Sabe aquele colaborador que toda empresa sonha em ter no seu quadro de pessoal? Um profissional de primeira linha, competente ao extremo, fomentador de idéias e grande realizador?
Pois bem, as chamadas “estrelas” do mundo corporativo fazem toda a diferença no dia-dia do ambiente de trabalho. O problema é que de vez em quando alguns desses brilhantes profissionais são acometidos por acessos de estrelismo, que podem se manifestar na forma de atitudes infantis, megalomaníacas e individualistas. Situações como essas são muito comuns em times de futebol, empresas e organizações de um modo geral, e exigem dos gestores a adoção de posturas sensatas e equilibradas, tais como:
• Reconhecer o valor do profissional talentoso. Não dá para negar a importância que um profissional diferenciado tem para uma organização. Por isso é preciso valorizá-lo para mantê-lo na equipe. Mas como se valoriza um profissional que já é valorizado naturalmente? Simples, motivando-o. Profissionais diferenciados se sentem motivados, por exemplo, quando exercem suas atividades em condições de trabalho compatíveis com suas potencialidades. Como têm plena consciência de suas capacidades excepcionais, eles fazem questão de exercê-las com o máximo de eficiência, o que pressupõe uma boa infra-estrutura no ambiente de trabalho. Outra forma de valorizá-los é garantir-lhes a possibilidade de crescimento junto à corporação. Vale lembrar que esses profissionais são ávidos por uma rápida ascensão na carreira, e a sensação de estagnação profissional é a pior sensação que um deles pode vir a sentir. Em suma, práticas motivacionais são essenciais para mantê-los no quadro efetivo exercendo suas potencialidades.
• Reconhecê-lo, não exaltá-lo. Há uma grande diferença entre reconhecimento e exaltação. Reconhecer é admitir publicamente determinado desempenho de acordo com critérios claros de avaliação. É uma prática justa de “dar a César o que é de César”. Exaltar, no entanto, é colocar quem quer que seja nas nuvens do céu, como um deus de paletó e gravata, levando-se mais em conta a fama e o histórico da pessoa do que propriamente a sua produtividade. Ao eleger determinado colaborador como “o melhor da equipe”, o gestor poderá indiretamente estar promovendo uma atitude de auto-suficiência e prepotência no empregado, além de causar uma grande desmotivação no restante da equipe. Gestores que adotam posturas de exaltação podem um dia dizer “Céus, criei um monstro!” É preciso reconhecê-los, não transformá-los em “monstros”.
• Administrar com responsabilidade a concessão de privilégios. É natural que funcionários extremamente competentes tenham privilégios e concessões diferenciadas. No entanto, em casos de profissionais brilhantes que adotam comportamentos excêntricos e irresponsáveis, chegando até a prejudicar o clima e a imagem da empresa, tais medidas devem ser ao menos revistas. Recentes pesquisas comprovaram que a não punição do mau comportamento de profissionais talentosos pode fazer com que empregados medianos e não tão imprescindíveis assim acabem sendo estimulados a fazer o mesmo. O que é um risco e tanto para a organização. Uma coisa é a estrela do time se comportar mal, outra coisa é o time inteiro se comportando da mesma forma. Aí vale o velho ditado: “uma andorinha só não faz verão.”
Por fim, deve-se analisar o custo benefício. É claro que não é nada fácil abrir mão de uma estrela. Estrelas são raras, lucrativas e agregam uma série de ativos. Estrelas são fundamentais para a prática da diferenciação competitiva, prática essencial para a sobrevivência da organização. Mas até mesmo empregados de grande talento podem ir longe demais um dia. Em tempos de mercado globalizado, habilidades como facilidade de relacionamento e capacidade de trabalhar em equipe muitas vezes são mais bem vistas do que certas competências técnicas acompanhadas de tendências desagregadoras. Por isso, em casos extremos, o custo benefício da permanência do colaborador na organização deve ser cuidadosamente analisado. A depender do caso em questão, nem sempre valerá a pena pagar um alto preço para se ter uma estrela no time. Estrelas um dia podem perder o brilho, e assim as perdas podem ser muito maiores.