Liberdade

 

 

Liberdade, em filosofia, designa de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade são a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários. Não se trata de um conceito abstrato. É necessário observar que filósofos como Sartre e Schopenhauer buscam, em seus escritos, atribuir esta qualidade ao ser humano livre. Não se trata de uma separação entre a liberdade e o homem, mas sim de uma sinergia entre ambos para a auto-afirmação do Ego e sua existência. E na equação entre Liberdade e Vontade, observa-se que o querer ser livre torna-se a força-motriz e, paradoxicamente, o instrumento para a liberação do homem.

Pois bem, após esta introdução vinda da Wikipédia, vamos discutir a liberdade dentro da área de software e a partir dai podemos dizer que se fala muito em liberdade, discutisse muito a tal liberdade, mas ultimamente o que vemos é que essa tal liberdade esta ficando cada vez mais cerceada, principalmente quando se trata da área de desenvolvimento de software e especificamente programação.

É notório que estamos sendo impelido cada dia mais a trabalhar com frameworks, deixando de lado a liberdade da escolha em optar por utilizar ou não um padrão simplista, purista e leve de programação, e nos vemos, muitas vezes, impelidos a utilizar frameworks que não raramente são modismos ou mesmo muito pesados e de difícil compreensão, entendimento e de baixa produtividade, tudo em nome de se seguir e definir padrões. Padrão é algo importantíssimo, e isso não se discute, todo projeto deve seguir um padrão, mas e a liberdade de escolha onde fica? Posso ou não posso, devo ou não devo utilizar framework? Esta resposta pode estar no mercado. Mas quem é o mercado? O mercado somos nós; que lutamos pela liberdade do software ou pelo software livre, só que ao mesmo tempo fazemos o processo inverso. Para nortear esta afirmação perceba a forma com que o mercado quer padronizar ou criar padrões, o modelo adotado é através da força. Forçando o uso, por exemplo, de determinados framework, e isso é o que cerceia a liberdade, e este cerceamento não quer dizer deixar de ter padrão ou de seguir um padrão. Observe, por exemplo, os anúncios de empregos para a área de desenvolvimento de software para programadores ou analistas, a exigência é que sempre se conheça, a fundo, um ou mais frameworks.

Até certo tempo atrás era necessário o conhecimento puro em seu sentido mais amplo e irrestrito, onde o limite era a imaginação e a criatividade, hoje, no entanto estamos e somos tolidos desta liberdade, porque a indústria do software, que nós estamos por trás dela, exige que se domine pelo menos um framework para ser considerado um bom programador ou analista e assim se consiga uma colocação no mercado de trabalho. E novamente volta a pergunta que não quer se calar, onde esta a liberdade de escolha que tanto defendemos?

Liberdade essa que tanto buscamos, e nesta busca impelimos para fora da sociedade do software livre empresas que querem ditar padrões que ferem a liberdade, pois querem impor sempre códigos fechados e pesados, mas deixamos de lado a liberdade de escolha do que conhecer e do que utilizar. O uso do software livre e conseqüentemente a liberdade, assegura a possibilidade de dominar as tecnologias que utilizamos, seguindo padrões que não envolvam o uso de frameworks.

O movimento pelo software livre é uma evidência de que a sociedade da informação pode ser a sociedade do compartilhamento e do respeito à simplicidade e ao padrão, sem perder a qualidade do produto produzido, sem necessariamente ser obrigado a utilizar frameworks, que, por mais livres que sejam ou possam ser, trazem embutidos em sua essência as correntes do software proprietário.

 

 

HAILTON DAVID LEMOS (hailton@terra.com.br) Tecnólogo em Internet e Redes, Bacharel em Administração de Empresas, Licenciando em Ciências Biológicas, Especialista em: Tecnologia da Informação, Planejamento e Gestão Estratégica, Matemática e Estatística, Técnica em Analise e Desenvolvimento de Software, Educação para Diversidade e Cidadania. Trabalha com desenvolvimento de Sistema há mais de 25 anos, atualmente desenvolve sistemas especialistas voltados à Bioinformática,  normas e padrões de qualidade, Planejamento Estratégico e Tomada de Decisão.

Tecnologias que estou utilizando atualmente: Java, Perl, Ruby, Plataforma .NT, Natural, ImageMagick, Javascript, Jscript, Vbscript, AJAX, VBA, SQL, HTML, ASP, XML, OWC, OWL, CML, BioPolymer,  Mysql, DB2, Postgresql, Access, Windows, Linux.