem 2. Encapsulamento em C#

A questão da herança em C# também segue o modelo do Java: herança simples e a possibilidade de utilização de interfaces. A importância das interfaces é muito grande, uma vez que elas podem dar o tipo dos dados, que somente posteriormente serão associados a um tipo real, como mostra a Listagem 3. Isso também é válido para o Java. Por padrão, as identidades das interfaces começam com a letra “I”. O polimorfismo, por sua vez, é baseado em métodos virtuais (com a palavra-chave virtual) na classe pai e reescritos com a palavra-chave override na classe filha.

  IExemploInterface exemplo;
  exemplo = new ImplementacaoIExemploInterface();
Listagem 3. Interfaces em C#

C++

O C++, por sua vez, é uma linguagem um pouco mais primitiva, e permite muito mais liberdades com o hardware. Como ele foi derivado imediatamente do C, o C++ permite a utilização de ponteiros, por exemplo, que irão trabalhar diretamente com a memória. Além disso, o C++ pode utilizar todas as bibliotecas C que existem diretamente.

Em termos de abstração, o C++ implementa classes, assim como qualquer linguagem orientada a objetos. Ele também possui o sentido de privado e público, que é utilizado para encapsulamento. Esse encapsulamento é realizado através de métodos getter e setter, muito similar ao visto em Java, como mostra a Listagem 4. Repare que a listagem mostra somente a assinatura dos métodos especiais, sendo que sua implementação é a mesma que em Java. Esse tipo de adaptação é muito comum em C++, onde a classe é guardada em um arquivo .h e sua implementação em um arquivo .cpp.

  private:
       int id;
  public:
       int GetId() const;
       void SetId(int const id);
Listagem 4. Encapsulamento em C++

A questão da herança no C++ é um pouco diferente. A linguagem permite a herança múltipla, o que significa que cada classe pode herdar de quantas classes desejar. Isso pode causar problemas de métodos que possuem o mesmo nome, portanto o desenvolvedor precisa estar atento. O polimorfismo é baseado em métodos virtuais, da mesma forma como o C#. A complexidade, entretanto, é maior, uma vez que temos que cuidar de detalhes de mais baixo nível, como acesso a memória.

Além dessas exemplificadas, existem outras linguagens que merecem ser citadas. Entre elas, podemos elencar: Python, linguagem de script orientada a objetos que é muito utilizada em pesquisas científicas devido a sua velocidade; Object Pascal (também conhecida como  Delphi, devido ao nome de sua IDE), apesar do grande número de sistemas mais antigos que a utilizam; Objective-C, que é a linguagem de preferência para desenvolvimento de aplicações para os sistemas da Apple, como iPhone e iPad; Ruby, voltada para o desenvolvimento web; e Visual Basic .NET, muito utilizada até pouco tempo, mas também caindo em desuso, principalmente devido ao avanço do C# em popularidade.

Ao longo desse artigo, procuramos elencar os elementos que fazem da programação orientada a objetos um sucesso no momento. Vimos os quatro pilares desse paradigma e entendemos como eles são implementados em algumas das linguagens mais utilizadas no mercado de desenvolvimento. Além disso, entendemos algumas das vantagens que tornaram a programação orientada a objetos um grande sucesso para o desenvolvimento de sistemas modernos.

 
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