Muitos já ouviram falar no Spring Framework, mas a complexidade inicial afasta ou assusta bastante os iniciantes do mundo Java. Sim, a principio e principalmente para um iniciante o Spring Framework pode parecer nada simples, mas para desenvolvedores mais experientes, logo pode-se perceber o encanto e a mágica do Spring Framework. Nesse artigo vamos desvendar um pouco desse completíssimo framework.

Spring é um framework de código aberto (open source), criado por Rod Johnson, em meados de 2002, e apresentado no seu livro Expert One-on-One: JEE Design and Development. Foi criado com o intuito simplificar a programação em Java, possibilitando construir aplicações que antes só era possível utilizando EJB’s.

O Spring atualmente possui diversos módulos como Spring Data (trata da persistência), Spring Security (trata da segurança da aplicação) entre outros módulos. Mas o principal (core) pode ser utilizado em qualquer aplicação Java, as principais funcionalidades são a injeção de dependência (CDI) e a programação orientada a aspectos (AOP), cabe ao desenvolvedor dizer ao Spring o que quer usar. O que faz dele uma poderosa ferramenta, pois não existe a necessidade de se arrastar todas as ferramentas do framework para criar uma aplicação simples.

Configurando o Spring

Para esse artigo vamos utilizar o Eclipse e o Tomcat 7, certifique-se de tê-los instalados antes de continuar.

Primeiramente criaremos um “Dynamic Web Project” com o nome de hello-spring, como mostra a figura 1.

Criando o projeto
Figura 1. Criando o projeto

Agora vem a parte mais “complicada”, configura o Spring, a princípio algo bastante complexo para aqueles que ainda não possuem muita pratica, lembrando que todo framework é um bicho de sete cabeças a primeira vista.

Para o Spring funcionar, vamos precisar de suas libs, acessando os links abaixo, vamos encontrar tudo o que precisamos.

No canto direito da tela teremos as últimas versões lançadas, usaremos a mais atual. Após baixar o zip do framework, vamos descomprimi-lo, e acessar a pasta libs do framework, não se assuste, não usaremos todos esses jar’s , vamos copiar spring-webmvc-X-X.jar, spring-web- X-X.jar, spring-expression-X-X.jar, spring-core- X-X.jar, spring-context- X-X.jar, spring-beans- X-X.jar e colar na pasta WEB-INF/lib. Também é necessária a biblioteca commons-logging-1.1.1.jar para nosso projeto, ver figura 2.

Observação: X-X trata-se da versão do framework que foi baixada.
Monstrando JAR’s do prejeto
Figura 2. Monstrando JAR’s do prejeto

Com posse da biblioteca do framework, agora vamos criar uma pasta chamada spring dentro do diretório WEB-INF, e dentro da pasta criaremos um arquivo xml chamado application-context.xml, lembrando que o Spring é um framework container-based, ou seja, ele vai conter e carregar o que você informá-lo. A raiz do nosso xml é tag e dentro conterá toda a configuração do Spring

Observação: não é obrigatória a configuração do Spring em apenas um .xml, é possível separar vários arquivos de configuração, exemplo: persistence-context.xml mvc-context.xml etc... , porém nesse artigo isso não será abordado.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<beans xmlns="http://www.springframework.org/schema/beans"
	xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
	xmlns:context="http://www.springframework.org/schema/context"
	xmlns:mvc="http://www.springframework.org/schema/mvc"
	xsi:schemaLocation="http://www.springframework.org/schema/mvc 
	http://www.springframework.org/schema/mvc/spring-mvc-3.0.xsd
		http://www.springframework.org/schema/beans 
		http://www.springframework.org/schema/beans/spring-beans-3.0.xsd
		http://www.springframework.org/schema/context 
		http://www.springframework.org/schema/context/spring-context-3.0.xsd">

	<!-- Informa o pacote onde o Spring ira buscar as classes anotadas 
	(@Controller, @Service...)  -->
	<context:component-scan base-package="br.com.devmedia" />

	<!-- Diz ao Spring que ele deve usar a configuração das annotations -->
	<mvc:annotation-driven />

