O Futuro do ASP.NET é o HTML 5. Algumas coisas já deixaram de ser novidades e predições, e se tornaram a mais pura realidade. Há cerca de dois anos ainda estávamos relutantes quanto à versão MVC do ASP.NET, e hoje já estamos na terceira versão do ASP.NET MVC.
Para quem não conhece a história do ASP.NET, vamos a um breve resumo. Tudo começou pra valer em 2003, quando surgiu a versão 1.1 do .NET e a plataforma começou a tomar forma e popularidade. Nessa ocasião, a versão 1.1 do ASP.NET veio para estimular desenvolvedores Desktop a criar aplicações para Web. Por esse motivo, o então conhecido ASP.NET WebForms oferecia (e ainda oferece) o paradigma de “formulários” para aplicações Web.
Isso ajudou muita gente a começar a desenvolver aplicações Web com ASP.NET. A versão 2.0 do ASP.NET reforçou esse paradigma e trouxe muitos benefícios, como foi caso das Master Pages. Vimos então a plataforma .NET amadurecer em todas as suas vertentes, e podíamos dizer que o ASP.NET era uma plataforma de desenvolvimento Web robusta e perfeitamente competitiva no mercado.
Mas eis que surge o ASP.NET MVC, que veio a ter sua consolidação na versão 3.5 do .NET Framework. Isso deixou muita gente desconfiada, já que era uma completa revolução em tudo aquilo que era o ASP.NET WebForms até então. Até hoje muita gente não abraça a ideia do ASP.NET MVC e continua com o WebForms. A própria Microsoft divulga que ambas as versões são válidas e suportadas, e que a existência dessa variação do ASP.NET, chamada MVC é para atender necessidades distintas do mercado.
O fato é que no ASP.NET MVC não se tem a preocupação com o paradigma de “formulário”, presente no ASP.NET original para atender as necessidades de desenvolvedores Desktop. O MVC trata aplicações Web como elas realmente são: páginas Web escritas em HTML, CSS e Javascript, sendo distribuídas via HTTP.
Com isso, é possível dizer que o ASP.NET MVC é uma tecnologia para construções de aplicações Web da plataforma .NET, que se preocupa com boas práticas, Web Standards, Alta performance, entre outros fatores cada vez mais importantes para o desenvolvimento de aplicações Web.
Todo esse processo foi nos aproximando cada vez mais do HTML. Enquanto lá na versão 1.1, era possível montar formulários ASP.NET sem ter conhecimento nenhum de HTML, apenas arrastando controles na página como se fossem formulários do VB 6, agora o desenvolvedor precisa conhecer HTML se quiser criar aplicações Web de verdade.
O Razor é mais um passo nessa direção. Até então a construção de páginas ASP.NET se davam através de uma linguagem de marcação, que estávamos acostumados a chamar de ASPX (extensão das páginas asp.net). Isso é chamado de View Engine, e agora no MVC podemos usar um View Engine novo, chamado de Razor.
O Razor nada mais é do que a possibilidade de usarmos código C# diretamente dentro das nossas páginas asp.net, que com ele ganham a extensão .cshtml (também é possível usar VB.NET). Uma página escrita em Razor tem muito mais cara de HTML do que ao antigo ASP.NET WebForms.
Em todo esse processo podemos tirar algumas lições valiosas. Uma delas é a importância de conhecermos melhor as tecnologias universais da Web: HTML, CSS e JavaScript, e não deixar esse conhecimento escondido dentro de ferramentas que geram código, que basicamente é o que acontece com o ASP.NET WebForms.
E outra lição importante é tentar entender o que é que virá a seguir. No desenvolvimento de aplicações Web, seja qual for a plataforma ou tecnologia, tudo aponta para o HTML 5. Na plataforma Microsoft isso já pode ser visível e notado nos discursos que rondam a comunidade. E de forma prática isso também já pode ser conferido, dentro do próprio ASP.NET MVC 3. Basta criar um novo projeto ASP.NET MVC que já temos a opção “use HTML 5 semantic markup”.
A Microsoft dá sinais cada vez mais claros de que aponta na direção do HTML 5, e a sua ferramenta que está mais próxima disso é o ASP.NET MVC.