Você já ouviu falar em um artigo de luxo chamado sorriso? Isso mesmo, sorriso... aquele hábito descontraído de elastecer as bochechas e expor a arcada superior numa explosão de felicidade. Recentes pesquisas revelaram que as pessoas de um modo geral estão sorrindo cada vez menos. As razões para tal fenômeno? Empregos escassos, competitividade acirrada, engarrafamentos, sobrecarga de trabalho e estresse, além de uma série de fatores que juntos representam o lado sombrio da chamada vida moderna.
Se o mau humor segue uma trajetória ascendente, então todos nós estamos expostos aos seus efeitos. Um deles, por exemplo, é a queda dos índices de produtividade nas organizações. Está mais do que provado que um ambiente de trabalho leve e descontraído estimula a criatividade e viabiliza a existência de relações interpessoais mais saudáveis. O problema é que muitas vezes o senso de humor é visto como um inimigo da seriedade com que os negócios devem ser geridos. E assim, para alguns gestores, manter uma carranca corporativa ainda é sinônimo de compromisso e competência na gestão empresarial.
Uma coisa é certa: não precisamos de humoristas nas empresas, e sim de gestores bem humorados. Humorismo é piadismo, é anedota, é “gozação”. Senso de humor é uma postura de leveza e energia diante da vida. No Brasil, ser um piadista é praticamente uma obrigação nacional. Não é a toa que programas televisivos como Pânico na TV e CQC alavancam os índices de audiência de suas emissoras, tornando seus protagonistas verdadeiros heróis nacionais. Mas quando a conhecida comicidade brasileira se apresenta de forma preconceituosa e vexatória, a linha tênue que separa o “engraçado” do “inconveniente” começa a ser desrespeitada. E aí, o humor perde a graça.
Ser bem humorado não significa destilar gracinhas a torto e a direito, e muito menos estar em permanente estado de alegria. O sorriso forçado e sem resultados de nada adianta, por isso até na alegria devemos ser competentes. Ser bem humorado significa estar aberto ao diálogo, admitindo os erros e elogiando os acertos. Ser bem humorado é promover a motivação de todos através de critérios claros de avaliação, bem como transparência nas promoções. Ser bem humorado é fazer com que a comunicação seja clara e objetiva, sem espaço para ruídos e boatos. Ser bem humorado é fazer com os colaboradores não sintam medo de opinar e de criar, estimulando assim a iniciativa de cada um. Ser bem humorado é entender que uma postura positiva traz dividendos, e uma postura negativa traz prejuízos.
Não é preciso contratar os serviços do Chico Anísio para que uma empresa se torne mais feliz e produtiva. Medidas simples e baratas podem fazer uma grande diferença nos índices de felicidade dos colaboradores. Para que isso aconteça, cabe a cada gestor implementar ações que visem a promoção de ambientes mais criativos e produtivos no seu dia-dia. Ambientes que prezem pela competência, seriedade e compromisso com os resultados. Mas ambientes que também respeitem o riso, a alegria, o respeito mútuo e o prazer de arriscar.