	<!-- Define pagina inicial (ingnora a configuração do web.xml)-->
	<mvc:view-controller path="/" view-name="helloworld"/>

	<!-- Define onde está localizada as views da aplicação, e qual a 
	extenção das mesmas -->
	<!--
	 Estão configuradas dentro da WEB-INF para que o usuário não possa acessalas, se 
	 não por meio do mapeamento
	 -->
	<bean class="org.springframework.web.servlet.view
	.InternalResourceViewResolver">
		<property name="prefix" value="/WEB-INF/views/"/>
		<property name="suffix" value=".jsp"/>
	</bean>

</beans>
Listagem 1. Como deve ficar nosso application-context.xml

Arquivo de configuração bem simples não? Claro, é uma aplicação simples, e a medida que sua aplicação cresce, basta ir acrescentando módulos de acordo com sua necessidade, evitando assim um consumo gigantesco de memória com coisas que você nunca vai utilizar na sua aplicação.

Agora vamos dizer a nossa aplicação Web para carregar o Spring, mas como? O bom e velho arquivo web.xml, será necessária apenas a configuração do Servlet do Spring, nada sobrenatural , veja como deve ficar o nosso arquivo.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<web-app xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" 
xmlns="http://java.sun.com/xml/ns/javaee" 
xmlns:web="http://java.sun.com/xml/ns/javaee/web-app_2_5.xsd" 
xsi:schemaLocation="http://java.sun.com/xml/ns/javaee 
http://java.sun.com/xml/ns/javaee/web-app_3_0.xsd" id="WebApp_ID" version="3.0">
  <display-name>hello-spring</display-name>
  
  	<!-- Configura o Spring Servlet -->
	<servlet>
		<servlet-name>Spring-Servlet</servlet-name>
		<servlet-class
		>org.springframework.web.servlet.DispatcherServlet</servlet-class>
		<init-param>
			<param-name>contextConfigLocation</param-name>
			<param-value><!-- Especifica que arquivo de 
			configuração sera chamado, junto a instanciação  -->
				/WEB-INF/spring/application-context.xml
			</param-value>
		</init-param>
		<load-on-startup>1</load-on-startup>
	</servlet>

	<servlet-mapping><!-- Mapeia o Servlet -->
		<servlet-name>Spring-Servlet</servlet-name>
		<url-pattern>/</url-pattern>
	</servlet-mapping>
	
</web-app>
Listagem 2. Arquivo web.xml

Exibindo uma pagina

Então é só isso? Podemos rodar a aplicação? Calma, ainda não existe nenhuma página, então criaremos uma dentro da pasta WEB-INF/view com o nome de "helloworld.jsp. Veja que é o mesmo nome o qual configuramos como página inicial no application-context.xml.

<!-- Define pagina inicial (ingnora a configuração do web.xml)-->
<mvc:view-controller path="/" view-name="helloworld"/>
Listagem 3. Definindo a página inicial

Nossa página ficará assim.

<%@ page language="java" contentType="text/html; charset=ISO-8859-1"
    pageEncoding="ISO-8859-1"%>
<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN" 
"http://www.w3.org/TR/html4/loose.dtd">
<html>
<head>
<meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=ISO-8859-1">
<title>Dev Media Hello Spring</title>
</head>
<body>
	<p>Hello World Spring</p>
	<br/><br/>
	<a href="bemvindo">Ir para pagina bem vindo</a>
</body>
</html>
Listagem 4. Página helloword.jsp

Agora sim, você já pode rodar o projeto no tomcat, veja o resultado na figura 3.

Exibindo um Hello World
Figura 3. Exibindo um Hello World

Controllers

Exibir uma página é muito simples, mas qual a diferença do Spring? Vamos falar sobre o controle de navegação da aplicação. O Spring utiliza os chamados Controllers, que são classes mapeadas através de annotations que servem para dizer à aplicação o que exibir quando for requisitada uma página, ou envio de informações, uma espécie de Servlet do JSP, mas bem mais fácil de se trabalhar.

