Na minha adolescência sempre gostei de ler gibis de super-heróis. Eu ficava impressionado com as aventuras daqueles caras mascarados que usavam colantes e vestiam cuecas por cima das calças. De todos eles, no entanto, havia um grupo que chamava mais a minha atenção: os X-men.

Os X-men eram seres humanos que haviam nascido com algum tipo de anomalia genética e por isso acabavam desenvolvendo super-poderes. Eles eram jovens, super-talentosos e queriam mudar o mundo.

Deixando a ficção de lado, um grupo de profissionais vem causando uma verdadeira revolução nos ambientes de trabalho do mundo inteiro. Assim como os X-men, eles são jovens, super-talentosos e receberam um nome, no mínimo, digno das histórias em quadrinhos.

Quem são eles, afinal? Convencionou-se chamar de Geração Y todas as pessoas que nasceram entre as décadas de 1980 e 2000. Mas o que torna essa geração tão especial a ponto de abalar as estruturas do mercado globalizado? Para respondermos a esta pergunta, é necessário entendermos algumas peculiaridades dessa nova geração.

Primeiro, esses jovens se desenvolveram numa época de grandes avanços tecnológicos. Ao contrário de gerações anteriores, eles não precisaram aprender a dominar as máquinas por que simplesmente já nasceram inseridos num contexto digital. Dessa forma, a TV, o computador, a internet e o aparelho celular sempre fizeram parte do cotidiano desses indivíduos.

Segundo, eles cresceram num período de democracia estruturada e prosperidade econômica. Vivendo num mundo bem mais estável e aberto à liberdade de expressão, os jovens da Geração Y têm entre suas prioridades o investimento na vida pessoal, o bem estar e o enriquecimento. Se as gerações anteriores tentavam adaptar a vida pessoal ao trabalho, com a Geração Y ocorre o contrário: o trabalho que se adapte à vida pessoal.

Terceiro, eles receberam muito mais atenção por parte de seus pais do que os jovens das gerações anteriores. Temendo repetir a educação um tanto rígida e inflexível de décadas passadas, os pais desses jovens os encheram de atividades, de atenções e de presentes. Ou seja, a Geração Y é formada por jovens que foram estimulados por atividades múltiplas, o que fez com que se tornassem mais comunicativos, objetivos e rápidos nas tomadas de decisões.

Não é difícil imaginar o tipo de impacto que essa nova geração de jovens tem causado e causará ainda mais nas empresas. Muitas organizações têm flexibilizado suas hierarquias para acompanhar a visão simplificada e eficiente da Geração Y. O conflito de gerações, no entanto, é uma realidade. Afinal, grande parte das corporações ainda trabalha com modelos voltados a gerações anteriores, o que causa resistência e desconforto por parte desses novos profissionais.

Seja como for, especialistas do mundo inteiro garantem que a Geração Y é o celeiro das novas lideranças organizacionais. Cada vez mais as corporações procuram adaptar-se à filosofia de vida desses jovens dinâmicos, hábeis na manipulação de tecnologias e eficazes no processo de comunicação. Por isso, se nos quadrinhos os X-men são super-talentosos e lutam por um mundo melhor, na vida real agora eles têm uma versão à altura: a Geração Y. Ou deveria dizer Y-Men?