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Primeiro, vou situar o leitor no atual cenário em que o Delphi se encontra. A Borland, originalmente criadora do Delphi, foi comprada pela Microfocus. Antes disso, toda a linha de produtos de desenvolvimento da empresa, incluindo o Delphi, foi separada e ficou aos cuidados de uma nova empresa criada pela própria Borland, a CodeGear. A CodeGear, recentemente foi comprada pela Embarcadero, que hoje detém os direitos e é responsável pelo desenvolvimento do Delphi.

Tudo bem, mas por que eu estou falando de Delphi em uma revista sobre .NET? Primeiro, é fato, a grande maioria dos aplicativos comerciais desktop de hoje foram escritos em Delphi, que possui uma comunidade muito grande, principalmente aqui no Brasil. Segundo, o Delphi, desde a versão 7, possui um compilador para o .NET, isso permitiu que desenvolvedores Delphi Win32 pudessem criar aplicações para o .NET usando Object Pascal. O Delphi 8 foi o primeiro IDE (chamado BDS e depois Rad Studio) que suportou o .NET, incluindo desenvolvimento ASP.NET, WinForms e Web Services. E terceiro, e melhor de tudo, o Delphi for .NET (BDS) deu lugar ao Delphi Prism.

Mas o que é Delphi Prism? É fato que muitos desenvolvedores Delphi, ao decidirem adotar o .NET Framework, principalmente para soluções Web com ASP.NET, acabaram por escolher o Visual Studio com C#, ao invés do BDS. Pensando nisso, há alguns anos, a empresa RemObjects, então parceira da Borland, criou o projeto Chrome. Era uma nova linguagem, uma espécie de evolução do Object Pascal, “importando” muitas coisas interessantes que o C# e suas novas versões oferecem. Essa linguagem não usa o BDS como IDE, mas o próprio Visual Studio! O Chrome então é o melhor de dois mundos: uma linguagem clássica e robusta, um Object Pascal turbinado (que pessoalmente eu prefiro chamar de “D#”) dentro de um IDE já consolidado, estável e produtivo, o Visual Studio (atualmente na versão 2008, e em beta do 2010). O Chrome foi então comprado pela Embarcadero, levando o intuitivo e comercial nome de Delphi Prism.

A linguagem do Prism é extremamente poderosa. Muitas normas rígidas do Pascal, que perduraram por anos, são agora flexíveis. É possível declarar, instanciar e inicializar variáveis in-line (Adeus sessão var!) como no C#, existem recursos como type-inference, propriedades automáticas, generics, tipos anônimos, métodos anônimos, construtores estendidos, object initializers, classes parciais, LINQ, enfim, tudo o que existe de bom e de melhor no C#. E claro, desenvolvedores Delphi podem agora desfrutar de todas as tecnologias que antes só estavam disponíveis para programadores C# e VB.NET, como ASP.NET AJAX, WPF, LINQ, e em breve ADO.NET EF, Silverlight, ASP.NET 4 e muito mais.

Alguns exemplos do que se pode fazer com Delphi Prism (observe que agora é possível usar aspas duplas!):

// propriedades automáticas, não precisa get/set, nem fields
 Cliente = public partial class
 public
   Nome: String;
   Idade: integer;
 end;
 ...
 method MyClass.TestandoPrism();
 begin
   var S1: String := "eu sou uma var in-line";
   var S2 := "Sou uma string por type inference";
   // tipo anônimo 
   var Eu := new class(Nome := "Guinther", Idade := 31);
   // método anônimo 
   Load += method (sender: Object; e: EventArgs) begin
     Response.Write("Olá");
   end;
 end;

Desenvolvedores Delphi, sejam bem-vindos a um novo mundo e sintam-se em casa! Grande abraço!