Vamos a um exemplo, criaremos uma classe chamada HelloController no pacote br.com.devmedia.controllers, se o pacote não existir, crie-o. Vamos anotar essa classe com o @Controller, que diz ao Spring que essa classe vai funcionar como uma espécie de Servlet para a aplicação, ou seja, vai receber requisições tratá-las e responder ao usuário.

@Controller
public class HelloController{
...
}
Listagem 5. Anotação @Controller

Espera ai, mas como minha aplicação vai saber qual requisição deve ser tratada pelo meu @Controller? Simples, através da anotação @RequestMapping, ela vai verificar qual url está sendo solicitada e enviar para o @Controller que contém a anotação com a url específica, veja.

@Controller
public class HelloController {
	
	@RequestMapping("/bemvindo")
	public ModelAndView bemVindo(Model model){
		model.addAttribute("bemvindo" , "Olha só que facil dizer bem vindo");
		return new ModelAndView("bemvindo");
	}
	
} 
Listagem 6. Método bemVindo

Explicando o código, o @RequestMapping diz que quando for requisitada a url /bemvindo, será executado o método bemVindo() da classe HelloController. Mas o que é esse Model e de onde ele vem? Por que ele está ali? O Model não é um parâmetro obrigatório, e com um pouco mais de experiência verá que muita coisa não é. O “Model” vai servir para adicionar atributos para serem usados na tela, não se preocupe com detalhes, o Spring vai fazer isso por você. Devem ter notado também o ModelAndView que está sendo retornado, ele na verdade vai dizer ao Spring que página ele vai exibir, no caso a bemvindo.jsp, mas poderia ser qualquer página que você tiver dentro da pasta WEB-INF/views que é o diretório que foi mapeado para conter nossas views.

<bean class="org.springframework.web.servlet.view.InternalResourceViewResolver">
	<property name="prefix" value="/WEB-INF/views/"/>
	<property name="suffix" value=".jsp"/>
</bean>
Listagem 7. Mapeamento do diretório das views

Agora que temos o @Controller que vai tratar uma requisição, precisamos também da página que vai ser exibida, no caso a bemvindo.jsp. Criaremos ela dentro de WEB-INF/views, e nessa página exibiremos o atributo passado pelo nosso @Controller, veja o código da JSP.

<%@ page language="java" contentType="text/html; charset=ISO-8859-1"
    pageEncoding="ISO-8859-1"%>
<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN" 
"http://www.w3.org/TR/html4/loose.dtd">
<html>
<head>
<meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=ISO-8859-1">
<title>Dev Media Hello Spring</title>
</head>
<body>
	<p>Pagina de boas vindas que tal ?</p>
	<br/>
	
	<p><%= request.getAttribute("bemvindo") %></p>
	
</body>
</html>
Listagem 8. Código da página jsp

Rode novamente a aplicação e veja o resultado, como na figura 4.

Apresentando pagina com atributo do @Controller
Figura 4. Apresentando pagina com atributo do @Controller

Concluindo

O que foi apresentado é apenas a ponta do iceberg, a maior dificuldade é justamente a configuração e o passo inicial, com essa dificuldade superada, agora é estudar e usar tudo o que esse incrível framework oferece.


Links Úteis

  • Java 7: Site com informações sobre o lançamento do Java 7
  • JavaFX: Site para fazer download de aplicações JavaFX
  • JFXtras: Site do projeto JFXtras

Saiba mais sobre PHP ;)

  • O Que é JPA?: Dominar a persistência de dados é uma necessidade indispensável aos programadores. Sem esse conhecimento nossas aplicações não terão a capacidade de armazenar e recuperar os dados por ela manipulados.
  • Preparando o ambiente para programar em Java: Neste curso você aprenderá a preparar seu ambiente para programar em Java. Veremos aqui o que é necessário instalar e como proceder para desenvolver aplicações com essa linguagem.
  • Criando meu primeiro projeto no Java: Neste curso você aprenderá a criar o seu primeiro programa com Java, e não, ele não será um simples “Hello, World!”. :) Para isso, vamos começar ensinando como instalar o Java e preparar o ambiente de desenvolvimento.