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Ética no desenvolvimento

Mauro Sant’Anna

Algumas profissões são notórias por seus conflitos éticos. Um advogado pode ter como cliente um assaltante, um assassino ou criar contratos para beneficiar picaretas. Médicos frequentemente mentem a seus clientes - também chamados de “pacientes” - porque agüentam sem reclamar esse e outros desaforos. Ou então são tentados a indicar tratamentos caros e de benefícios duvidosos, mas que colocarão dinheiro em seus bolsos.

Tradicionalmente, não associamos esse tipo de dilema ético com o desenvolvimento de software, embora ele já exista, pelo menos como boato, há algum tempo. Por exemplo, dizem que na época da inflação alta um banco “se esquecia” de pagar os juros de “overnight” uma vez por mês. Ou que uma construtora de prédios residenciais escolhia todo o mês o índice de correção mais caro dentre os vários disponíveis (IGPM, INCC, IPC etc.) e o aplicava a todos os contratos, independentemente de que índice estava estipulado no contrato. Ou que certos softwares de emissão de notas fiscais faziam a “soma errada” de forma a sonegar impostos. ...

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