Durante os últimos anos, o que se nota no mercado de Tecnologia da Informação é o esforço para diminuir um vazio histórico entre as áreas de Operação e Desenvolvimento. Inúmeras tecnologias foram — e continuam a ser — anunciadas no sentido de viabilizar, tecnicamente, a realização desse objetivo.
Plataformas como Docker e Vagrant, por exemplo, estão cada dia mais sólidas e difundidas entre os profissionais de nossa área, e já cumprem o importante papel de tornar o provisionamento de recursos computacionais mais simples e gerenciável. Da mesma forma, os IDEs e as linguagens de programação, assim como ferramentas periféricas (como as de revisão de código, versionamento e gestão de projetos), seguem em marcha ascendente de evolução, adequando-se às transformações do mercado. Vivemos, indubitavelmente, um momento muito especial, em que a ânsia por maior produtividade e eficiência tem ditado um expressivo progresso em praticamente todas as disciplinas associadas à Engenharia de Software.
Entretanto, por mais que surjam poderosos arsenais tecnológicos para tornar o cotidiano do desenvolvimento e operação de software mais produtivo, o velho e conhecido problema da configuração de ambiente ainda é um dilema a ser superado. Não há dúvidas que as tecnologias de provisionamento de recursos já citadas simplificam e aceleram muito a configuração de ambientes, mas o fato é que essa ainda é uma atividade que, especialmente no dia a dia dos desenvolvedores, é exercida de forma muito individualizada. O popular discurso do “funciona na minha máquina” continua muito frequente, evidenciando que ainda há espaço para evoluirmos nesse campo.
Eclipse Che é uma plataforma que, embora semelhante a outras em inúmeros aspectos (tais como Eclipse Oomph ou Eclipse Flux, cujas referências se encontram na seção Links), diferencia-se por incluir os runtimes na composição de um workspace. Ao longo deste artigo, entenderemos o quanto essa característica em particular é fundamental, e aprenderemos, também, como instalar, configurar e utilizar essa plataforma, tanto em contexto local quanto remoto.
A história por trás do Eclipse Che
A origem da jornada, que culminou na ideia e construção do Eclipse Che, está na iniciativa de um cientista da computação chamado Tyler Jewell, motivado especialmente por uma inquietação pessoal. Em suas apresentações em eventos como o EclipseCon (veja referências na seção Links), Jewell relata que, entre 2003 e 2010, alcançara uma posição de destaque em sua carreira, inicialmente na área técnica e, em seguida, gerencial. Entretanto, precisou se afastar de suas atividades profissionais durante nove meses por motivos de saúde.
Ao recuperar-se, sentiu o desejo de resgatar o período em que atuava exclusivamente na área técnica. Frustrou-se, segundo ele, ao não ser capaz de, após uma semana de trabalho, montar um ambiente relativamente simples, composto por um projeto web e um servidor de aplicações. Esse sentimento foi suficiente para provocar nele o pensamento de que, talvez, os principais problemas associados à colaboração em projetos de software fossem resolvidos caso qualquer membro, não necessariamente técnico, conseguisse dar sua parcela de contribuição sem precisar realizar qualquer setup de ambiente por conta própria.
O próximo passo, no raciocínio de Jewell, foi buscar a resposta para o que seria o conjunto mínimo de elementos para que uma colaboração ocorra. Ao final desse exercício, a lista era composta por: um IDE, arquivos do projeto em questão e, naturalmente, ambientes que permitissem validar a contribuição em si. Outro ponto importante é que todos esses itens, combinados no contexto de uma colaboração, deveriam ser entendidos como o workspace em si, cujas características e estado fossem armazenáveis e controláveis para, em seguida, ficarem acessíveis aos demais membros do projeto.
O caminho seguido por Tyler apontava requisitos que já eram cobertos por algumas plataformas existentes àquela época, como o Eclipse Oomph ou o Eclipse Flux (veja a seção Links). Ent ...
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