Procrastinar é algo ruim? No que depender do famoso ditado “nunca deixe para fazer amanhã o que se pode fazer hoje”, sim. No entanto, o ato de empurrar com a barriga determinadas tarefas do dia-dia é muito mais comum do que se pode imaginar. E há uma boa razão para isso: nem todos conseguem administrar bem o seu tempo no contexto agitado em que vivemos.
Por isso considero que talvez a grande questão não seja como desenvolver hábitos e práticas visando a não procrastinação. Talvez o “X” da questão seja como procrastinar bem. Isso mesmo, há a boa procrastinação, e praticá-la é uma grande arte.
Mas se há uma boa procrastinação, concluímos que há uma má. Então, o que caracteriza a má procrastinação?
Os maus procrastinadores costumam adiar tarefas e atividades sem nenhum tipo de critério. Todos nós temos uma infinidade de atividades no dia-dia e algumas, naturalmente, são mais urgentes que outras. O mau procrastinador adia para depois atividades muitas vezes urgentes e que exigem uma prioridade maior. Ou seja, ele não tem critérios para estabelecer o que pode e o que não pode ser prorrogado. Para piorar ainda mais a situação, o mau procrastinador não sabe a hora de parar de procrastinar. Ele simplesmente entra numa espécie de transe e se deixa levar pelo torpor causado pela procrastinação, esquecendo-se de todos os prazos e metas que envolvem suas ações. Resultado? Estresse, sensação de incompetência e desmotivação.
Mas há bons procrastinadores. Diferentes dos maus, os artistas da boa procrastinação sabem identificar com maestria as atividades que podem e que não podem ser adiadas. Por isso, mesmo empurrando algumas ações com a barriga, sabem fazê-lo sem prejudicar as execuções das prioridades. Talvez isso explique porque os bons procrastinadores nunca são tidos como incompetentes, uma vez que dão conta das atividades essenciais. Além disso, os bons procrastinadores têm um dom incomparável: sabem o momento exato de parar com a procrastinação. É como se de alguma forma desenvolvessem a habilidade de no momento certo parar de procrastinar, conseguindo assim concluir determinadas tarefas a tempo. Isso, naturalmente, exige sensibilidade, atenção e uma boa dose de estresse.
Não há como negar que o bom mesmo é evitar este tipo de comportamento. Afinal, até mesmo os bons procrastinadores sofrem com os efeitos colaterais de suas ações. Um deles, como já foi dito, é o alto grau de estresse que envolve o término das atividades. Como sempre vão deixando pra depois, concluir atividades num curto espaço de tempo é por demais desgastante. Além disso, os bons procrastinadores também sofrem com a culpa de não terem aproveitado corretamente o seu tempo. E não há coisa pior do que termos a sensação de que desperdiçamos nosso tempo com atividades nada produtivas.
Por isso, que possamos procrastinar cada vez menos para aproveitarmos melhor as 24 horas que compõem nossos dias. Mas se a correria do cotidiano tornar a procrastinação inevitável, lembre-se: seja um bom procrastinador. Afina de contas, antes tarde do que nunca.